De acordo com o relatório Food Insecurity in the World de 2014 da FAO, mais de 800 milhões de pessoas sofrem de fome no mundo atual e, apesar do grande avanço tecnológico, nossa civilização ainda não conseguiu superar essa vergonha do planeta. A Grã-Bretanha divulgou, recentemente, que uma criança morre de fome a cada dez segundos, o que significa mais de 03 milhões de crianças mortas por ano. A fome leva a uma série de doenças que levam à morte, mas, no centro de tudo, está a falta de comida. Também vemos que cerca de 20% da população mundial tenta viver com menos de US$ 1 por dia e a fome é inevitável para esses excluídos da civilização. A bandeira da luta contra a fome é levantada por todos, mas existem muitos que se beneficiam dessa miséria. Um dos exemplos é o Haiti.

Uma analise do diplomata de Luxemburgo, Jean Feyder, mostra que até 30 anos atrás os haitianos produziam arroz suficiente para alimentar a todos os seus habitantes. O governo passou a importar arroz dos USA, essa política arruinou a agricultura local e hoje o arroz está mais caro, o Haiti importa 80% do que consome e o povo passa fome. Essa situação foi ótima para os fazendeiros do Arkansas-USA, mas arruinou o Haiti e aumentou a fome mundial. O próprio ex-presidente Bill Clinton reconheceu o erro da política americana junto ao governo do Haiti. O mesmo aconteceu com outros países exportadores de grãos, carnes, leite em pó e diversos alimentos a preços e políticas que arruinaram os produtores rurais nos países em desenvolvimento. Quanto à ajuda humanitária, o economista queniano James Shikwati, pede o fim dessa ajuda aos países em desenvolvimento, pois ela serve mais aos interesses políticos dos doadores.

Na África, quem mais se beneficia disso são os governos corruptos e grande parte dessa ajuda cai em mãos erradas. De acordo com a agência de noticias Associated Press, foram roubados da Somália milhares de sacos de alimentos. Residentes de campos de refugiados contam que depois de serem fotografados com sacos de milho, os alimentos iam para os comerciantes e funcionários corruptos. Wolfgang Wodarg, diretor da Transparency International na Alemanha, estima que apenas 10% da ajuda internacional chegam até as pessoas que realmente precisam.

About Author

Célio Pezza é escritor e colunista de diversos jornais e revistas no Brasil. Seus romances misturam ficção com realidade e trazem fortes mensagens por trás de cada história. Seu livro As Sete Portas foi traduzido para o inglês e editado no Canadá, EUA e Inglaterra. Sua mais recente obra, A Tumba do Apóstolo, foi lançada em 2014.