O papel do sofrimento da evolução da alma humana

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Todos nós sonhamos com uma vida sem tristezas. Fazemos tudo que está ao nosso alcance para conseguir essa dádiva. Afinal, queremos simplesmente ser felizes. Mas se este é o objetivo comum, então fica a pergunta: por que sofremos? Qual a lógica desse sentimento? Podemos superá-lo?

A verdade, é que de maneira muito distinta a que costumamos acreditar, o sofrimento é uma benção e não uma maldição. Em qualquer uma de suas quatro formas (Reativo, Inconformista, Consciente ou de Adaptação) é uma ferramenta cósmica criada para o despertar da nossa consciência.

O sofrimento em si mesmo, não existe. Nós é que lhe damos vida em reação ao nosso ingênuo inconformismo com a realidade. Permanecer sofrendo ou não, nada mais é do que uma escolha.

Nossa alma se desenvolve em uma Evolução Ascendente Espiral, processo gradativo de crescimento interno que se utiliza do sofrimento como base para atingir a iluminação. Cada aspecto de nossa vida que nos faz sofrer, está inserido em alguma das fases desta Evolução, que podem ser assim entendidas:

FASE 1 – Aceitação do Ambiente (Ausência de Sofrimento):

Nesta primeira fase, o indivíduo concorda com o ambiente que o envolve, pois IGNORA outra realidade. Sente enorme satisfação (não felicidade) em estar ali. Está plenamente adaptado. Por exemplo: pessoas competitivas que acreditam que tudo é válido para se sobressair. Jogam o jogo com prazer, mesmo que passando por cima dos outros em qualquer grau. Não têm remorso. “O mundo é dos mais espertos. A vida é assim mesmo e não há do quê se arrepender”. Não há dissonância entre o que pensa e o que faz, não há sofrimento. Tudo está em ordem, dentro da desordem.

O indivíduo age conforme o que entende ser certo (atropelando os outros em uma agressiva competitividade). Ele PERTENCE aquele ambiente hostil. Ali é o seu habitat, é onde vive, é o que conhece, mesmo que se machuque, que tenha contratempos, é onde quer estar. Ali, coloca em prática tudo o que aprendeu. Percebe que fica a cada dia melhor na competitividade. Deixou de ser um simples aprendiz e virou mestre (ou pretende virar). Empolga-se e excita-se com a situação. Pensa que poderia ficar nela por toda a eternidade. Não escuta conselhos nem está aberto para outras opiniões.

FASE 2- Percepção da Negatividade do Ambiente – Sofrimento Reativo (ainda deseja o ambiente, mas este o incomoda):

Assim como as águas do mar vão aos poucos modelando as rochas no litoral, o indivíduo vai sofrendo várias consequências do ambiente em que vive, pois certamente não se sairá “vencedor” em todas as batalhas e situações de seu cotidiano. Acaba naturalmente sofrendo na pele a mesma frequência negativa que emite, ou seja, no exemplo da competitividade dado, verá outras pessoas que lhe passam a perna, traem, machucam, ignoram, desprezam para se sobressair, causando-lhe o chamado “Sofrimento Reativo” (sente o “eco” de suas ações, sofrendo retaliações e agressões de outras pessoas que têm a exata mesma forma de agir e pensar).

O indivíduo vai acumulando estas experiências negativas, que começam gradativamente a “incomodá-lo”, retirando-lhe aos poucos a sensação de plena satisfação que até então tinha com o ambiente, o prazer sublime que sentia ao praticar a vingança, a emoção descontrolada que vivia por jogar aquele jogo competitivo, o orgulho exacerbado que ostentava ao conseguir prejudicar mais do que era prejudicado.

É quando as rochas começam a ceder às forças das águas. Após um número “x” de “pauladas” que toma (número que pode ser maior ou menor de acordo com a “teimosia” do indivíduo), estas contínuas perdas, desilusões e questionamentos sobre os verdadeiros motivos por detrás da ação (Sofrimento Reativo), vão fazendo um estrago tão grande em seu ser, que o indivíduo vai lentamente percebendo que aquele ambiente, diferente do que até então pensava, não é tão bom assim, tão perfeito, tão desejado. Ele se dá conta que a prática competitiva na verdade não é saudável, por trazer consigo uma miríade de tristezas e desencontros. Ele começa então, em grau cada vez maior, a não “concordar” mais com que as pessoas ajam daquele jeito. A pressão diária do Sofrimento Reativo sobre si, faz com que ele comece a DESEJAR que algo fosse diferente. Sem perceber, sua frequência vibratória está mudando (ficando dissonante aos poucos, da frequência do ambiente).

FASE 3 – Sofrimento Inconformista (Já não deseja mais o ambiente):

Nesta fase, a frequência do indivíduo já não tem mais a ver com a frequência do ambiente. A dissonância é clara. Entra em campo o “Sofrimento Inconformista”. Não se trata mais aqui do mero Sofrimento Reativo (Fase 2) de quem apenas se incomodava com as pauladas que sofria dos adversários diretos. Não é mais a dor do ego que perdeu uma batalha, mas que está ávido por recomeçar nova briga no dia seguinte. Agora, surge o inconformismo, a dor de quem sofre sem desejar estar sofrendo, sem querer estar ali. Daquele que já não concorda mais com as ações competitivas e começa a questionar as suas próprias: “Porque preciso bater? Porque preciso apanhar?”

Mas neste momento, sem enxergar uma porta de saída, tem a sensação de que a única alternativa que existe no universo é aceitar a situação, acatar aquilo que o “destino” lhe reservou. Chora para Deus questionando o porquê do sofrer. Desafia a Justiça Divina ao dizer que as coisas não poderiam ser como são. Percebe a injustiça rondando à sua frente, e coloca a culpa dela em um Ser Maior ou em outras pessoas. Não consegue ainda perceber as verdadeiras razões de sua tristeza. Ainda não se conscientizou que são as suas próprias atitudes (ou omissões) que o levam a este estado depressivo. Paulatinamente, não consegue mais se vangloriar pelo que faz, ainda que continue fazendo (de vez em quando ainda sente prazer nas vitórias competitivas, mas esta boa sensação vai diminuindo a cada dia, dando lugar à tristeza e insatisfação por seus atos). Não está feliz. Sente-se um INJUSTIÇADO.

FASE 4 – Consciência Maior (Sofrimento Consciente – Sabe porquê sofre e sabe como sair do ambiente, mas não o faz):

As pessoas costumam permanecer muito tempo na zona de Sofrimento Inconformista (Fase 3), culpando os outros pela barbárie da sociedade e Deus por Sua inação e negligência. Mas a dor vai crescendo com uma força tão inexorável que acaba impelindo-as a pesquisar todas as maneiras possíveis de sair daquela situação até que, em certo momento, começam a enxergar sua parcela de culpa no TODO (se as atitudes dos outros lhe causam dor, logicamente as suas próprias atitudes semelhantes causam dor nos outros).

Premido pela necessidade de mudança, o indivíduo começa a procurar todas as formas possíveis para sair daquela situação. Passa a ouvir os outros e abre sua mente para realidades que, ainda que sempre estivessem estado ao seu redor, nunca teve a capacidade de enxergar. Percebe que sim, “há vida fora da caixa”. Existem outras pessoas que não agem como ela e, desta forma, não sofrem e não fazem sofrer. Ao contrário, parecem felizes e satisfeitas. Como ser igual a elas? De início, fica esperando que alguém venha “resgatá-lo”, levando-o gratuitamente ao paraíso desejado. Porém, não demora a perceber que ninguém nunca fará mais do que apenas lhe mostrar o caminho. Escolher trilhá-lo ou não, depende EXCLUSIVAMENTE de si próprio.

Toma afinal “consciência” da situação. De que sofria por não entender as consequências das suas escolhas. De que as guerras eram desnecessárias e poderiam ter sido evitadas desde o início. De que as crenças que tinha sobre as “vitórias” eram irreais, lendas nas quais acreditou tão piamente que matou e sangrou por isso. De que suas atitudes nunca o levaram a lugar algum.

Uma vez “consciente”, não quer mais prejudicar os outros e deseja parar de sofrer. Mais do que isso, sabe o que é preciso fazer para mudar a situação. Porém, ainda não consegue mudar suas atitudes. Daí, surge o “Sofrimento Consciente”, quando o indivíduo enxerga todas as peças do tabuleiro, mas não consegue jogar como gostaria.

O sofrer não é mais uma revolta com a atitude dos outros, mas sim, uma revolta com as próprias atitudes e omissões por se deparar com a incapacidade de fazer o que entende que é certo. A pessoa sabe o caminho que deve trilhar mas parece não ter forças ou inteligência para sair do fundo do poço. “Faça o que eu falo, não faça o que eu faço” passa a ser seu paradigma. Entendeu a teoria, mas é incapaz de mudar a prática.

FASE 5 – Tomada de Ação – Sofrimento de Adaptação (afinal, muda o ambiente):

“Tomar consciência” foi o primeiro passo para a mudança. Porém, o caminho a frente exige força de vontade, determinação, energia, fé e superação que até então a pessoa pareceu não ter tido em grau suficiente. Afinal, sair da inércia e da Zona de Conforto é muito mais difícil do que parece.

O Sofrimento Consciente (Fase 4) continua sendo a ferramenta para, através da dor, empurrar a pessoa para a “tomada de ações”. Certo dia, farta de sofrer (sabendo o que é certo e não conseguindo colocar na prática), a pessoa começa a se aventurar, testar novos modelos e agir, entrando na Fase 5.

Inicialmente, não se espera dela mais do que pequenos atos. Afinal, a natureza não dá saltos, e é de pouco em pouco, que se sobem grandes degraus.

O indivíduo começa a abandonar as atitudes negativas, substituindo-as paulatinamente por atos construtivos. Vai trocando a “competitividade” (do exemplo dado) pela “cooperação” (como novo exemplo). Percebe que sua nova forma de agir gera efeitos benéficos (para os outros e para si própria). Que mesmo aquele “Inimigo guerreiro” com o qual antes competia, recebe o ato de “cooperação” como uma coisa boa. Sente que todos passam a considerá-lo e respeitá-lo mais. Tais feedbacks positivos vão estimulando o aumento gradual na quantidade de atos de cooperação, até o dia em que os atos negativos deixam de ser praticados.

Esta Fase 5 não é sem sofrimento. Mas desta vez, é um sofrer diferente, chamado de “Sofrimento de Adaptação”. É a situação de um alcoólatra que tomou consciência de seu vício e agora frequenta reuniões no AA. Abandonar vícios nunca é fácil. É preciso abnegação, paciência e imensa força de vontade. Há momentos de recaídas, quando o alcoólatra em recuperação acaba tomando um drinque, o drogado usa uma droga, o vegetariano come um pedacinho de carne… Existe um sofrimento profundo cada vez que a pessoa opta por “abrir mão” de repetir o ato errado que, ainda que lhe desse PRAZER, sabe não ser o correto. Ação e auto cobrança são as características principais desta fase.

FASE 6 – Aceitação do Ambiente(Satisfação e Inexistência do Sofrimento):

A repetição contínua da ação correta vai mudando a frequência energética da alma, elevando-a ainda mais e, por consequência, fazendo com que o “prazer” que sentia com a prática do ato errado (competir, usar drogas, ingerir álcool, comer carne, matar, roubar, trair, vingar, etc) seja reduzido cada vez mais, até que desaparece. Então, a “decisão” de evitá-lo torna-se óbvia e fácil de ser tomada. O Sofrimento de Adaptação (Fase 5) some de uma vez por todas.

Neste momento, o indivíduo completou mais um giro da Espiral Evolutiva Ascendente. Retorna então à situação similar em que se encontrava na Fase 1 (mas agora em um nível superior). O ambiente em que vive é agradável e suas características são integralmente aceitas. Concorda com tudo o que acontece no mesmo, com todas as suas regras, atos e consequências. Sente-se bem e completo. Sua frequência energética é idêntica à do ambiente. Não consegue enxergar um mundo diferente. Aprende a viver nesta nova frequência. Vai de aprendiz à mestre neste novo estágio.

FASE 7 – Repetição do Ciclo – Reinício do Sofrimento Reativo:

Quando a nova lição estiver bem aprendida e assimilada, certa manhã algo estará diferente: ressurgirá o Sofrimento Reativo. Sim, pois o indivíduo não demorará a perceber que a “cooperação” (no exemplo dado), que visava impedir a competitividade entre as pessoas, criou um ambiente onde todos agem da mesma maneira, sem inovações, sem criatividade, impedindo o livre desenvolvimento pessoal.

“Quantas coisas poderiam ser melhoradas e desenvolvidas se as pessoas fossem mais livres, mais diferentes uma das outras, mais criativas?” – o indivíduo começa a se indagar. Ele percebe que os atos que são praticados naquele ambiente é de certa maneira prejudicial ao seu desenvolvimento pessoal. Surge a vontade de abandonar o “coletivo” para se arriscar no “individual”. Porém agora, não mais para competir de forma cega como antes. Mas sim, porque vê um bem maior que passa pelo respeito às individualidades e potenciais de cada um (que foram sufocados após o fim da fase da “competitividade”, justamente para evitá-la). É preciso explorar os potenciais individuais, trazer novidades, tecnologias, novos desenvolvimentos à comunidade. É preciso “competir” sim, mas sem prejudicar o próximo, sem “passar por cima” (lição superada). Como fazer isto se todos só pensam em atividades coletivas de cooperação? Como se destacar desta “massa”? O Sofrimento Reativo vai crescendo, crescendo, e acaba desembocando em inconformismo, adentrando-se nas fases 3, 4, 5 e 6 novamente, quando se completará outro aprendizado, outro ciclo na Espiral Evolutiva Ascendente.

Estes ciclos se repetem, para cada uma de nossas dores, passando-se por todas estas fases. Quando o indivíduo percebe de forma definitiva que sempre existe um degrau acima e que o “sofrimento”, a “dor” ou o “desconforto”, por menor que sejam, são apenas um SINAL para que o espírito desperte sua consciência para galgá-lo e aprender uma nova lição, então ele perceberá que o “tempo” que permanecerá “sofrendo” pode variar de ZERO a MILÊNIOS. Tudo depende apenas da sua própria velocidade em “tomar consciência” sobre a situação e de “Ações” concretas sobre o ambiente.

A contínua evolução por ciclos levará ao entendimento de que o sofrimento não existe, mas é apenas um sinal, uma ilusão. Então, já não sofreremos mais. O “sofrimento” passa primeiramente a ser visto como um mero “incômodo salutar” e, posteriormente, entendido como uma verdadeira “bênção”, como um farol que nos guia a céus cada vez mais altos e nos ajuda no despertar da consciência.

A verdadeira Felicidade surge com a “Consciência Desperta”, quando ela não é mais entendida como “Satisfação do Ego”, mas sim, como fruto de “Amor Incondicional”.

FONTE

About Author

Reikiana, praticante e apaixonada por Yoga, a estudante de Design de Moda pela UCS, Manoela desenvolveu um grande interesse na conexão espiritual entre o passado, presente e o futuro da humanidade, seus caminhos e mudanças ao longo dos séculos. Suas pesquisas para o Verdade Mundial vem sendo amplamente visualizadas nas áreas da sociedade, história e religião.

  • Well Eo Odas

    ata vou ver se sofro por ae , pq é muito bom e gostoso sofrer ..i..

  • Well Eo Odas

    a vida é baseada no sadomasoquismo , so me faltava isto