O nióbio, mineral estratégico inestimável, sai do País subfaturado e por vias clandestinas. É exemplo gritante da entrega dos recursos naturais às empresas transnacionais, que realizam ganhos no exterior na ordem dos trilhões de dólares, enquanto aqui ficam só buracos no subsolo.

Um trilhão é um milhão vezes um milhão. Escreve-se com doze zeros. 10 trilhões tem treze zeros. A produção bruta de todos os bens e serviços (PIB) do Brasil, nas contas oficiais, somou, em 2010, o equivalente a US$ 2 trilhões, e ainda seria menos, se o câmbio do real não estivesse sobrevalorizado.

Só com o nióbio o Brasil deixa de ganhar anualmente centenas de bilhões de dólares. Diretamente perde cerca de US$ 40 bilhões, com o descaminho e com a diferença entre o valor das ligas ferro-nióbio no exterior e seu preço oficial  de exportação, vezes a quantidade.

Por ter a economia brasileira sido desnacionalizada e desindustrializada, a perda total é um múltiplo, maior que dez, dessa quantia. De fato, os  bens finais em cuja produção o nióbio entra, atingem preços até 50 vezes maiores que os valores reais no exterior dos  insumos à base de nióbio.

Esses insumos – como os do tântalo, do titânio, do quartzo etc. -  são “vendidos” pelo Brasil por frações de seu valor no exterior. Já a China industrializa suas matérias-primas. Com isso o produto nacional bruto multiplicou-se por 20  nos últimos 30 anos, tornando-se a 2ª maior potência mundial.

Os insumos à base de nióbio são usados nas indústrias aeronáutica, aeroespacial e nuclear e em segmentos de tecnologia avançada em outros setores. Graças ao nióbio, a qualidade do aço e de outros metais é grandemente aumentada e o peso diminuído, bastando 0,1% de nióbio nas ligas.

Com ele se produzem bens de altíssimo valor agregado. Ora, 95% da produção mundial dele vêm do Brasil, onde estão 98% das jazidas. Se o Brasil exercesse sua soberania, poderia valer-se desses fatos para assumir, no nióbio, posição mais forte que a do conjunto dos países da OPEP em relação ao petróleo, de cuja produção mundial eles não respondem sequer por 50%.

A maior mina do País, em Araxá (MG), é controlada pela CBMM, cujo capital pertencia 50/50 (segundo declaravam), aos Moreira Salles, ligados ao grupo Rockefeller (EUA), e à Molybdenum Corp (EUA). A segunda mina é da Anglo-American (Inglaterra), em Catalão (GO).

A participação dos Moreira Salles na CBMM caiu, este ano, para 20% com a venda de 15% a japoneses e sul-coreanos, e de 15%, por US$ 2 bilhões,  a um grupo chinês.

Quatro herdeiros do grupo Moreira Salles estão entre os bilionários do mundo, da revista Forbes. Os quatro totalizam US$ 10,6 bilhões, mesmo antes de vender ações aos asiáticos. Se os laranjas acumularam fortunas desse porte, quanto terão abocanhado as corporações transnacionais que os empregam?

Os brasileiros precisam informar-se e reverter a lastimável situação de  saqueio dos recursos naturais do País, que está afundando no atraso e na pobreza, e paga os juros mais altos do mundo e impostos absurdos, embora seu território tenha a maior dotação de terras aproveitáveis, de água e de sol de todo o Planeta, além de subsolo riquíssimo em minerais preciosos e estratégicos.

Por Adriano Benayon
Doutor em economia pela Universidade de Hamburgo, ex-diplomata do Itamarati e autor do livro “Globalização versus Desenvolvimento”.
e-mail: abenayon.df@gmail.com

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