Magia no dia-a-dia

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O ser humano não faz ideia do poder que possui, renuncia a sua condição divina por pura “ignorância”, ou usa seus poderes divinos (o pensamento, a palavra, etc) de forma aleatória, improdutiva, maliciosa e sem nenhum propósito, enquanto poderia canalizar e direcionar isso em pró de sua evolução e de todas as criaturas vivas.

Sidarta Gautama (o Buda mais famoso) dizia que “Luz é igual a Sabedoria e Trevas é ignorância”. Nosso mundo está coberto de trevas sim, mas não é nenhum diabinho externo que nos tenta, mas sim nossa própria ignorância que nos deixa preso a esta condição limitada de existência e percepção.

Existe uma “enorme” diferença entre “magia” e “feitiçaria”, há quem pense que magia é fazer o derramamento de sangue em uma esquina,  porém isso é pura e simplesmente feitiçaria, algo que pode até resultar em algum resultado, porém sempre limitado, uma verdadeira “caricatura” do que poderia resultar um verdadeiro trabalho mágico.

Segundo HPB: “Magia é Sabedoria espiritual. A Natureza é aliada, aluna e serva do mago. Um princípio vital penetra todas as coisas, e é controlável pela vontade do homem perfeito. O Adepto pode estimular os movimentos das forças naturais nas plantas e animais num grau sobrenatural. Tais fatos não são obstruções da natureza, mas aceleramentos em que são dadas condições de ação vital mais intensa”.  ( Ísis sem Véu, H. Blavatsky )

Nós somos em verdade Deuses feitos de carne, mitos como o dos “anjos caídos” ou de filhos de deuses que se fizeram carne (Jesus, Hercules, etc), não se referem a pessoas que viveram no passado, mas fala do próprio processo de “descida” do espírito na matéria, a reencarnação. Nós podemos controlar tudo ao nosso redor, através do pensamento e das palavras, o universo é nosso servo, porém existe o pai da ilusão, que é o “tempo”, eu penso logo acontece,  mas o que separa o momento do meu pensamento, do acontecimento, é o tempo que levará para acontecer, esse é o pai da ilusão e da mentira, o Maya dos Indus, nós pensamos e não temos a paciência ou a sabedoria de saber que levará um tempo para se concretizar, então paramos de pensar, interrompemos esse processo mágico no meio do caminho, abortamos a realização do mesmo ou como acontece na maioria das vezes, nós mesmo os bloqueamos, gerando pensamentos em direção contrária (pensando que o que desejamos não irá acontecer).

Ao longo dos séculos, o povo teve sua maneira de “manifestar” suas obras mágicas através dos ritos, já que essas condições “externas” são maleáveis, porém as internas (pensamento, sentimento, energia) não são. Existem pequenas condições na nossa vida que alteram tudo e as pessoas não percebem…  O mundo e como as coisas funcionam é muito mais subjetivo do que objetivo, porém a grande maioria não percebe isso. Vou te dar um exemplo, “o poder da palavra”, as pessoas não percebem, mas a palavra, apesar de não ser algo palpável, não existir fisicamente, possui um poder de realização indescritível. Casamentos e amizades podem ser atados ou desatados por simples palavras, pessoas se amam ou se odeiam tanto pelas palavras ditas, quanto pelas não ditas, uma simples palavra pode provocar um sentimento de bem aventurança ou de fúria. Estamos a todo o momento fazendo uso desse poder de forma “inconsciente” e irresponsável, enquanto que ao mesmo tempo, influenciamos e modificamos a realidade ao nosso redor usando esse recurso, também somos manipulados por ele (pela palavra dos outros), querendo ou não.

Então quem é o tolo supersticioso? O Mago que acredita e faz uso de palavras mágicas? Ou a pessoa comum, que não reconhece a magia e o poder desse recurso que possui?

Nós somos MUITO mais lembrados pelas nossas palavras e ações (que são intangíveis, elementos subjetivos) do que pela nossa aparência física (objetivo, palpável), o mundo é uma abstração do pensamento, uma manifestação, um reflexo do mesmo, a diferença entre o Mago e o tolo, é que o primeiro percebe e reconhece isso, enquanto o outro ignora.

Só se pode contribuir com a evolução de outra pessoa, com algum conhecimento adquirido, indicar alguma literatura e trocar uma ideia, porque um fato muito importante do caminho espiritual, é que ele é “único” e “individual”… Cada um trilha (ou deixa de trilhar, ficando estagnado) o seu próprio caminho, não tem como outra pessoa fazer por nós o que está somente em nossas mãos fazer. No máximo se pode indicar o caminho, mas deve-se ter muito cuidado para olhar para a “Lua” e não para o “dedo que aponta” para ela.

Acho engraçado que quando as pessoas perguntam minha crença religiosa, elas riem quando eu respondo que sou Ocultista, ou não entendem e pensam que faço alguma prática de magia negra.

Ocultismo e espiritualidade não são crenças, são “posturas” diferenciadas diante a vida, um olhar mais aguçado, mais atento, uma curiosidade que não tem pressa em ser saciada, uma preocupação maior em fazer as perguntas certas do que em obter as respostas finais. É ler nas entrelinhas, não ler somente a letra morta das escrituras,  mas tentar compreender seu sentido oculto e abstrato.

Ou, como diria a maior ocultista ocidental da era moderna:

Ocultismo não é magia, embora a magia seja um de seus instrumentos. Ocultismo não é a aquisição de poderes, sejam psíquicos ou intelectuais, embora ambos sejam seus servidores. Nem é a procura da felicidade como o homem compreende a palavra; pois o primeiro passo é o sacrifício, o segundo é a renúncia. Ocultismo é a ciência da vida, a arte de viver. (Helena Petrovna Blavatsky- HPB).

FONTE

About Author

Trabalha na área de Controle de Qualidade em uma empresa Suíça. A espiritualidade fez com que Marluce despertasse espiritualmente. Sem um certo nível de consciência espiritual é impossível perceber a magia da vida.