O cometa foi descoberto pelo cientista russo Artyom Novichonok e seu colega da Bielorrússia, Vitali Nevsky. No ano passado, eles estudaram as imagens do céu feitas por um telescópio instalado no sul da Rússia, na vila de Kislovodsk. As fotos digitais foram processadas por meio de um programa especial de pesquisa de cometas e asteroides. Ao novo corpo celeste foi dado o nome de Ison, em plena consonância com as primeiras letras do nome da rede digital (Internacional Scientific Optical Network), destinada a comandar telescópios, incluindo o observatório local. Mais tarde, o cometa foi descoberto em outras imagens do gênero, o que permitiu precisar a sua órbita. Verificou-se que o cometa se ia dirigindo pela primeira vez rumo ao Sol, tendo partido da nuvem de Oort, que constitui uma esfera gigante, composta por pedaços de gelo que rodeiam o Sistema Solar. Os cientistas tencionam pesquisar a composição do “peregrino espacial” que detém “marcos” do meio interestelar. A atual aproximação proporciona tais estudos importantes. O cometa prossegue na mira de todas as estações científicas marcianas: três sondas orbitais e os rovers Oportunity e Spirit. Dmitri Kononov, do Instituto de Astronomia, comenta:
“São necessários dados pormenorizados sobre a sua composição química. Os cometas, sobretudo, os que chegaram da nuvem de Oort, guardam informações sobre a composição inicial da substância a partir da qual se formou o Sistema Solar. Se for possível obter dados exatos, isto será muito útil para a ciência.”
Devido ao cometa, as estações marcianas irão testar a sua capacidade de se orientar para um objeto em ação rápida e seguir sua trajetória de vôo. Mas o período de observação a partir da superfície do Planeta Vermelho se prolongará apenas por algumas horas. O r endez-vous será visto também da Terra por observatórios e numerosos espectadores. Estes últimos, alias, têm estado um pouco desiludidos: suponha-se que o “cometa do século” fosse observado com binóculos ainda em agosto. Acontece que em outubro, o Ison pode ser visto apenas por meio de telescópio. Poderá o dito peregrino eclipsar a Lua? Eis a opinião de Serguei Smirnov, do observatório de Pulkovo:
“Houve informações que o brilho se ia nivelando, embora tenha sido mais fraco do que se esperava. É difícil prognosticar esta característica. Durante a aproximação com o Sol podem ocorrer processos explosivos, inclusive ejeções inesperadas e bruscas. As previsões, pois, não são dignas de crédito. Esperamos que o brilho seja considerável.”
Depois de atravessar a órbita terrestre, o Ison passará, em 19 de novembro, perto de Mercúrio. Ali, o cometa será “vigiado” pelo aparelho orbital Messenger. Em 28 de novembro, o peregrino espacial contornará o Sol, devendo, nessa altura, ter um esplendor muito grande, que será bem visível da Terra. Cientistas estão aguardando com impaciência um grandioso espetáculo celestial, adianta dizendo Serguei Smirnov:
“Pode ser que os cometas de origem interestelar possuam composição e estrutura diferentes daqueles que surgiram no espaço mais próximo da parte central do Sistema Solar. A divisão de cometas em classes tem que ser estudada. Aqui se acumularam muitos problemas sem solução.”
Por enquanto não está claro como o cometa “vagabundo” se portará, quando se aproximar do Sol. Se não for destruído e fragmentado sob a ação de exorbitantes temperaturas, os cientistas poderão observá-lo a olho nu até os finais de dezembro. Depois, em meados de janeiro, antes de voar para os confins do Espaço, o Ison provocará uma chuva de meteoritos, quando a Terra passar através dos restos da cauda do cometa.

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