Neste ano, Moore, 61, cujo “Fahrenheit 11 de Setembro” (2004) ainda é o documentário mais rentável da História, volta com um filme mais gentil, “Where to invade next” (Onde fazer a próxima invasão, em tradução livre), que estreia nesta quarta em Nova York e Los Angeles (ainda não há previsão para chegar ao Brasil). O longa já está na lista de pré-selecionados ao Oscar. Nele, Moore viaja a três continentes para “roubar” boas ideias de terras estrangeiras e levá-las aos EUA, como as merendas “gourmetizadas” da França e o sistema público de educação da Finlândia.

Esse filme vai irritar alguém?

Não sei. Talvez a Fox News faça uma reportagem sobre como eu gostaria que alunos se alimentassem com espetinhos de carneiro e queijo francês. Não, não creio que fiquem irritados comigo. Não é um filme político, mas humano. Mostro como crianças são tratadas na Finlândia e como os franceses não as envenenam na escola. Se eu incentivar alguns pais a pedir mudanças nesse sentido, então algo terá sido feito. O Globo

Review e crítica por Jon Schwarz, publicado originalmente no The Intercept e traduzido pela equipe do Democratize:

O novo documentário do cineasta Michael Moore aborda a forma como o governo dos Estados Unidos enxerga o mundo — buscando sempre o lucro. Segundo Jon Schwarz do The Intercept, trata-se do filme mais subversivo de Moore até hoje.

Não posso afirmar que isso é uma avaliação “neutra” sobre o novo filme de Michael Moore, chamado “Where to Invade Next”. Além do fato de que eu trabalhei para Moore por seis anos, incluindo em seu documentário anterior — Capitalism A Love Story -, eu literalmente devo a minha vida de qualidade por conta ao que ele oferece aos seus funcionários.

O que eu perdi na objetividade, eu ganhei no conhecimento da carreira de Moore. Eu mesmo conheço o seu lado mais “obscuro”, aqueles segredos bem guardados como o nome original do jornal alternativo dos anos 70, que ele criou em Flint, Michigan. Então eu posso dizer isso com certeza: Where to Invade Next é a coisa mais profundamente subversiva que ele já fez. É tão sorrateiro que você pode nem notar exatamente o que é subverter.

Em sua superfície, Where to Invade Next parece ser um diário de viagem alegre como Moore gosta de ilustrar: férias prolongadas, “invadindo” diversos países europeus mais a Tunísia para roubar suas melhores ideias e trazê-las de volta para casa. Por exemplo, as escolas públicas francesas têm chefs que atendem alunos em uma hora, almoços com vários pratos em porcelana, etc. Eu não ria tanto assistindo um filme faz muito tempo, até ver a reação de jovens franceses de 8 anos ao saber o que as crianças americanas almoçam nas escolas — e como elas fazem isso.

É tudo tão otimista em tal maneira que poderíamos considerar uma figura “feliz” de Moore em seu filme. Certamente é a única vez que eu vi um dos seus documentários e disse: “Uau, tudo é fantástico!”. Mas o que me fez sentir dessa maneira é a mensagem secreta escondida em Where to Invade Next — e se você conseguir decifra-la, você vai se sentir assim também.

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Quase no meio do filme, Moore visita uma prisão em uma ilha na Noruega, que abriga presos que cometeram crimes violentos, mas estão sendo recompensados por bom comportamento. Parece menos com “Oz” e mais com um resort, com presos em roupas formais fazendo cavalinhos em bicicletas, pesca e banho de sol.

Na cozinha da prisão, Moore fala com ‘Trond’, um assassino condenado com uma enorme tatuagem em seu rosto. Olhando pra ele, Moore diz: “Uh, não posso deixar de notar que por trás de você existe um monte de facas afiadas”. E, de fato, há uma dúzia delas, incluindo um martelo gigante.

Há também a existência de ZERO guardas. ‘Trond’ explica a quantidade de guardas que ficam na prisão durante os fins de semana: quatro. Isso para uma população carcerária de 115 pessoas. Além disso, diz ele, os guardas geralmente ficam em outro prédio, deixando os prisioneiros para supervisionar a si mesmos.

Para a maioria dos americanos, inclusive eu, isso parece completamente insano. Mas o carcereiro, sentado em um banco de parque com o desenho de pássaros no fundo, explica: “Eu não entendo por que você acha que isso é uma ideia estranha… A ideia principal é apenas para tirar a sua liberdade. Essa é a unica punição que está dando para essas pessoas. Estamos tentando ajudá-los a voltar para a sociedade”.

A filosofia da Noruega é criar um ambiente normal com tão poucos controles externos que, de tal modo, quando os prisioneiros saírem, eles saberão se controlar. Ele funciona tão bem na Noruega que o país conta com uma das menores taxas de homicídio do mundo, e sua taxa de reincidência é de cerca de 20%, três vezes menor do que a dos Estados Unidos.

A visita de Moore em Portugal é também sobre seu sistema prisional, ou melhor, a falta de um que seja comparável com o dos Estados Unidos, graças à sua descriminalização total de drogas em 2001. Dr. Nuno Capaz, o Ministro de Saúde português, classifica-se como um usuário de drogas: “Principalmente álcool, internet, um monte de café, um pouco de açúcar”. Quando Moore aponta que o abuso de drogas pode trazer um monte de tristeza ao casamento de alguém, Nuno responde: “Então? O mesmo acontece com o Facebook. Será que vamos proibir isso?”.

Até o final do documentário — depois de ver operários italianos com dois meses de férias pagas, escolas finlandesas sem lição de casa e melhores resultados nos testes do mundo, os eslovenos indo para a faculdade de graça, e as mulheres tomando o poder sem precedentes na Tunísia e Islândia — você pode perceber que o filme inteiro é sobre como outros países desmantelaram as prisões em que os americanos vivem: escolas e locais de trabalho que parecem prisões, fazendo com que o estudante fique literalmente “preso” ao seu devedor, tendo de pagar a faculdade até o meio de sua vida; ou as prisões relacionadas ao papel social protagonizado pelas mulheres; e até mesmo a prisão mental de recusar a enfrentar a nossa própria história.

Você também vai perceber claramente por que nós construímos estas prisões. É porque a ideologia central dos Estados Unidos não é o capitalismo, ou excepcionalismo americano, mas algo ainda mais profundo: as pessoas são más. As pessoas são tão ruins que elas precisam ser constantemente controladas e ameaçadas de punição.

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Criador do Site Verdade Mundial, fotógrafo por amor e profissão. Um inquieto da sociedade! Acredito que podemos mudar o pensamento das massas com a informação. Temos as ferramentas e a vontade de ver um Mundo melhor e livre. Estamos nessa luta há dez anos e em frente!