O Medo como instrumento de manipulação

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O medo, ao longo da história, pode ser analisado nos mais diversos campos, sendo administrado para controlar e manter a ordem.

Por ser uma emoção tão forte o medo vem sendo utilizado ao longo da história humana como uma das mais eficientes formas de manipulação. Quando tememos muito por algo e não temos coragem de enfrentar, acabamos fazendo qualquer coisa para nos livrar dessa sensação incômoda.

No entanto, no campo religioso ele é mais visível e pode ser muito contributivo para o estudo da manipulação em massa.

Analisar a manipulação através do medo não tem por principio desrespeitar a escolha do outro, e sim lançar um olhar crítico e isento.

Medo, culpa e castigo seria uma tríade histórica nos processos de evangelização. Por trás da manutenção e crescimento dos movimentos religiosos, pode-se claramente observar a estratégia do “medo” como instrumento de manipulação.

O ser humano tem pavor do desconhecido.

A partir dessa premissa o medo foi sofisticado, sendo criado o misticismo – misticum provém da mesma raiz latina de misterium.

O sistema de criar um mundo que não pode ser visto ou controlado por simples mortais,  dá um poder infinito àqueles que dizem que conseguem manipula-lo.

Devido à força que o misticismo possui, ele acabou sendo institucionalizado em forma de religiões. Hoje, elas estão aí para provar o poder que o desconhecido pode exercer sobre nós.

A religião atua no medo mais profundo do ser humano, que é o medo da morte.

Essa manipulação das massas é o mais forte instrumento de dominação dos povos. Ela anestesia as pessoas, mediante a alienação, ao invadir a mente de cada uma delas, com ideais de salvação.

“O horror visível tem menos poder sobre a alma do que o horror imaginado.”  – William Shakespeare

Deus não é para ser amado, é para ser temido. Não é a toa que o cristianismo católico utiliza-se da imagem da crucificação de cristo como símbolo. Nada mais assustador que visualizar sistematicamente o flagelo do Cristo, exposto em suas entranhas, nos lembrando de “nossa culpa”.

Afinal, ele morreu para nos salvar!
Medo, Culpa, Castigo…

Eis o mistério da fé!

Para os espiritas, existe a tão temida região do Umbral. Segundo os espiritas, o Umbral nada mais é do que o reflexo dos pensamentos, desejos e vontades de inúmeras pessoas semelhantes, em seus sentimentos negativos. Estes sentimentos intoxicam a alma e dificultam ou impedem que estas pessoas sigam para as regiões superiores.

Portanto, observem bem, pensamentos, desejos, e sentimentos, podem levá-lo direto para Umbral, onde você experimentará dores insuportáveis em um ambiente depressivo, angustiante, de vegetação feia, sujo, escuro, de clima e ar pesado e sufocante. Uma região terrível e horripilante.É exatamente a partir dessa imagem, que você cede a toda e qualquer crença espírita.

Mais uma vez, a manipulação pelo medo.

“O medo dos poderes invisíveis, inventados ou imaginados a partir de relatos, chama-se religião.” -Thomas Hobbes

Para os budistas, o medo vem travestido de sofrimento. Buda ensina que o sofrimento não surge ‘por acaso’, nem é um castigo imposto por um ‘ser superior’ em decorrência de nossos ‘pecados’. Sua origem não está em coisas externas como a sociedade, a política e a economia; estas são causas secundárias, reflexos externos de nossas delusões internas.

Para Buda, o sofrimento é causado pelo apego ao desejo e ao intenso ‘querer’ do ser humano, a sede de prazeres físicos, uma ânsia que nunca pode ser plenamente saciada e que, portanto, sempre irá provocar um sentimento de desprazer.

Desta forma, fica claro que para os ensinamentos budistas, devemos seguir certas regras (Verdades) se quisermos viver felizes. O que não deixa de ser uma forma de manipulação, baseada no medo do sofrimento.

O super dimensionamento do medo leva a estagnação, furta a possibilidade de experiências com outras dimensões da vida, oblitera a liberdade de consciência, coage e inibe o desenvolvimento da personalidade, dos relacionamentos, inclusive reprime os demais sentimentos.

“Se as pessoas são boas porque temem uma punição ou porque esperam uma recompensa, então somos todos, de fato, uma espécie lamentável” – Albert Einstein

O pior dos medos a nós incutidos, é o medo do pecado (ou do sofrimento gerado pelo pecado). O pecado é visto como um ato contrário à razão, à verdade, à consciência reta. Fere a natureza do homem e ofende a solidariedade humana. Pode-se dividi-los em pecados por pensamento, palavra, ação ou omissão, e segundo o catecismo, a raiz do pecado está no coração do homem, em sua livre vontade.Entenda-se “pecado” como o profundo medo de não seguir o que está pré-estabelecido na religião. O mesmo serve para o “sofrimento” budista, ou para o Umbral espirita, por exemplo.

A premissa é sempre a mesma, se você não seguir os pressupostos de uma determinada religião, vai padecer.

Essa é sem dúvida, uma forma eficaz de manipulação em massa. Milhares de pessoas abrem mão de sua liberdade, de seu livre pensar, de seu discernimento, para seguir dogmas que lhes são impostos.

“Você não necessita de religião institucional para estabelecer espiritualidade. Há muitas pessoas fora desse sistema que estabeleceram densa espiritualidade.” – Leandro Karnal

Os medos reais sendo potencializados e fortalecidos pelos poderes espirituais em ralação aos quais as religiões afirmam ter domínio em nome de Deus.

Tudo passa pelo crivo dos sentimentos, especialmente do medo, da culpa e do castigo, assim a manutenção ocorre, em nome da ignorância, falta de discernimento e apatia, quanto aos males provocados pela falta de liberdade.

O medo de padecer massifica, tolhe e limita nossas escolhas. Nos tira a verdadeira essência da alma, sem liberdade para desejar, ter pensamentos próprios, ser o dono de nossa vontade ou simplesmente de sentir.

“Onde o medo está presente, a sabedoria não consegue estar.” –  Lucius C. Lactantius

A Absolutização da ignorância faz com que milhares se submetam ao carisma reificado que rouba a palavra da pessoa humana, relegando-a a uma condição de não perceber e resolver seus próprios problemas sem passes de magia.

O medo, como instrumento de manipulação, é uma força coletiva exercida sobre um indivíduo, que faz com que este aja e viva de acordo com as normas e regras, sem nada questionar.

” Pessoas assustadas, são pessoas dóceis.” – Leandro Karnal

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Trabalha na área de Controle de Qualidade em uma empresa Suíça. A espiritualidade fez com que Marluce despertasse espiritualmente. Sem um certo nível de consciência espiritual é impossível perceber a magia da vida.