Por Glerian Bruno Gomes

Vivemos numa era repleta de mudanças, invadida pelo avanço da Ciência e uma imensidão de novas realidades onde tudo se torna mais acessível e mais fácil a cada dia, a informação está na palma de nossas mãos, a distância já não é mais um grande problema, más há alguma coisa errada, algo está faltando nos dias de hoje, talvez algo chamado de Felicidade.

A vida está cada vez mais corrida, a rotina esta perfurando o bem-estar e imprimindo no dia a dia algumas marcas, que por muitos, esta sendo vista como uma receita de bolo da vida. As pessoas estão sendo cada dia mais infiltradas por novas teorias e novos métodos de vida no que chamamos de “eu”, ou seja, na sua mente, na sua forma de agir, falar e pensar. As gerações estão adaptando-se a novos costumes, que automaticamente são impostos sobre suas vidas, muitas vezes sem ao menos passarem por uma avaliação, conscientização ou determinação ética.

Mas entre todas essas atribulações e mudanças no comportamento humano, nota-se algo muito peculiar, uma Pseudo-Felicidade dependente, vemos pessoas sempre sorridentes nas fotos das redes sociais, com uma imensidão de amigos, relacionamentos perfeitos com lindas declarações, sempre em lugares lindos, esboçando felicidade e alegria, uma explosão de Selfies acompanhados por frases filosóficas de inspirados e renomados escritores, denotando uma vida, ou aparentemente uma vida perfeita, mas será que tudo isso será verdadeiro, natural, conseqüência de uma vida regrada de bons atos, ou somente um Outdoor de um sonho distante?

Nunca se vendeu tantos medicamentos chamados de Psicotrópicos, são os famosos antidepressivos, eles alteram as concentrações de neurotransmissores como a Serotonina e a Dopamina no cérebro, dando assim um efeito estimulante a quem os toma, são utilizados em casos avançados de doenças relacionadas ao Psíquico, e que devem ou “deveriam” ser indicado somente por Médicos, pois são drogas de controle especial. Porem vemos o contrario, estamos frente a uma onda de um público, do qual grande maioria são jovens que fazem de tudo para ter acesso a essas “pílulas da felicidade”, não se espanta ver numa roda de amigos a presença desse assunto, e não raro é a indicação desses medicamentos entre essas pessoas, negando seus riscos e complicações que podem trazer esses compostos.

O POR QUE DISSO?

Talvez as pessoas buscam essa opção para ocupar um espaço vazio, que a cada dia se torna maior, a perca dos valores tão prezados em gerações anteriores, a diminuição do altruísmo, a infidelidade e diminuição na duração dos relacionamentos, o aumento da violência, a perca da fé, a falta de confiança, a “normalização” do descaso humano que vem ocorrendo na atualidade podem ser algumas das bases para tais mudanças. Pessoas se sentam de frente para outras sem trocarem uma palavra sequer, pois estão muito ocupadas com a interação em seus smartphones, ocorre um acidente grave onde se tem vítimas que necessitam de socorro, porém é mais importante filmar a situação e compartilhar para que outras pessoas vejam do que realizar algo que deveria ser por instinto, fica a seguinte pergunta: será que estamos a caminho da Felicidade ou já perdemos essa estação?

EFEITOS

A grande maioria dos usuários utilizam esses medicamentos por conta própria, ou seja, sem passar por uma avaliação médica, sempre buscando uma auto-estima e um sentimento de prazer e felicidade intermitentes. O grande problema é que essa classe de medicamentos causa dependência, e isso acontece gradativamente, assim como em outras drogas o usuário não se da conta disso até que ocorram consequências graves como nervosismo, insônia, anorexia, perda de apetite, mudanças na freqüência cardíaca, alteração na concentração e no comportamento, problemas cardiovasculares, perca de peso entre outras são efeitos comuns do uso indevido desses medicamentos.

Alem dos efeitos físicos notáveis, os usuários vão se deparando com outro risco, a perca da identidade, não digo sobre o fator “quem sou eu”, mas o que me move? Porque estou aqui? Qual o objetivo da minha vida? Qual o meu sentido? O que quero estar fazendo daqui a 10 anos? São perguntas assim que com altíssima freqüência não podem ser respondidas e tampouco mensuradas, causando um vazio ainda maior.

Reflexão  

É necessário voltar os holofotes para perguntas como essas, revisar o que somos, o que fazemos e como o fazemos, sempre partindo da idéia que a verdadeira felicidade se encontra dentro de cada um de nós, jamais poderá provir de fora para dentro, pois isso não seria felicidade e sim comodidade, a felicidade como um todo não necessita de complementação externa, se encontra verdadeiramente no equilíbrio interno, no se sentir bem, mas de uma forma natural, espontânea e verdadeira, isso pode parecer utopia, mas se voltarmos algumas décadas veremos gerações felizes, pessoas completas, sem necessidade de medicamentos, vamos nos deparar com valores básicos como tratar bem e respeitar o próximo, encontraremos pessoas satisfeitas com pouco, não digo pessoas com pouco  valor material ou com pouco dinheiro, mas pessoas que necessitavam de pouco para serem felizes, resumindo, vamos encontrar pessoas sem os problemas que estamos carregando atualmente, seria de grande ajuda uma reflexão profunda sobre esse aspecto, porem uma reflexão interna e muito pessoal. Afinal, rico é aquele que tem muito, ou que necessita de pouco para viver?

About Author

Médico Veterinário; Professor; Acadêmico de Medicina. Realiza pesquisas nas áreas da Ciência, Espiritualidade, Ufologia e cotidiano. Tem como objetivo o desenvolvimento de novas teorias e a disseminação do conhecimento para interesse comum.