Cientistas descobrem que aranhas podem nos ouvir

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Um novo estudo acaba de revelar que as aranhas são ainda mais impressionantes (ou assustadoras) do que imaginávamos. Os aracnídeos não possuem ouvidos, mas o fato é que as aranhas podem ouvir você falando a metros de distância – contrariando muitos pesquisadores que acreditavam anteriormente que elas não conseguiam ouvir.

“Surpreendentemente, descobrimos que eles (aracnídeos) possuem um senso de audição bastante aguçado”, disse o pesquisador-chefe Paul Shamble, da Universidade de Cornell, em entrevista a Hannah Devlin, do The Guardian. “Eles podem escutar sons a distâncias muito maiores do que se imaginava, mesmo não tendo orelhas com os tímpanos típicos da maioria dos animais que possuem audição aguçada”, explicou.

Em vez de tímpanos, as aranhas utilizam minúsculos pelos sensíveis em suas patas para detectar ruídos em seus arredores, sugere o novo estudo, publicado recentemente. Já era de conhecimento dos cientistas, anteriormente, que esses pelos localizados nas patas dos aracnídeos eram sensíveis à vibração do ar. No entanto, a suposição que se tinha era de que isso só abrangia sons em torno do próprio corpo do animal, ou a alguns centímetros de distância. Além disso, ninguém havia percebido que os aracnídeos interpretam essas vibrações em atividade neural – o que significa que eles realmente ‘ouvem’ essas ondas sonoras, e não apenas as sentem.

Mas agora, uma nova pesquisa com base em padrões cerebrais de aracnídeos mostra que elas realmente podem ouvir a voz humana (bem como outros sons, como o bater de palmas) a até cinco metros de distância. A pesquisa foi realizada em uma espécie de aranhas que vivem principalmente na América do Norte: a Phidippus audax.

O curioso, é que a descoberta foi feita por acaso. Shamble e sua equipe estavam fazendo gravações neurais do cérebro das aranhas para descobrir como elas processavam informações visuais.

“Certo dia, (o coautor do estudo, Gil Menda) estava realizando um desses experimentos e começou a gravar uma área do cérebro que nós costumamos focar. Em certo momento, sua cadeira fez um barulho. Da forma como fazemos as gravações neurais, nós conseguimos escutar quando os neurônios são ativados. E quando a cadeira de Gil fez o barulho, os neurônios que estávamos gravando começaram a disparar. Fizemos isso de novo, e os neurônios novamente dispararam”, explicou Shamble a Maarten Rikken, do Research Gate.

Então, Menda e Shamble começaram a bater palmas a certas distâncias, para verificar até onde a aranha iria continuar percebendo os ruídos. Eles chegaram a cinco metros de distância, e a aranha ainda estava respondendo.

“Com base em tudo que se sabia, isso jamais seria possível. Mas foi. Isso foi apenas o começo de meses e anos de trabalho, mas foi um belo início”, disse Menda.

Para entender exatamente como as aranhas estavam escutando, a equipe colocou gotas de águas em suas patas, para aliviar a vibração dos pelos. Ao fazer isso, os neurônios auditivos do cérebro pararam responder aos sons – o que sugere que elas não estavam mais ouvindo.

Outras experiências confirmaram que, embora as aranhas tenham respondido aos aplausos, elas foram mais sensíveis a frequências baixas (cerca de 80-130 Hz) – próximo da frequência em que batem as asas de vespas, por exemplo, que muitas vezes se alimentam de aranhas. Essa frequência também gira em torno da frequência de uma voz masculina.

Mas mesmo que as aranhas tenham audição aguçada, ela não necessariamente funciona da mesma forma que funciona em seres humanos, por conta da forma como seus cérebros processam as informações.

“Provavelmente (a audição das aranhas) soa como uma ligação muito ruim de telefone”, disse Shamble ao The Guardian.

A equipe agora está investigando se outras espécies de aranhas possuem a mesma capacidade auditiva. A pesquisa foi publicada na Current Biology.

Por Fiona Macdonald | ScienceAlert

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