Esclareço que o post fala da maioria dos brasileiros, não estou generalizando…

Temos uma pátria abençoada por Deus com uma natureza maravilhosa e isenta de praticamente nenhum desastre natural… mas e o povo?

Talvez seja resultado de nossa colonização, de fatos históricos, ou dessa cultura tão miscigenada. Não dá para saber ao certo de onde provém esses defeitos, mas é certo que eles estão presentes do norte ao sul desse país. Não que tais sejam exclusividades brasileiras, apesar de que no Brasil pareça muito mais acentuado que em outros lugares.

Vamos lá:

BRASILEIRO RECLAMA DE TUDO E NÃO RESOLVE NADA!

Essa, sem sombras de dúvida, é uma das atitudes mais praticadas pelos brasileiros. Reclamamos de tudo!

Apesar do abuso desse ato, o problema não está em reclamar: o problema está em apenas reclamar.  Não existe o hábito do segundo passo por aqui. A pessoa reclama, xinga muito nas redes sociais e fica por isso mesmo. A parte mais importante, que seria achar a solução para reclamação, simplesmente é abandonada, transformando a atitude de reclamar em algo totalmente inútil.

A explicação para o excesso de reclamação e para a falta de reação já virou estudo. O resultado não apresentou nenhuma novidade: O brasileiro não tem o hábito de protestar no cotidiano. A corrupção dos políticos, o aumento de impostos, o descaso nos hospitais, as filas imensas nos bancos e a violência diária só levam a população às ruas em circunstâncias excepcionais. Por que isso acontece? A resposta a tanta passividade pode estar em um estudo de Fábio Iglesias, doutor em Psicologia e pesquisador da Universidade de Brasília (UnB). Segundo ele, o brasileiro é protagonista do fenômeno “ignorância pluralística”, termo cunhado pela primeira vez em 1924 pelo americano Floyd Alport, pioneiro da psicologia social moderna.

“Esse comportamento ocorre quando um cidadão age de acordo com aquilo que os outros pensam, e não por aquilo que ele acha correto fazer. Essas pessoas pensam assim: se o outro não faz, por que eu vou fazer?”, diz Iglesias. O problema é que, se ninguém diz nada e conseqüentemente nada é feito, o desejo coletivo é sufocado. O brasileiro, de acordo com Iglesias, tem necessidade de pertencer a um grupo. “Ele não fala sobre si mesmo sem falar do grupo a que pertence.”

Temos a cultura de não protestarmos com frequência mesmo diante de coisas absurdas, pois estamos acostumados com a morosidade do sistema.
O famoso “não vai dar em nada” é um discurso comum entre os “não-reclamantes”.

O estudo da UnB constatou que a “cultura do silêncio” também acontece em outros países. “Portugal, Espanha e parte da Itália são coletivistas como o Brasil”, afirma o psicólogo. Em nações mais individualistas, como em certos países europeus e a vizinha Argentina, o que conta é o que cada um pensa. “As ações são baseadas na auto-referência”, diz o estudo. Nos centros de Buenos Aires e Paris, é comum ver marchas e protestos diários dos moradores. A mídia pode agir como um desencadeador de reclamações, principalmente nas situações de política pública. “Se o cidadão vê na mídia o que ele tem vontade de falar, conclui que não está isolado”, afirma o pesquisador.

O antropólogo Roberto DaMatta diz que não se pode dissociar o comportamento omisso dos brasileiros da prática do “jeitinho”. Para ele, o fato de o povo não lutar por seus direitos, em maior ou menor grau, também pode ser explicado pelas pequenas infrações que a maioria comete no dia-a-dia. “Molhar a mão” do guarda para fugir da multa, estacionar nas vagas para deficientes ou driblar o engarrafamento ao usar o acostamento das estradas são práticas comuns e fazem o brasileiro achar que não tem moral para reclamar do político corrupto. “Existe um elo entre todos esses comportamentos. Uma sociedade de rabo preso não pode ser uma sociedade de protesto”, diz o antropólogo.

Um fato interessante de nosso condicionamento mental é que oito em cada dez brasileiros tem o assunto do seu dialogo com outrem resumido nesses termos: Quando não está falando de futebol, está falando de sexo ou fofocando ou falando do quanto bebeu no final de semana e vice-versa. Qualquer tema que saia dessa esfera é rejeitado pela maioria, exceto, se o tema for inicio de um reclamação coletiva (do tipo que não vai dar em nada). Não é de estranhar que a definição do Brasil seja “o país do futebol e do carnaval”.

Tanto a filosofia quanto a Psicologia e a Sociologia explicam que essas paixões comprometem o intelecto humano. Tal como um homem apaixonado pela sua amada, o ser apaixonado não pensa, somente age de acordo com suas emoções. Os brasileiros dão provas que essas paixões os transformam em verdadeiros “trouxas”, entre os quais podemos destacar os seguintes fatos decorridos dessa passionalidade:

– Brigas de torcidas;

– Brigas anuais nas apurações das campeãs do Carnaval;

– Pesquisas mostrando que brasileiro gasta mais com cerveja do que com Educação;

– Xvideo como o vigésimo segundo site mais acessado do Brasil, perdendo apenas para sites de funções essenciais(como Google e sites de bancos) e para redes sociais.

É por esse motivo que a entrada de estrangeiros no nosso mercado de trabalho cresce a cada dia. Importar “cabeças-pensantes” é lucrativo para empresas já que aqui as cabeças estão ocupadas com outros pensamentos. Enquanto os gringos buscam soluções para os setores da indústria e da sociedade, nós continuamos com a imaturidade de apoiar nosso micro-universo na preocupação com nossos times de futebol e quantos dias de folga vamos pegar no carnaval. A carência de ambição e a passividade diante do que precisa ser feito converte a maior parte dos brasileiros em cartas fora do baralho do setor industrial quando o assunto exige dedicação e disciplina.

BRASILEIRO É HIPÓCRITA DEMAIS.

“Impostura, fingimento, simulação, falsidade”. Dessas quatro facetas ligadas à definição da hipocrisia provavelmente a menos conhecida é a impostura, como “artifício para iludir, embuste, vaidade ou presunção extrema”. De qualquer maneira, o que se ressalta aí é a presença da mentira. No caso da hipocrisia, a mentira social por excelência.

O conceito mais comum de hipocrisia aqui no Brasil seria o ato de fingir ter crenças, virtudes, ideias, devoção, comportamento e sentimentos para alcançar o apreço publico, mesmo sendo o acusador, vítima da sua própria crítica. Ou seja, o assassino que condena o homicídio, o funkeiro que critica a música ruim do Latino, o analfabeto que reclama da falta de leitura do povo.

Brasileiro adora uma boa hipocrisia. São tantos os exemplos para provar essa ultima afirmação que até fiquei em dúvida sobre qual deveria escolher. Optei pelo mais conhecido: Brasileiros versus emissoras de TV. Não deve ser novidade para ninguém que o Brasileiro critica e repudia programas de TV os quais assiste. BBB, o maior exemplo de hipocrisia brasileira, mostra a real face desse povo: de um lado, pessoas engajadas, criticando, dizendo para os outros não assistirem o programa. De outro, um dos programas com uma das maiores audiências da era dos “reality shows”. Nem é preciso ser especialista comportamental para saber que alguém está mentindo nessa história, ou precisa? De maneira semelhante temos o Zorra Total, o programa mais odiado pelo público brasileiro e líder de audiência do seu horário. Oras, de onde provém essa controvérsia senão da mentira e falsidade de alguns que condenam diante do olhar alheio mas, no aconchego do seu lar, passa parte do seu tempo livre assistindo esses programas.

Além dessa hipocrisia direta temos a hipocrisia indireta. Assumindo o mesmo exemplo anterior, podemos dizer que é um hipócrita de forma indireta aquele que reclama de quem assiste BBB, alegando que o último é um programa sem caráter cultural, contudo, não perde o jogo de futebol de quarta a noite ou mesmo, faz questão de assinar um canal de TV exclusivo de Futebol. São dois lados de uma mesma moeda.

O EXTREMISMO INFANTIL DOS BRASILEIROS.

Fanatismo ideológico é o estado psicológico que caracteriza qualquer pessoa como idiota. O Fanático é irracional, inflexível, persistente e teimoso. Sua natureza irregular, baseada em paixões, leva a paranoias e gera preconceitos e agressividade com quem discorda de seus valores e crenças. Nos países árabes, esse estado é bastante comum por causa da religião. Em alguns países europeus, extremismo e fanatismo se misturam na busca de alguns grupos por liberação de certos estados de seus países. Já aqui no Brasil…. bem, aqui é uma coisa inexplicável. Brasileiro adota o fanatismo para as coisas mais idiotas, por exemplo:

– Defender partidos políticos (Todos são farinha do mesmo saco!);

– Brigar por times de futebol (Enquanto os torcedores brigam, eles recebem um salário absurdo e não se importam com a paixão pelo clube);

– Arrumar confusão por causa de celebridades, atores, atrizes, músicos (Fãs de Anita brigando com fãs de Valesca Popozuda e por aí vai…)

Esses são exemplos somente de uma pequena fração de todos os tipos de fanatismos ridículos do nosso povo.

BRASILEIRO NUNCA TEM CULPA.

“A culpa é minha e eu coloco ela em quem eu quiser”. Uma das famosas frases de Homer Simpson faz total sentido nessa republica. Segundo International Stress Management Association – em pesquisa com mais de com 1 000 profissionais – praticamente metade dos brasileiros analisados (47%) apresentam um comportamento agressivo quando algo dá errado e tende a negar a participação no erro. Percentual altíssimo se comparado aos países orientais e alguns europeus, os quais não ultrapassam os 14%.

Já faz parte da nossa cultura colocar a culpa nos outros. Não unicamente no trabalho mas em tudo que estamos envolvidos. O Brasil não funciona é culpa dos políticos e não nossa e do nosso voto e apatia frente a tanta corrupção. Enchetes ocorrem por causa do acumulo de lixo nos bueiros e a culpa é do El nino. Para tudo há sempre um bode expiatório.

Um exemplo clássico disso é a falta de leitura dos brasileiros atribuída aos preços dos livros. O Brasileiro consome em média 125 litros de cerveja por habitante/ano. A estimativa é que ultrapasse a marca de 18 bilhões de litro de cerveja em 2015 segundo a Sindicerv. Acredita-se que o gasto do brasileiro de classe C2 a B2 seja de R$ 360 reais anuais somente com cerveja! O estudo da CBL (Camara Brasileira dos Livros) mostra que o brasileiro lê em média 1,8 livros/ano e os livros mais comprados no nosso mercado tem preço em torno de 35 reais. Desse modo, assumindo todos esses fatos, fica claro que a falta de leitura do brasileiro vem pela ausência de vontade.
Comprar R$ 360 reais de cerveja pode mas gastar R$ 35 reais com um livro é muito caro? Dodgy

BRASILEIROS QUEREM RESOLVER TUDO DE UMA VEZ.

Você apresenta uma proposta para reduzir os impostos da importação de produtos e aparece sujeito dizendo que “enquanto perdemos tempo querendo diminuir os impostos, políticos roubam verbas em Brasília”. Você apresenta uma proposta para acabar com a violência nos esportes e aparece um brasileiro dizendo que “enquanto perdemos tempo querendo cessar a violência nos esportes, faltam medicamentos nas farmácias populares”. E assim, ninguém nunca resolve nada! Achar que tudo pode ser resolvido de uma só vez é um pensamento que leva ao fracasso. Se o cidadão acha que tal problema não é prioridade, faça a sua campanha para resolver o problema que você considera principal e não fique criticando quem está tentando melhorar as coisas.

BRASILEIROS ACHAM QUE OS EUA SÃO MELHORES EM TUDO!

Provavelmente você deve conhecer algum brasileiro que foi para os EUA e voltou um ferrenho defensor do Tio Sam…
Sujeito vai para o exterior, principalmente para os EUA, e volta desdenhando tudo.

Esse hábito de visitar o exterior e adotar o lado do extremo-negativo quando volta é típico de brasileiro. Comparações que, por muitas vezes, não fazem qualquer sentido.

O que brasileiro tem que compreender é que cada país é um país. São culturas diferentes, são histórias diferentes, são povos diferentes. Adotar o que há de positivo lá fora e implantar aqui é ótimo. Ruim é enxergar somente o que há de positivo lá fora para ficar desdenhando das coisas daqui.

BRASILEIRO NÃO SABE USAR A INTERNET!

A raça mais odiada da Internet tem nome: Brasileiros. Não é questão de xenofobia, o repúdio que outros povos na Internet tem por nós brasileiros é pela total falta de postura e ética nossa no meio virtual. O comportamento baderneiro incomoda muitos povos, por isso que os brasileiros tem seu acesso restrito em diversos servidores MMORPG, fóruns, sites, redes sociais, entre outros. Somos o povo mais irritante e troll da Internet.

O Orkut e Facebook são exemplos disso. Quando o Orkut era febre nos outros países, tudo era muito organizado, até que nós brasileiros entramos e favelizamos o orkut. As comunidades de idioma inglês foram invadidas pelos brasileiros que começavam a falar em português no meio de debates em inglês. Os gringos irritados com tanta bagunça começaram a migrar para o Facebook. Até que nós brasileiros migramos para o Facebook e também o favelizamos. O reflexo dessa mudança canarinho já foi demonstrado em pesquisas de ingresso e saída de empresas que mostram a migração dos gringos para redes sociais alternativas. A invasão brasileira acabou se tornando ameaça para essas empresas da web por representarem grandes baixas nos países onde a empresa já possui determinado sucesso, levando a mesma proibir a nossa entrada com o intuito de manter o negócio.

Brasileiro enche essas redes de spam, de gifs que brilham, de páginas de humor, de fotos pornôs… compartilham qualquer coisa a qualquer tempo. Embora não exista nenhum Código de Ética para Internet, o bom senso deve estar sempre presente. Assim, compartilhar no Facebook, por exemplo, a foto de um gato esquartejado ou algo do gênero não é legal. Todo mundo sabe disso, exceto a massa brasileira. Confused

De modo parecido os brasileiros invadem os MMORPG’s. Em semanas eles destroem com os servers. Talvez devido a nossa natureza corrupta, corrompemos tudo que tocamos. E daí surge os BOTS, hacks, cheats e tantos outros mecanismos para obter vantagens sobre os outros que nós inventamos e que fazem os jogos perderem toda a graça.

Espero que com o tempo nós percebamos o quanto somos inconvenientes e irritantes, adquirindo uma postura mais sensata antes que sejamos expulso de tudo que é canto da web.

BRASILEIRO NÃO SABE A PRÓPRIA LÍNGUA.

A Educação no Brasil é lastimável, isso não é segredo para ninguém. Uma pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) mostrou que para 2.773 entrevistados (27,3% ), que avaliaram nosso sistema educacional, não houve mudanças na qualidade do ensino e quase um quarto (24,2%) acredita que o sistema piorou. Já o IBGE mostrou no seu estudo de 2011 que apenas 11% dos brasileiros conseguiram concluir o ensino superior ( percentual baixo se analisarmos outros países, tais como Russia (54%) , Cuba (92%), Chile (24%)).

Apesar dos pesares, com toda essa estrutura educacional precária, ainda é inexplicável o domínio débil do brasileiro sobre a sua língua. Não estou me referindo ao domínio completo – compreendendo todas aquelas regras exageradas e chatas -, estou dizendo do BÁSICO.

Uma pesquisa no primeiro semestre de 2011 que nem mesmo os graduandos de jornalismo dominam a língua. Através de um ditado de 30 palavras, a empresa verificou que o índice de erro ficou na média 1/3 das palavras.

Esse defeito pode ser verificado em todas as áreas, desde das melhores escolas particulares até mesmo no próprio Sistema Judiciário.

Percebeu? Estamos falando do topo e não um bando de pobres coitados que não têm aonde cair morto. Os grandes nomes da Língua Portuguesa do país, como Marcos Bagno, autor do livro “Preconceito Linguístico”, afirmam que a explicação para esses acontecimentos é mais simples do que parece:
O completo desinteresse do povo por sua Língua devido a dificuldade que a mesma apresenta e principalmente, a ausência do hábito da leitura.

Por esse e outros motivos, no Brasil a Língua virou arma de manipulação e fator gerador de preconceito.

BRASILEIRO ADORA DAR RECONHECIMENTO À QUEM NÃO MERECE.

Quantas vezes você viu uma homenagem para o Carlos Chagas no horário nobre da TV? Releia a pergunta e substitua “Carlos Chagas” por Pelé e mentalize a resposta. No Brasil, quanto mais você faz pela sociedade, menos reconhecimento você tem dela. Em contrapartida, quanto menos você faz, maior notoriedade tem o seu trabalho. Assim temos cientistas, pesquisadores, juízes, médicos, engenheiros, bombeiros, policiais, professores, entre outros, que dedicam a sua vida em prol de todos e tem reconhecimento zero pela sociedade. Muitos deles sequer recebem um salário justo.

Já quem não faz nada pela sociedade, como atletas – principalmente jogadores de futebol – , artistas, atores, músicos, mulheres de bundas grandes e perfeitas, entre outros que exercem uma “profissão” que não presta qualquer serviço para o bem comum, somente beneficiando aos próprios, além de receber salários altíssimos, são ovacionados pelo público.

Exemplos:

– Ronaldinho Gaúcho ganhando medalha Machado de Assis da Academia Brasileira das Letras;

– Bruna Surfistinha virando best-seller e depois blockbusters;

– Pelé sendo reconhecido como um dos maiores brasileiros de todos os tempos pela Times, etc.

Esse hábito não é exclusivamente brasileiro, boa parte dos países ocidentais, em especial aqueles que importam a cultura americana, se comportam dessa maneira. Esse culto as celebridades e o total descaso com quem realmente faz acaba gerando a insatisfação da maior parte das pessoas cultas seja aqui ou em qualquer parte do mundo. Como as pessoas com considerável grau intelectual são minorias, tal comportamento se espalha feito vírus, recebendo o apoio das mídias.

BRASILEIRO NÃO SABE VOTAR!

A grande mídia e o TSE parecem estar falando a mesma língua atualmente. Mostram a corrupção do sistema de que fazem parte, mas culpam o povo.

Nos últimos meses, não faltam lições de moral dadas por locutores, comentaristas, âncoras de jornal, especialistas disso e daquilo, em matérias, artigos e anúncios. Todas praticamente acusando os eleitores e eleitoras de esquecerem em quem votaram. De não acompanharem a atuação daqueles que elegeram. Enfim, parecem culpá-los pelo comportamento dos mensaleiros, sanguessugas e outros mafiosos engravatados que chegaram ao Congresso Nacional.

Numa propaganda do TSE, por exemplo, um professor de meia idade dá uma bronca em idosos numa sala-de-aula. Acusa-os de esquecer em quem votaram, de não acompanhar etc etc. Comentaristas e apresentadores da imprensa escrita e falada fazem o mesmo com quem os ouve ou assiste. O “Fantástico” até criou um quadro chamado “E eu com isso?”. Nele, uma atriz interpreta uma mulher do povo, que não quer saber nada de política. Enquanto lava a roupa, faz compras, se desloca em trens lotados para o trabalho, ela reafirma o tempo todo que política não leva a nada. Ao mesmo tempo, o quadro vai tentando explicar o funcionamento do Congresso, governos, partidos, etc. A atriz se sai muito bem interpretando alguém que mal tem tempo de dormir, quanto mais acompanhar mandatos e leis. Mas, não deixa de haver preconceito aí. Afinal, não são apenas os pobres que dão pouca atenção às atividades de vereadores, deputados, senadores, governantes em geral.

O cientista político Alberto Carlos Almeida, da FGV, demonstra isso em seu livro “Reforma Política: Lições da História Recente”. A publicação revela que 71% dos eleitores esqueceram em quem votaram para deputado federal quatro anos antes. É verdade que a chamada “amnésia eleitoral” é maior entre os de menor escolaridade. Mas, 53% das pessoas com nível superior também não se lembram de seu voto.
Interessante que o próprio quadro do “Fantástico” dá elementos para entender por que o eleitorado esquece ou despreza a política dos gabinetes. A atriz que encarna a mulher do povo conversa sobre a necessidade de fiscalizar os parlamentares e governantes com pessoas da população. Estas, dizem coisas óbvias, como: “Eu lá tenho tempo de ir atrás de vereador” ou “Tenho coisa melhor pra fazer”. Ora, a primeira observação diz respeito a pessoas em busca de sua sobrevivência, o que lhes toma grande parte do tempo e das energias. A segunda, se refere exatamente ao que a grande mídia faz com a maioria da população, não apenas com os mais pobres. Oferece-lhes entretenimento fácil e barato e informação simplificada e desestimulante. De um lado, canais como a TV Senado ou TV Câmara só chegam a quem paga tevê a cabo. De outro lado, quem é que vai trocar filmes, novelas, desenhos animados e outras atrações por discursos longos e chatos? No máximo, assistem aos “jornais das oito”, com seu formato cada vez mais espetaculoso e menos explicativo.

Além disso tudo, ainda tem o fato de que essa mesma mídia é a grande advogada do individualismo. É a primeira a desestimular a organização da população. Também não vacila na hora de chamar partidos e organizações populares de “atrasados”, “radicais”, “extremistas”. Quer mesmo é que a fiscalização se limite ao voto individual, escondido na cabine de votação, uma vez a cada 2 ou 3 anos. Manifestações em frente aos parlamentos e palácios, nem pensar. Aí, é baderna. Partidos de esquerda que organizam o povo? Cláusula de barreira neles. Enquanto isso, o grande partido dos monopólios das imagens e do som continua fazendo e desfazendo, sem eleições e mandato para isso. Sem falar nos 30% de parlamentares que representam seus interesses no Congresso Nacional.

Ora, toda essa estória de “fique de olho em seu deputado” não passa de um jeito de colocar a culpa no povo e deixar em paz o próprio sistema. Este sim, cria os quase sempre esquecidos corruptos públicos e os nunca lembrados corruptores privados. E quando surgirem novos escândalos, as palavras de Pelé serão novamente lembradas, ainda que não ditas. Por outro lado, toda essa conversa moralista serve para esconder que parlamentares e governantes não traem a vontade popular apenas roubando. Na verdade, a maior parte nem é corrupta. Somente propõe e aceita leis que pioram a vida da grande maioria da população.

Adaptando uma frase irônica que Brecht disse uma vez: Não seria mais fácil o governo e a mídia derrubarem o povo e elegerem um outro?

CONCLUSÃO:

Cabe a nós, que temos consciência desses comportamentos, tentarmos acordar nosso povo para a realidade e, dessa forma, tentarmos dar um futuro melhor para nossos herdeiros.

FONTE

About Author

Criador do Site Verdade Mundial, fotógrafo por amor e profissão. Um inquieto da sociedade! Acredito que podemos mudar o pensamento das massas com a informação. Temos as ferramentas e a vontade de ver um Mundo melhor e livre. Estamos nessa luta há dez anos e em frente!