Cada ano que passa os Estados Unidos têm cada vez mais problemas em elaborar sua política externa. Uma das razões de tal estado de coisas é a incapacidade dos norte-americanos de avaliar o estado real da situação na arena internacional e sua capacidade de influência sobre a situação. A presidência de Obama pode se tornar um exemplo clássico desta tese.

Política externa de Washington está em crise | Barack ObamaHá dias, o presidente dos EUA voltou a ameaçar a Rússia com sanções. Isso aconteceu logo depois de Vladimir Putin ter retirado do Conselho da Federação o seu pedido para permitir o uso das forças armadas do país no território da Ucrânia. Os senadores prontamente cancelaram sua própria decisão, negando assim ao chefe de Estado o direito de intervir militarmente na tragédia ucraniana.

Moscou demonstrou obviamente ser um país pacífico, talvez até mesmo em detrimento de seus próprios interesses de longo prazo. Mas isso não convenceu Barack Obama. Voltando ao seu tema favorito de sanções, ele mostrou uma desconfiança patológica em relação à Rússia, própria do establishment político norte-americano. No entanto, a elite de negócios dos EUA, aparentemente, tem uma visão diferente.

A Câmara de Comércio dos EUA e a Associação Nacional de Fabricantes (NAM, na sigla inglesa) planejam publicar em 26 de junho em The New York Times, The Wall Street Journal e The Washington Post um aviso de que novas sanções contra a Rússia podem prejudicar os trabalhadores e empresários norte-americanos. O único resultado de sanções adicionais será a expulsão das empresas norte-americanas dos mercados estrangeiros e a perda de oportunidades comerciais a empresas de outros países, dizem especialistas. Eis o que diz o analista político Yuri Solozobov:

“Hoje não estamos em guerra fria. Embora mesmo naquela altura a Rússia podia obter tecnologias de dupla utilização através da Áustria e da Finlândia. E, num mundo aberto, a Rússia pode pegar quaisquer componentes de países do sudeste Asiático, quaisquer tecnologias, inclusive ultramodernas, que são fornecidas mesmo aos EUA para a produção de mísseis.

As sanções antirrussas não têm sentido. No pacote apresentado à Rússia não está a palavra mais terrível – “energia”. Porque sanções energéticas significam prejuízo automático para a Europa no montante de um trilhão de euros já este inverno. Isso é, obviamente, vantajoso para os EUA, permitindo criar uma zona de comércio livre com um parceiro fraco. Mas a UE entende que assim ela está sendo colocada de joelhos”.

É de notar que o curso antirrusso como parte da política externa dos EUA não é apoiado por 60% dos norte-americanos. E o número de concidadãos céticos de Obama está constantemente crescendo. Aparentemente, a culpa de tudo é da crise total da política externa na Colina do Capitólio: a Rússia, a Ucrânia, as relações com os parceiros ocidentais – a estes problemas agora se juntou também o Iraque, cujo governo pró-americano está à beira de uma derrota militar por extremistas de repente tomaram várias grandes cidades e uma grande parte do país.

Resumindo, o fracasso sente-se literalmente em todas as direções, diz o analista disse Dmitri Abzalov:

“O mundo mudou nos últimos anos. Cresceram jogadores regionais independentes capazes de uma agenda independente ditada por seus próprios interesses, ao invés de projetos externos. Apesar do discurso duro, nem sequer na Europa Ocidental estão interrompendo contatos com Moscou. O curso antirrusso é economicamente inviável. Crescem sentimentos pró-russos. A nível nacional o diálogo bilateral com a Rússia está se tornando mais importante do que os projetos da coalizão. É fácil de entender Obama. Mas suas declarações estão fracamente ligadas ao que realmente está acontecendo na política internacional”.

No mundo moderno em rápida mudança a situação exige flexibilidade e perspicácia em relações com amigos e inimigos. Pelo contrário, uma linha política baseada no uso da força está se tornando cada vez menos desejável e justificada.

Obama não quer ou não pode notar isso. Tal posição se tornou para ele um fardo sério, dificultando o desenvolvimento e a implementação de uma política externa realista e eficaz. [Fonte]

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