7 diferenças entre trabalhar na Suíça e no Brasil

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Cansada da vida de executiva, e da loucura de São Paulo, Teca Hungria pediu demissão em 2006 e foi para a Suíça, inicialmente para uma pós graduação de um ano. Se apaixonou pela qualidade de vida do País e enraizou! Ela nos conta um pouco das diferenças entre o Brasil e a cobiçada Suíça…

Ninguém interrompe ninguém:

Aquelas interrupções tão frequentes no escritório de São Paulo simplesmente não acontecem por aqui. Antes de invadirem sua sala, seja para te convidar para um cafezinho ou para um pedido de última hora, as pessoas telefonam e perguntam se podem passar por lá. O sistema de comunicação interna, tipo messager, também é muito usado para isso.

Telefone é filtro:

As pessoas, mesmo quando em suas salas, nem sempre atendem ao telefone. É uma maneira sutil de fazer com que assuntos sejam adiantados através de mensagens na caixa de voz. E quem liga jamais deixa um recado do tipo “Liga pra mim”.  As mensagens gravadas são geralmente auto-explicativas e longas, o que permite uma preparação antes de ligar de volta. Ganha-se tempo, uma vez que o retorno da ligação já acontece com uma resposta ou solução para o problema adiantado. Eficiênte, não?

Férias são direitos, não concessão:

Cada vez que saia de férias no Brasil praticamente tinha que me desculpar. Sentia que existia um culto à culpa quando saia de férias. Aqui não. Férias é um direito e muito bem respeitado.

Lembro que uma vez foi marcada uma visita do CEO à um território de vendas cuja gerente havia agendado férias exatamente para aquele período. O chefe, americano, tentou persuadir a francesa que elegantemente disse que já havia assumido um compromisso com sua família. A viagem do CEO foi alterada, as férias da francesa não.

Crianças e cachorros são bem vindos:

Como quase ninguém tem empregados trabalhando em casa, as pessoas simplesmente não têm alternativas nos casos de doença, férias ou imprevistos com filhos ou animais. Já esbarrei com muita criança no escritório simplesmente porque algo aconteceu e não dava para trabalhar de casa naquele dia. Tudo bem. Ninguém reclama e muito menos olha feio.

Trabalho tempo parcial é realidade:

Minha grande surpresa foi quando descobri que alguns funcionários trabalham um percentual inferior a 100% do tempo. Trabalhar 80% significa ter um dia livre toda a semana. Nada mal. É realmente tentador ter feriado o ano inteiro.

Uma vez ouvi de um suíço amigo uma explicação que mudou minha visão neste caso: geralmente gastamos 80% do nosso salário com obrigações e custos para viver e os 20% que sobram são para guardar, nos divertimos ou comprar supérfluos. Acontece que, quando se trabalha 80% se ganha 20% a menos, se tem 20% a mais de tempo para gastar. É perigoso. Exige uma autodisciplina bárbara. Como o suíço é super disciplinado, aqui o tempo parcial é uma realidade.

Ausência do escritório é normal:

Existe uma aceitação imensa que permite que as pessoas cheguem e saiam do escritório quando precisarem. Uma visita de eletricista, uma entrega de móveis, um hóspede inesperado, o filho doente, você doente, enfim, motivos bastante corriqueiros são justificativas aceitáveis para que um funcionário se distancie do escritório aqui na Suíça. As razões são óbvias, não existem funcionários trabalhando em casa período integral e serviços e comércios funcionam no mesmo horário dos escritórios. Todo mundo entende e respeita. Ninguém te olha torto.

Férias começam no primeiro dia de trabalho:

No Brasil trabalhamos um ano para ter o direito de gozar dias de férias. Aqui não. As férias são devidas e proporcionais aos dias trabalhados o que significa que após três meses de trabalho já se tem direito a um quarto das férias contratuais. E as férias aqui são contadas em dias úteis, o que dá o direito do funcionário usa-las como e quando quiser. Adoro. E acho bem prático!

De maneira geral me senti mais produtiva trabalhando na Suíça porque tinha muito menos interrupções e menos incêndios para apagar. A gente planeja o que fazer e termina o dia fazendo tudo. Incrível. É mais ou menos como quando a gente vai para o escritório aos sábados e produz em duas horas o equivalente a seis horas de trabalho no escritório durante a semana.

Mas ao mesmo tempo senti uma falta grande daquele barulho de gente falando alto, circulando, dando risada. Ninguém te convida para nada. Achei tudo muito quieto. Respeitador demais. Algumas vezes me senti um pouco isolada. Normal. Faz parte do pacote.

Fonte: www.minhasuica.com

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Criador do Site Verdade Mundial, fotógrafo por amor e profissão. Um inquieto da sociedade! Acredito que podemos mudar o pensamento das massas com a informação. Temos as ferramentas e a vontade de ver um Mundo melhor e livre. Estamos nessa luta há dez anos e em frente!