Se existisse uma estatística entre os países que mais têm greves, o Brasil seguramente estaria entre os primeiros do mundo. Para todos os lados que olhamos, vemos greves intermináveis e, quando uma é resolvida, começa outra. No meio de tantas greves, temos que tomar muito cuidado com uma em especial. É a “greve da mente humana”, que ataca o emocional, com reflexos profundos nas atitudes, na economia, nos movimentos sociais e em todos os campos de nossa vida. Essa greve começa com a revolta contra todo o sistema, sociedade e instituições políticas em especial. É uma greve diferente, para mudar tudo que nos enoja no dia a dia, como a corrupção e as mentiras. Ela tira o nosso ânimo. Ela é especialmente perigosa, quando atinge a fase de perder a esperança no futuro de um país ou do próprio mundo. Ela mata o homem por dentro! Mesmo trabalhando normalmente, fazendo o que tem que ser feito no seu dia a dia, ele não acredita em mais nada. Este ser humano está “em greve”! Ele quer melhorar, mudar, mas o sistema e as instituições não permitem a mudança, então ele desiste e se declara em greve. Ele perde a esperança e a fé em dias melhores!

Faz parte da problemática dessa greve, questionar o valor do dinheiro, para muitas coisas. Por exemplo, não existe como medir em dinheiro o custo de uma guerra, especialmente para quem participa dela. Não temos como avaliar em dinheiro o valor de um rio morto pela poluição, da mesma forma que não temos como mensurar em dinheiro se um dia o homem desaparecer da face da Terra. É difícil explicar o conceito dessa greve, mas sabemos que seus efeitos são devastadores. Existe uma fábula que nos leva a pensar sobre ela: Certo dia, os membros do corpo humano resolveram fazer uma greve contra a barriga, alegando que ela era a parte mais beneficiada de todas. Ela recebe a comida, descansa, engorda, enquanto os pés levam o corpo, as mãos executam as tarefas, o cérebro dirige, e assim por diante.

O coração explicou que o corpo não é um só membro, mas muitos e que devem viver em harmonia para que o corpo seja são. Mesmo assim, alguns membros continuaram com a greve; os pés se recusavam a levar o corpo, as mãos não mais preparavam os alimentos, a cabeça e o cérebro desanimaram e entraram na pior das greves. Eles não quiseram mais participar dos acontecimentos e desistiram do corpo. Depois de alguns dias, o corpo ficou tão fraco, que não conseguiu mais se levantar, preparar seu alimento e morreu de inanição. Cuidado com essa greve silenciosa! Ela pode comprometer o futuro de um país! Ela pode comprometer a humanidade!

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Célio Pezza é escritor e colunista de diversos jornais e revistas no Brasil. Seus romances misturam ficção com realidade e trazem fortes mensagens por trás de cada história. Seu livro As Sete Portas foi traduzido para o inglês e editado no Canadá, EUA e Inglaterra. Sua mais recente obra, A Tumba do Apóstolo, foi lançada em 2014.