Você está feliz, ou só atende as expectativas de uma sociedade vazia?

0

Texto retirado do projeto Do For Love – via Facebook

“Eu estou aqui do outro lado do mundo e a sensação que tenho é que vivo em uma realidade paralela. Não é fácil estar em um país chamado Camboja. Quem leu o meu livro sabe que o Camboja me ensinou de maneira dura que eu não posso resolver os problemas do mundo, mas que por meio da educação e do amor eu posso fazer uma pequena diferença na vida das pessoas. Ao invés de viajar por aí somente para conhecer pontos turísticos, eu decidi viajar por aí para abraçar desconhecidos, compartilhando conhecimento e amor – duas coisas gratuitas que mudam a vida de qualquer pessoa, em qualquer lugar do planeta.

Andei mais de 1h na carona de um tuk tuk para chegar em um vilarejo muito isolado. Para minha surpresa, fui recebida por 100 crianças cambojanas que formavam um corredor humano que começava na beira da estrada de chão até a entrada da escola improvisada. Todas elas tinham um sorriso no rosto e batiam palmas conforme eu e minhas lágrimas avançávamos em meio a elas. Duas garotas seguravam um cartaz feito a mão por elas mesmas com a bandeira do Camboja ao lado da bandeira do Brasil. Lia-se também o meu nome e o nome do meu projeto.
Visitei a escola, andei pelo vilarejo muito pobre, conheci uma das alunas mais inteligentes da pequena escola e tive a oportunidade de ir até a sua casa. Era um espaço de madeira elevado da terra por algumas pilastras, tinha uns 15m2. Lá vivem 7 pessoas, a casa foi construída de maneira totalmente improvisada, com uma estrutura extremamente frágil, que pode cair a qualquer momento.

Duas crianças órfãs andavam de pés descalços com suas roupas desajustadas e sujas, pela estrada de chão. Sorrisos e mais sorrisos. Crianças lutavam por um lugar ao meu lado para segurar a minha mão. Via mais sorrisos ali no que em muitas reuniões de família fartas de comida e pessoas bem vestidas.
Voltei para o meu hostel, com os meus pensamentos fervilhando. Tentava de alguma maneira digerir tudo o que tinha vivido e trabalhava as minhas emoções para aprender a separar a minha dor da dor dos outros, porque só assim é possível continuar com o meu trabalho. Abri as minhas redes sociais. Descobri que o Mc Donalds lançou um milkshake de ovomaltine que parece ser muito pior que o original do Bob’s. Um ator famoso morreu. Fotos de vestidos brilhosos. Algum casal famoso se separou. Dicas de lugares para compras em Nova York.

Fechei o computador, tudo aquilo me deixou ainda mais confusa.
É essa a nossa realidade? É isso realmente o que nos importa? São essas as nossas reais preocupações? Reclamamos, aguardamos o momento perfeito, estamos gordos ou magros demais, queremos parecer alguém da capa da revista, deixamos o melhor para depois, nos fazemos de difícil, medimos o sucesso das pessoas pelo número de seguidores, acreditamos que sempre haverá o amanhã e uma segunda chance. Nunca estamos satisfeitos. Nada é suficiente. É mais conveniente falar da vida alheia do que nos aprofundarmos em nós mesmos. Por isso gostamos tanto desse barulho externo, porque ele nos entretem, nos distancia de sermos nós mesmos.

Ser nós mesmos decepciona as pessoas. Ser nós mesmos gera críticas. Ser nós mesmos dá medo e um frio na barriga. Ser nós mesmos é confuso, porque as nossas versões estão tão misturadas que muitas vezes nos enganamos achando que somos nós mesmos mas no fundo não somos nada. Somos cópias, repetições, idealizações. Somos o que os outros desejam e não o que aquela criança que um dia fomos espera de nós.
Nos deram um molde de felicidade e estão todos infelizes tentando se encaixar nesse molde obsoleto. Ainda tiramos selfies na academia para atrair um like do sexo oposto. Ainda temos empregos pelo status que ele nos dá. Ainda somos pagos – e bem pagos – para que as empresas nos mantenham longe de lutar pelos nossos sonhos. Ainda acreditamos que somos o que possuímos. Ainda mantemos relacionamentos pelo medo de ficarmos sozinhos. Isso tudo ainda existe. E muito mais.

Precisamos nos achar feios, imperfeitos. Precisamos esperar por um momento perfeito que não existe. Nos ensinaram a nos achar tolos por acreditarmos em nossos sonhos. Por favor, sonhe alto!!! Quanto mais eu conheço os meus ídolos, mais eu percebo que sou tão capaz quanto eles, se não mais. O sucesso é muito mais uma questão de lutar por ele do que de ser merecedor. Muitas histórias brilhantes morrem em uma gaveta pela falta de persistência em acreditar nela. Algumas histórias nem tão boas assim ganham o mundo pelo simples fato de persistirem. Não deixe o seu sonho guardado. Viva-o!! Sonhe em ser um best seller, sonhe em ser o melhor, em ganhar o Oscar, em ser reconhecido internacionalmente, em ser o presidente, em ser o dono daquela empresa que você está buscando uma vaga. Você é capaz!!! Sonhe muito, mas lute ainda mais para realizar. Esteja disposto a abrir mão. A nossa vaidade é especialista em matar sonhos. Realize!! Dizem que não devemos fazer as coisas para mostrar para os outros. Eu discordo!! Realize o seu sonho e mostre para o mundo que você o fez!! Você será exemplo para outros que estão nessa mesma jornada.

Já julgaram ser loucos aqueles que resolveram dizer que a terra era redonda e que existiam riquezas em outras terras. Loucos eram aqueles que morreram criticando as verdades que somente os aventureiros tiveram a coragem de encontrar. Quais são os seus valores? Com o que você se importa? Você está sendo você mesmo ou simplesmente atendendo as expectativas de uma sociedade vazia?
O mundo te espera, ele precisa do teu brilho e da tua autenticidade.”

 

About Author

Estudante no curso Design de Moda pela UCS, Manoela desenvolveu um grande interesse na conexão espiritual entre o passado, presente e o futuro da humanidade, seus caminhos e mudanças ao longo dos séculos. Suas pesquisas para o Verdade Mundial vem sendo amplamente visualizadas nas áreas da sociedade, história e religião.