O que torna as coisas especiais na vida é a maneira como as fazemos.

O significado especial que concedemos ao trabalho é a maior fonte de motivação para realizá-lo bem. Por isso, a importância de vivermos apaixonadamente, com entusiasmo e alegria.

Acontece que no dia a dia somos submetidos a uma série de estímulos contraproducentes ao bom desempenho das nossas funções. Estes estímulos vêm do comportamento de outras pessoas, das nossas crenças e ilusões e de fatores culturais tão arraigados que os incorporamos, reproduzimos e nem nos damos conta…

A palavra trabalho, por exemplo, deriva do latim, da palavra tripalium, originariamente uminstrumento de tortura do exército romano composto por três paus. Enviar alguém ao tripalium era sinônimo de obrigar ao sofrimento, dor e exaustão – ideias ainda hoje muito associadas ao trabalho profissional…

Como muitas pessoas se sentiam, ao longo da vida, “obrigadas” a trabalhar para sobreviver, ocorreu a generalização do termo e do sentido intrínseco de trabalho como algo penoso. Daí a melancolia do domingo à noite, afinal amanhã é segunda-feira, dia de voltar ao sofrimento, ao tripalium…

Os gregos, hedonistas, por sua vez, utilizavam a palavra póiesis (com o significado inicial de criação, ação, confecção, fabricação e, posteriormente, arte da poesia e faculdade poética), que em português deu origem a palavra poesia, resgatando o sentido helênico de atividade que revela a beleza do espírito, envolvendo, portanto, prazer e satisfação!

Em O Banquete de Platão, encontramos o termo póiesis como a maneira pela qual o Homem atinge a imortalidade. Neste texto são apresentados três caminhos para póiesis:

1) A póiesis natural, associada a ter filhos;
2) A póiesis social, associada ao heroísmo;
3) A póiesis da alma, associada ao cultivo de uma vida virtuosa e voltada ao conhecimento.

Assim, poesia (em lato sensu) é percebida como um fruto da alma, uma maneira de transcender o momento presente e eternizar nossa participação no mundo, deixar um legado, enquanto o trabalho é enxergado como um castigo ao qual somos submetidos.

Quem você imagina que é mais feliz? Aquele que identifica trabalho com tripalium ou com póiesis?

A maneira como fazemos as coisas e a qualidade dos resultados que obtemos depende das razões que nos levam a fazê-las, do nosso grau de entusiasmo e paixão ao realizá-las. Imprimimos nosso estado de espírito em tudo o que fazemos.

O significado, o senso de missão, a construção no novo, do belo e do melhor permeiam as melhores realizações da humanidade em todas as áreas.

Encontre o significado especial do seu trabalho em relação à sua vida e à vida das pessoas que você ama e considera. Como você se sente em relação ao seu trabalho?  Por quê?

Na busca pelas razões nobres que o motivam a realizar seu trabalho, pergunte-se:

1 – Por que eu faço isso?  E você encontra suas causas, as razões que o levam a fazer as coisas.
2 – Para que eu faço isso? E você encontrará o significado, a finalidade pela qual você faz o que faz.

Procure encontrar os melhores “porquês” e “para quês”. Preencha sua vida de póiesis e elimine o tripalium. Afinal, o fato de que possa haver dor e sofrimento em vários momentos da vida, não pode e não deve transformá-la em uma tortura.

A vida é feita de escolhas. O que vivemos e como vivemos é sempre uma consequência natural, um desdobramento de nós mesmos. Vamos nos dedicar a fazer escolhas melhores, não somos prisioneiros do destino, somos poetas da criação, co-autores da história do mundo!

Paz e Alegria!

Por Carlos Hilsdorf: economista, pós-graduado em Marketing pela FGV, consultor e pesquisador do comportamento humano. Considerado um dos melhores palestrantes do Brasil na atualidade. Palestrante do Congresso Mundial de Administração (Alemanha) e do Fórum Internacional de Administração (México). Autor do best seller Atitudes Vencedoras, apontado como uma das 5 melhores obras do gênero, e do sucesso 51 Atitudes Essenciais para Vencer na Vida e na Carreira. Referência nacional em desenvolvimento humano.
Site:www.carloshilsdorf.com.br– Twitter:@carloshilsdorf

About Author

Trabalha na área de Controle de Qualidade em uma empresa Suíça. A espiritualidade fez com que Marluce despertasse espiritualmente. Sem um certo nível de consciência espiritual é impossível perceber a magia da vida.