Na virada do ano, perpetuando o estereótipo de cientista antissocial ao invés de encher a caveira como todo mundo, o astrônomo Richard Kowalski fazia observações no telescópio de 60 polegadas do observatório do Monte Lemmon, no Arizona. Durante essas observações ele identificou um objeto passando por Orion. Sistemas automáticos eliminaram corpos celestes conhecidos. Era um novo asteroide, batizado de 2014 AA.

Imediatamente a informação foi passada para observatórios em todo o mundo. Quem tinha tempo começou a refinar a órbita do 2014 AA, até que no começo da tarde do dia 2, o Minor Planet Center, da União Astronômica Internacional emitiu uma circular, avisando que o asteroide estava bem próximo, menos de 500 mil km, e era virtualmente certo que colidiria com a Terra dia naquele mesmo dia.

As observações indicavam que o 2014 AA tinha entre 2 e 4 metros de diâmetro, pequeno demais para chegar inteiro ao solo, no máximo alguns fragmentos atingiriam a superfície da Terra, mas aonde?

Stephen Chesley, do JPL, consultou uns búzios, jogou um tarô, leu o horóscopo do 2014 AA e chegou a uma conclusão: o asteroide atingiria a Terra às 02:30 UTC, caindo em algum ponto entre a América Central e o Oeste da África.

Feito isso, só restava esperar, e nem muito, o comunicado chegou menos de 2 h antes do impacto, que foi detectado pela rede mundial de sensores infrassônicos usada para monitorar explosões nucleares. Esses sensores identificaram uma explosão equivalente a 1.000 toneladas de TNT, a uns 1.600 km de distância da costa do Ceará (o Laguna escapou por pouco).

Esse tipo de impacto acontece em média uma vez por ano, e para quem prefere fingir que não entende estatística e quer se sentir seguro, pode dizer que o impacto de 2014 já aconteceu.

Disso tudo tira-se a lição de que podemos ser bem ágeis, descobrir, identificar e calcular o ponto de impacto de um asteroide em menos de dois dias é impressionante, mas não ajuda em nada, se for um meteoro dos grandes. Por isso projetos como o SpaceGuard e a Fundação B612 são essenciais.

Continuamos dando sorte, mas como qualquer T-Rex pode dizer, ela não dura para sempre.

Fontes: S&T, MPC, CSS, CRTS, JPL e Wikipedia.

Via http://meiobit.com

Dica do leitor Wallan Calabianque

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