Desde há muitos anos que o mundo sabe dos problemas gerados pela exploração das energias fósseis, em especial o petróleo. Evidente que o petróleo e o carvão formaram as bases energéticas do crescimento industrial e econômico, mas também foram os causadores da situação calamitosa em que se encontra o planeta em termos de poluição, aquecimento global, e desastres ambientais. Juan Pablo Péres Afonso, antigo ministro da energia da Venezuela falecido em 1979 e um dos criadores da OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) disse certa vez uma frase que define bem o problema: Dez anos, vinte anos a partir de agora, vocês verão que o petróleo será a nossa ruina… Petróleo é o excremento do diabo!” O planeta exige fontes limpas de energia e o petróleo é uma das mais poluidoras que existe.

Aqui no Brasil, de acordo com a ANP (Agência Nacional de Petróleo), a Petrobrás lança perto de 07 milhões de toneladas de CO2 por ano na atmosfera, equivalente a todo o transporte rodoviário na cidade de São Paulo. Em termos de poluição, o problema mais sério vem com a descoberta do Pré-Sal e suas jazidas de petróleo. O físico José Goldemberg já alertou que não podemos fechar os olhos para essa riqueza, mas a exploração incorreta pode gerar uma grande decepção, pois seus problemas ambientais são simplesmente desconhecidos. Estamos falando de extrair petróleo a uma profundidade entre 5000 e 7000 metros de profundidade e não podemos esquecer os recentes problemas no golfo do México, onde não conseguiam fechar uma válvula a 1500 metros de profundidade e o petróleo vazou no mar durante vários meses, com danos incalculáveis ao meio ambiente. Será que a natureza já não mandou recados suficientes para o ser humano parar esta corrida desenfreada rumo ao caos?  Juan Pablo Péres estava certo quanto ao excremento do diabo.

É só ver a associação entre a indústria petrolífera e corrupção, tema atual da mídia brasileira, onde o petróleo é o lastro de um projeto de poder e corrupção no país. Em julho de 1948, dois dias antes de sua morte por um espasmo cerebral, o escritor e defensor do petróleo brasileiro, Monteiro Lobato desabafou durante uma entrevista à Rádio Record: “Chega. Não quero nunca mais tocar nesse assunto de petróleo. Amargurou-me doze anos de vida, levou-me à cadeia – mas isso não foi o pior. O pior foi a incoercível sensação de repugnância que desde então passei a sentir sempre que leio ou ouço a expressão Governo Brasileiro”.

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Célio Pezza é escritor e colunista de diversos jornais e revistas no Brasil. Seus romances misturam ficção com realidade e trazem fortes mensagens por trás de cada história. Seu livro As Sete Portas foi traduzido para o inglês e editado no Canadá, EUA e Inglaterra. Sua mais recente obra, A Tumba do Apóstolo, foi lançada em 2014.