Essa é a suposta carta psicografada do Cazuza pelo Chico Xavier. é uma longa carta e confesso que o texto é totalmente Cazuza. As expressões usadas só sairiam da boa do nosso poeta mesmo. Tirem suas conclusões.

Um Pouco de Mim nas Sedas do Além

“Pensava que após ressacas eu era sempre perdoado por todos os anjos do amor. Tinha sempre uma noção de ser feliz, aqui esta felicidade é muito mais explorável. Eu já sentia algum ar novo e certas paisagens dela, nada volta ao seu estado natural como eu pensava apenas não sou muito como disseram num certo livro sobre minha insignificante pessoa idealizada. Inventarão o meu show. Não sei como te oferecer certezas disso, nós ainda vemos tudo daqui.

Estou numa sociedade socialista democrática perfeita. Eu nunca quis saber destas coisas de eternidade, porque para mim era coisa de papa. Então arduamente e com certa teimosia eu procurei algum outro mais legal, foi difícil, pedi que encerrasse o livro anterior e não divulgasse nada ainda por ordens superiores, e achei um que já foi muito pirado na vida desde a infância, uma piração mais controlada, claro, mas que tivesse mais a ver com minhas intenções de volúpia de escola em palcos de doutor. Todos já deviam saber que eu não pertenceria a federações, editoras ou onde existir lucros financeiros em meu nome, excluam-me disto; onde tiver isso com certeza não será eu.

Não quero ser o mesmo babaca e nunca irei mais fazer parte disso, baby! Essa é minha vida atual, sempre foi e realmente não podemos enganar o que vem da natureza. Aqui não tem jogo político. Não adianta inventar que sempre fui o garotinho exemplar da mamãe depois de aloprar no pó durante minha vida quase toda. Mas, graças que eu achei um que parecia me aceitar, foi realmente difícil achar algum que tivesse a ver, mas quer mesmo saber? Dane-se sobre isto! Eu os apoio e ele entende é muito bem da minha música, entende muito bem sobre o mesmo amor que conhecemos nos tempos dos palcos. Eu atacava quem estava manso e agora entendo que pretendo consertar algumas coisas dentro de mim, deixar de ser tão bêbado em certos momentos, estarrado, moleque, preciso controlar mais os meus palavrões.

Aqui temos escolha de sermos mais sérios, e eu escolhi ser um pouco mais sério mesmo, responsável. Tudo começou alguns segundos antes da minha morte, apesar de debilitado, eu me sentia muito vivo apesar de me encontrar sem forças. Eu me sentia apagando como luzes do palco quando não se tinham mais plateias, acabou, amanheceu! Vamos embora! Eu ainda insistindo com os meus cigarros nas mãos olhando cores cinzas para onde quer que os meus olhos olhassem. De repente, o meu corpo franzino de alguma forma sabia que naquele dia estava mesmo para morrer e que de alguma forma sabemos quando acontecerá, é bastante assustador. Eu só aguardava tudo escurecer para depois poder esquecer de mim. Eu estava ansioso com o corpo dolorido. Eu já havia atravessado e nem sabia. Eu já havia lido que não doeria e isso me ajudou bastante a suportar. De fato eu já procurava pelo momento mais esperado da vida, mas será que já havia acontecido isso por muito tempo e eu não sabia? Impressionante, não senti passagens, mas minha visão não foi interrompida em nenhum segundo. Todo o ritmo tinha o seu fim, doses mais fortes pareciam que não. Era assim que eu me sentia. Percebi que o universo era bem maior do que tudo que eu já havia conhecido com várias atmosferas umas sobre outras. Não sei te explicar, de alguma forma sabemos o momento exato quando deixamos o físico, não sei como foi feita essa separação não flagrei esse momento como eu flagrava doidão, mas bem atento sobre curvas de quem adormecia comigo num motel barato de Copacabana; realmente não senti isso acontecer. E o fato de saber que minha visão não cessou tornou-se muito maior do que saber de fato sobre polêmicas do fim, mas depois que atravessei percebi que esta questão era a mais pueril de todas, é pífia e é babaca, ao mesmo tempo para mim foi do caral… Saber que eu ainda me mexia. Mas alguma dúvida ainda pairava toda minha mente. Realmente havia partido? Era estranho ou um sonho? Pois minha moleza era muito forte e tonturas me levavam ao delírio constante. Eu tinha fortes disenterias, dores de barriga, forte abstinência. É inevitável viver o nosso drama, conhecer-nos detalhe a detalhe. Foi mais do que dizer coisas insanas no ouvido de um padre no tempo de escola. No mundo realmente eu me envolvi com tudo que fizesse parte da música, rock e poesia (mas eu era bom de letras), mas sabia que não havia nascido para o drama.


Fizeram-me até o garotinho do samba. Aproveitei tudo para aloprar, “cheiração” e muita putar… Com os mais luxuosos segredos. Que bom para mim amor. Ledo engano. E daí se eu estava com HIV? Não vou dizer que não me arrependi, pois me arrependi mesmo. Foi muito triste essa fase da minha vida. Ninguém gosta. Foi no que mais sofri , foi quando soube da notícia, quando eu pensei na conseqüência, quando eu pensei em todo o meu passado e na minha mais inocente felicidade de embriaguez, quando pensei nos meus sorrisos ingênuos. Se eu pudesse fazer diferente eu teria feito e não teria pego essa porra, teria me cuidado muito mais e teria morrido pelo menos chique como uma dama velha ao som da vida em bandos e com uma bela garrafa de vodka ao meu lado. Esses eram os pensamentos juntos aos desgostos que ao mesmo tempo eu sentia quando ainda deitado antes de partir febrilmente. Mas isso não feriu completamente o meu ótimo senso de humor. Não fui recebido por ninguém. Seria extremamente infantil que religiões fossem resolver transcendentes questões deste infinito.

Agora que me fiz curioso sendo assim, quantas existências será que eu tive? Quantos atos de barbaridades será que cometi? Quantos séculos de conhecimento será que eu tenho?De serviços? De triunfos? Quantos sopros renovadores será que eu suportei? No fundo é muito difícil entender dentro do nosso íntimo sabermos que continuamos. Você pode até estudar toda teoria, ser “expert” no assunto, nada é mais forte do que você viver essa situação. Senti falta foi da minha multidão, das baratas dos palcos apertados, da minha sintonia com o público, do calor humano, dos meus pais, da loura que me deu em segredo um par de rosas no almoço, dos amigos queridos da infância do amor e ódio. Eu queria mesmo era poder ficar pasmo e maravilhado com tudo que estava acontecendo comigo. Foi assim que eu percebi que eu não tinha nada de astro, tudo fazia parte da alegria somente para vaidades. E essa realidade onde estou é muito diferente.


Permaneço por aqui como um mero espectador na última cadeira do teatro divino. Estou bem, estou bem, estudando bastante (finalmente peguei gosto por algum estudo) e indo para recomendadas palestras continuamente, hoje é o que importa. Nestas palestras sinto-me 2. tomando o mesmo soro. Existe muito mais que eu poderia dizer, mas através de outros já foi e será melhor dito, não é minha tarefa. Mas garanto não foi nada fácil o meu inferno astral após o desencarne. Hoje só estou aqui para somar e ajudar na sua fé. E eu pensei que ser novo era viver sempre numa fria. Nessa idade só queremos uma transa boa. O olhar eu traduzia ser o passaporte para o sexo casual. O sorriso a confirmação indébita dentro da dose do meu despretensioso Whisky de Leblon. Eu simplesmente fazia de tudo, até fingia ser príncipe, na verdade eu estava mais para ser, se continuasse por aí, mais algum incansável bobo da corte. ‘Dias sim, dias não.’ Ou ‘Segredos de liquidificador.’ Ou ‘Partidos’. Ou ‘Burguesia’. Não importa mais. Desculpe pelas minhas interpretações doidas e pelos meus estresses nervosos.

Desculpe de paixão a todos. Eu não venceria minha provação por isso de repente fui retirado abruptamente da vida, mas também amenizei muito mais dores da punição e sou muito grato por tudo que eu fiz. Que Deus os proteja hoje e sempre minha querida até então última humanidade, pais, todos os meus fãs e amigos. Só queria que soubessem que agora encontro-me mais completo, feliz, aprendendo novas boemias, o de sempre, reaprendendo, cantando novas músicas, nada de drogas, nada de egos. Beijos!”

Preferiu não se identificar, 1996.
Psicografia | FONTE

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