O drama não noticiado de Mariana, em Minas Gerais

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Jornal GGNAs duas barragens que se romperam no dia 5, última quinta-feira, são de responsabilidade da empresa Samarco, coligada da Vale. Até agora, os números oficiais de mortos beira a casa de 30. As causas do rompimentos das duas barragens ainda não foram divulgadas, ou esclarecidas, mas muita coisa não está indo bem no local.
Thiago Nepomuceno é morador da região de Mariana, onde romperam as barragens da Samarco, e enviou áudios para que pudessem ser conhecidas, não as razões do desastre, mas a situação da população da área. São relatos fortes, que evidenciam um descaso grande das empresas envolvidas e um apuro maior pela enormidade do problema.
A primeira coisa que Thiago destaca é que o acidente, no noticiário das TVs Globo e Bandeirantes, não parecia ter uma proporção tão grande. Parecia um caso sério, mas não tão caótico. Quando voltou à região, que estava ausente resolvendo questões pessoais, se deparou com coisa muito diferente. O acidente representava um impacto ambiental e social muito grande, com muito mais mortes do que TVs falam, uma cidade em choque.
Se é certo que as doações estão mais do que suficientes para atender aos desabrigados, é certo também que a situação é muito triste com relação aos desaparecidos. “Só o pessoal do resgate pode entrar na região, a Samarco não deixa ninguém entrar, uma pessoa viu vários corpos boiando e não está tendo resgate por terra, somente por ar”.
Thiago, que já trabalhou para as mineradoras da região, explica que a lama é muito densa. “Estamos falando de rejeitos, não é água, é aquilo que sobra depois da lavagem do minério”, e por ser muito densa, é capaz que muitos dos corpos não boiem, “vão ficar perdidos”, diz ele. “Rejeito de minério é uma lama impossível de nada, não se nada num tanque de lama”, explica ele, “e nem barco consegue navegar por aquela lama, pois o motor do barco não dá conta da matéria espessa”.
Segundo ele, a prefeitura está dando um grande apoio aos atingidos, mas o apoio social, conseguindo lugar para ficar e distribuindo alimentos e colchões.  E está agindo dentro das possibilidades. Já o resgate está por conta da Samarco, mesmo porque é responsabilidade dela.
Por relatos na região, Thiago diz que um outro distrito afastado estava ilhado até ontem e ele não tinha ainda notícias do resgate ter sido feito.
Um post no perfil de um usuário do facebook chamou a atenção, segue abaixo na íntegra:
O grupo Vale “doou” (doação não existe, existe investimento) cerca de R$ 53 milhões para a campanha de 2014, sendo PMDB (R$ 20,6 milhões) e PT (R$ 14,5 milhões). Boa parte dos R$ 27,9 milhões restantes foram para o PSDB. A Vale é uma das 14 empresas que mais investiram em financiamento de campanha nas últimas eleições. A empresa também investe bilhões em propaganda nas Organizações Globo todos os anos. Esses números ajudam a entender a dinâmica tanto da cobertura como das investigações/movimentação política.

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