Algumas cidades do maior país asiático voltaram a registrar índices alarmantes de partículas chamadas PM2.5 REDAÇÃO Tóquio – Algumas cidades chinesas voltaram a registrar índices alarmantes de poluição atmosférica nesta semana, deixando o governo do Japão em alerta porque pequenas partículas com menos de 2,5 micrômetros de diâmetro (chamadas PM2.5), que causam doenças respiratórias e câncer, podem ser trazidas ao arquipélago pelo vento.
O chefe de Gabinete do governo, Yoshihide Suga, disse que por enquanto não foram registrados índices anormais de PM2.5 no Japão, mas ressaltou que está atento ao problema. O país tem um sistema de alerta que é emitido quando a poluição ultrapassa o limite estipulado.
O vento que costuma soprar do oeste pode trazer as partículas da China ao Japão, como já aconteceu em fevereiro e março deste ano. O governo japonês adotou medidas que incluem ampliação do monitoramento em relação ao nível de poluição registrado nas cidades e a criação de uma equipe de especialistas para analisar os danos à saúde.
A luta da China contra a poluição atmosférica, problema que praticamente paralisou uma cidade de 11 milhões de habitantes nesta semana, está sendo atrapalhada pelas condições climáticas adversas, disse uma autoridade ambiental nesta terça-feira.
A qualidade do ar nas cidades chinesas é motivo de crescente preocupação para os líderes do país, já que esse problema leva as prósperas populações urbanas a se voltarem contra um modelo econômico que prioriza o crescimento acima de tudo — mesmo que isso destrua o ar, o solo e a água.
Nos últimos anos, o governo já anunciou vários planos para combater a poluição, mas aparentemente houve poucos progressos, especialmente no norte e nordeste.
Harbin, uma fria metrópole no nordeste chinês, praticamente parou na segunda-feira quando o índice de poluição atmosférica chegou a cerca de 50 vezes o limite máximo tolerado pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
“Essa névoa severa, acima de tudo, é causada pelas condições climáticas”, disse Fang Li, diretor-adjunto do departamento municipal de proteção ambiental de Pequim, a jornalistas. “No momento, as emissões poluentes totais superaram a capacidade ambiental”, acrescentou ele ao apresentar novas medidas da capital chinesa para lidar com a névoa poluente.
Ele disse que no caso de Harbin a visibilidade ficou muito reduzida porque, coincidentemente, houve uma neblina forte no mesmo dia em que começou o uso da calefação invernal.
“Se você equacionar poluição pesada com calefação de inverno, então o inverno inteiro seria assim. Não é possível”, afirmou.
A calefação coletiva, acionada pelo governo numa data previamente marcada, atende a 65 por cento da população de Harbin, segundo dados do ano passado citados pela imprensa estatal. Grande parte desse aquecimento vem da queima de carvão.
Em Pequim, a calefação central geralmente começa em meados de novembro. A fumaça emitida pelas usinas de calefação e pelas fábricas, os ventos do deserto do Gobi e os escapamentos de milhões de veículos muitas vezes se combinam para que a cidade passe dias coberta por uma camada de névoa. Em janeiro deste ano, o índice de poluição na capital chegou a 45 vezes o nível tolerado.
Fang disse que neste inverno boreal a prefeitura interditará obras e fábricas e proibirá fogueiras e churrascos ao ar livre se houver previsão de três dias de poluição em níveis preocupantes. Em casos excepcionais, acrescentou ele, poderá haver suspensão de aulas e restrições à circulação de veículos.
Câncer e outras doenças
Um relatório divulgado recentemente pela Agência Internacional para a Pesquisa do Câncer (AIPC), subordinada à Organização Mundial da Saúde (OMS), diz que 223 mil mortes por câncer de pulmão ocorridas em 2010 no mundo resultaram da poluição atmosférica, e que também há fortes indícios de que a contaminação do ar eleva o risco de câncer de bexiga.
Já era sabido que a poluição atmosférica, decorrente principalmente das emissões de gases no transporte, geração energética, indústria e agricultura, eleva os riscos de diversas doenças cardiorrespiratórias.
Algumas pesquisas sugerem que nos últimos anos a exposição à poluição cresceu significativamente em algumas partes do mundo, especialmente em países populosos e que passam por uma rápida industrialização, como a China.
“Agora sabemos que a poluição atmosférica externa é não só um grande risco à saúde em geral, mas também a principal causa ambiental das mortes por câncer”, disse Kurt Straif, diretor da seção de monografias da AIPC, que tem a tarefa de classificar os agentes cancerígenos.
Em nota divulgada após uma semana de reuniões entre especialistas que revisaram a literatura científica mais recente, a AIPC disse que a poluição atmosférica ao ar livre e o PM2.5 – um importante componente da poluição – devem passar a ser classificados como agentes carcinogênicos do Grupo 1.
Essa classificação abrange mais de cem outros agentes cancerígenos conhecidos, como o amianto, o plutônio, a poeira de sílica, a radiação ultravioleta e o cigarro.
A classificação já abrangia também muitas substâncias habitualmente encontradas no ar poluído, como a fumaça dos motores a diesel, solventes, metais e poeiras. Mas esta é a primeira vez que os especialistas classificam o próprio ar poluído dos ambientes externos como uma causa do câncer.
“Nossa tarefa foi avaliar o ar que todos respiram, em vez de focar em poluentes específicos do ar”, disse Dana Loomis, subdiretora da seção. “Os resultados dos estudos revistos apontam na mesma direção: o risco de desenvolver câncer de pulmão é significativamente maior em pessoas expostas à poluição atmosférica.”

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