Superbactérias, estamos no caminho da extinção?

0

Que muitas classes de bactérias causam diversas doenças em nós humanos e animais já sabemos desde o descobrimento dessas formas de vida, porem agora estamos diante de um problema ainda maior, a resistência das bactérias aos antibióticos, aonde vamos chegar?

As bactérias são formas minúsculas de vida, não são visíveis a olho nu devido ao seu microscópico tamanho, e ao contrario do que muitos pensam elas são extremamente inteligentes, e inclusive são capazes de se adaptar diante das alterações do meio ambiente onde vivem muito mais rápido do que nós humanos. Elas são seres complexos tanto em sua morfologia quanto em seus sistemas de alimentação, respiração e defesa, isso mesmo, defesa, é o que vem preocupando a comunidade cientifica há anos, e recentemente foi acesa a luz vermelha desse risco.

Nos Estados Unidos, pesquisadores acabam de descobrir uma superbactéria resistente ao antibiótico mais potente que conhecemos, a colistina, a bactéria que pertence a família Escherichia coli (uma das mais perigosas para os humanos e animais), velha conhecida da ciência pela sua facilidade de evolução e potente causadora de doenças em humanos e animais mostrou-se resistente a esse antibiótico, e o que isso significa? Significa que nenhum outro tipo de antibiótico, nem mesmo a junção deles são capazes de mata-la, e o mais preocupante: ela causa graves doenças podendo gerar inclusive a morte.

Todas as bactérias contem em sua capa protetora (uma espécie de pele das bactérias) moléculas capazes de detectar e até mesmo de inativar as substancias que as fazem mal como, por exemplo, os antibióticos, e o mais curioso, muitas delas são capazes de enganar o sistema imunológico do nosso organismo abrindo espaço para se infiltrarem e causarem doenças.

A má notícia é que não temos atualmente nenhum antibiótico mais potente que a colistina, e o mais assustador, não temos nenhum outro antibiótico sequer sendo testado ou estudado, mas porque tanto alarde sendo que foi somente essa bactéria que apresentou tamanha resistência? Justamente porque elas possuem uma carta na manga, as bactérias tem a espantosa capacidade de se comunicar entre elas, inclusive entre espécies diferentes, e é através dessa comunicação que elas transferem a resistência aos antibióticos uma para a outra.

Então qual será nosso destino? A ciência já tem a resposta, se em no máximo 20 anos não descobrirmos nenhum antibiótico ainda mais potente, simplesmente iremos começar a ser exterminados, isso mesmo, não se trata de nenhum tipo de roteiro de filme futurista ou de ficção científica, uma vez que as bactérias mais agressivas ao homem e animais tiverem essa resistência, as doenças vão se espalhar de forma descontrolada, e milhões de pessoas serão levadas a morte por todo o planeta.

Existe alguma esperança? Aparentemente sim, a projeção da comunidade cientifica é de que nos próximos 10 anos surjam pelo menos o resquício de alguma nova substancia capaz de superar a colistina, más também existem algumas pesquisas tentando criar outras formas de controlar essas superbactérias utilizando alguns tipos específicos de bactérias e vírus, porém tudo isso ainda esta engatinhando e sequer há uma previsão de conclusão.

E existem culpados para isso? Sim, e a resposta é assustadora, somos nós mesmos, a utilização descontrolada de antibióticos por anos por toda a população causou essa resistência, que segundo estudos só vem aumentando, na prática médica é comum ver casos onde é necessária a junção de varias classes de antibióticos para controlar uma infecção grave onde há alguns anos atrás somente um tipo de antibiótico seria capaz de controlar com segurança. Agora só nos falta torcer para que a ciência descubra uma forma de controlar essas superbactérias, e de preferencia que seja logo.

About Author

Médico Veterinário; Professor; Acadêmico de Medicina. Realiza pesquisas nas áreas da Ciência, Espiritualidade, Ufologia e cotidiano. Tem como objetivo o desenvolvimento de novas teorias e a disseminação do conhecimento para interesse comum.