Mantras – Os sons da iluminação

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A palavra mantra é composta pelas sílabas man (mente) e tra (entrega), em sânscrito, antigo idioma da Índia. Tem origem nos Vedas, livros sagrados indianos compilados pela primeira vez em 3000 a.C. Os mantras e as orações nos permitem criar uma conexão com o divino em nós e com os seres e Mestres Espirituais de todas as religiões.

De acordo com a tradição dos Vedas (os livros sagrados do Hinduísmo), os antigos sábios eram capazes de ouvir as vibrações sutis produzidas por tudo na natureza – os sons do vento, do trovão, das borboletas, das corredeiras dos rios e de todas as outras criações. Eles reconheciam que esses sons eram a manifestação do espírito na matéria.

As sílabas, palavras ou versos, na cultura indiana, são pronunciados de acordo com instruções ritualísticas e musicais – podemos cantá-los ou recitá-los repetidamente, tudo para que se atinja o aprofundamento ou o estabelecimento de um estado contemplativo. O mantra é amplamente utilizado nos rituais hinduístas e budistas, e nas práticas de yoga.

Como atuam os mantras?

O som exerce um poderoso efeito sobre nosso corpo e nossa mente. E pode acalmar-nos e dar-nos prazer ou ter influência desarmoniosa, gerando uma sensação sutil de irritação. O mantra é ainda mais poderoso do que um som comum: é como uma porta que se abre para a profundidade da experiencia. Visto que os mantras não têm sentido conceitual, não evocam respostas predeterminadas. Quando entoamos um mantra, ficamos livres para transcender os reflexos habituais. O som do mantra pode tranquilizar a mente e os sentidos, relaxar o corpo e ligar-nos com uma energia natural e curativa.

(Tarthang Tulku, A mente oculta da liberdade)

A vibração emitida ao entoar esses mantras limpa e purifica o corpo e a alma. São palavras poderosas que foram transmitidas através dos séculos para ajudar os homens a evoluir com mais facilidade. Os mantras podem ser pronunciados em voz alta ou até mesmo em silêncio.

OM

Os sábios também identificaram como um som elemental que, quando silenciamos a nossa mente e todos os ruídos do ambiente, conseguimos perceber. Faça o teste: encontre um ambiente silencioso, sente-se confortavelmente e feche os olhos. Apesar do grande silêncio, você será capaz de perceber um “murmúrio” que paira no ar.

Esse murmúrio é o mantra “Om” (ou “aum”). Ele representa a consciência universal infinita. Por milhares de anos, as pessoas usaram esse mantra para expandir sua consciência do divino. Além do Om, conseguiram identificar todas as vibrações primordiais ou mantras que construíram o universo, e esses foram eventualmente registrados nos quatro Vedas, os textos que formam as bases da religião hinduísta.

Mantras: O SOM DA DIVINDADE

Os mantras em geral são muito curtos, um breve verso comportando algumas sílabas e com sentido bem claro. Mas eles também podem consistir numa extensa combinação de sílabas aparentemente desprovidas de sentido. Os “sons-semente”, formados de uma única sílaba e que terminam quase sempre por uma nasal, como o m ou n, constituem mantras ainda mais complexos e enigmáticos. Dentro desta categoria, o mantra mais conhecido é OM (AUM), palavra que diz-se contém a chave do universo. OM corresponde às três principais divindades – Brahma, Vishnu e Shiva. Acredita-se que existe um mantra para todos os estados e todas as doenças e melhor ainda, para todos os problemas, de qualquer natureza. Todos podem ser resolvidos com a entoação dos sons convenientes e apropriados, porque cada mantra é um som, e as vibrações sonoras constituem a própria base do universo. As doutrinas orientais atribuem enorme importância ao conhecimento e uso dos mantras.

O mantra não é mágica por que não deve ser usado para interferir no curso dos fenômenos naturais e nem se trata de fórmula milagrosa por que é uma regra, uma lei e não um fato isolado sem explicação.

Os mantras são tecnicamente estudados no Tantra Shastra (escritura védicas apropriadas para a era atual, Kali-yuga).

Os mantras são representações sonoras das Divindades, assim como as imagens são Suas representações formais.

O nosso mundo é constituído de nomes e formas (namarupa).

Repeti-los muitas vezes é a chave para interromper o processo natural de pensamento intermitente, que nos leva de uma idéia a outra sem controle. Quando paramos esse fluxo mental, o corpo relaxa, e a mente se aquieta e se abre a vibrações sutis, que permitem ampliar a percepção.

Acalmando as emoções

“Recitar os mantras com esse propósito nos leva a conhecer qual será o próximo pensamento”, diz Vagishananda. Segundo ele, esse é o primeiro passo para gerenciar as emoções, expressá-las de maneira saudável e eliminar a resistência mental em reconhecer o que não pode ser mudado, como os fatos do passado.

Algumas linhas hindus consideram os mantras sons primordiais que têm poder em si mesmos. Outras, como o budismo nishiren shoshu – que reverencia o Buda Nishiren, que viveu no Japão do século 7 –, recomendam que se inicie o contato com seus ensinamentos pela vocalização do mantra Miohô, ou Sutra do Lótus.

“Todo mundo tem Buda dentro de si. Ao pronunciar o mantra, elas serão expressas para o mundo”, explica Marcos Eduardo Correa, conhecido como monge Kyohaku, um curitibano praticante desse culto há 15 anos.

Recitamos e meditamos sobre o mantra, que é o som iluminado, a fala da divindade, a união do som com a vacuidade. […] Ele não possui uma realidade intrínseca, é simplesmente a manifestação do som puro, experienciado simultaneamente com sua vacuidade. Através do mantra, não nos apegamos mais à realidade da fala e do som encontrados no cotidiano, mas os experienciamos como sendo vazios. Então, a confusão do aspecto da fala de nosso ser é transformada na consciência iluminada.

(Kalu Rinpoche, The Dharma)

Refúgio de paz

Assim encontramos a quietude que sempre existe e está em nossa mente “por baixo” de toda a confusão e caos causado pelos pensamentos. As experiências de estados meditativos mais profundos fazem com que todos os pensamentos e preocupações sejam ignorados. Nessa tranquilidade, é possível sentir-se parte de um todo, sentir a unidade com a vida e uma paz profunda.

Tomaz Lima, Simplesmente Satsang, são alguns dos cantores brasileiros que compõe belíssimos mantras e kirtans! O Youtube está cheio de músicas maravilhosas para acalmar a sua mente e a sua alma! Confere lá!

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About Author

Reikiana, praticante e apaixonada por Yoga, a estudante de Design de Moda pela UCS, Manoela desenvolveu um grande interesse na conexão espiritual entre o passado, presente e o futuro da humanidade, seus caminhos e mudanças ao longo dos séculos. Suas pesquisas para o Verdade Mundial vem sendo amplamente visualizadas nas áreas da sociedade, história e religião.