O mundo está de luto

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Neste 28 de novembro, um acidente aéreo comoveu o mundo todo. Um avião Avro RJ85, da empresa venezuelana LaMia Airlines, que opera a partir da Bolívia, caiu quando se aproximava do aeroporto internacional de Medelin na Colômbia.  Nesse avião, estavam 72 passageiros e 9 tripulantes, num total de 81 pessoas. Até o momento, temos 75 mortos e 6 feridos. O time de futebol Associação Chapecoense de Chapecó – SC, estava nesse voo, pois teriam o primeiro jogo contra o Atlético Nacional da Colômbia para disputar o título da Copa Sul-Americana de futebol.

Foi talvez a maior tragédia esportiva dos últimos anos. Em meio as especulações sobre os motivos da queda, temos o depoimento de uma sobrevivente, a atendente de voo Ximena Súares, relatando que a causa foi a falta de combustível do avião minutos antes do pouso. Em seguida teve um pronunciamento do chefe da autoridade aérea da Colômbia, dizendo que foi uma falha elétrica. Já o Diretor da Agencia Nacional de Aviação da Colômbia, Alfredo Bocanegra, comentou que uma das hipóteses é realmente a falta de combustível. Seja qual for a causa, o acidente e as mortes são irreversíveis, mas é importante uma investigação séria para que todos saibam da verdade sobre essa tragédia. A LaMia era uma nova empresa não regular, que começou a voar em julho de 2015 com esse tipo de aeronave e só operava voos fretados. Essa companhia tinha somente dois aviões desse tipo, e um deles estava impedido de voar, por falta de condições. O piloto do avião era o dono da empresa.

O avião que caiu era de fabricação inglesa, tinha 17 anos e foi entregue à empresa Mesaba, dos Estados Unidos, em 1999. Passou depois para a Cityjet e LaMia da Venezuela, sendo entregue para a LaMia Bolivia em 2015. Alguns grandes jornais noticiaram que a queda do avião pode ter sido por falta de combustível, a chamada “Pane Seca”, baseados em depoimentos de vários especialistas. Uma informação interessante é que a distância entre os dois aeroportos é de 2.972 km, o que excede a capacidade média de voo desse aparelho, que é de 2.963 km, ou seja, esse avião não teria autonomia de voo com segurança, pois não tinha nenhuma reserva. Isso tudo deve ser analisado e esperamos uma decisão clara no final do inquérito, para evitar outros voos nas mesmas condições. O importante não é achar um culpado e sim identificar as causas para que nunca mais aconteça uma tragédia dessas pelo mesmo motivo.

Numa decisão louvável e unânime, a diretoria e os jogadores do Atlético Nacional, solicitaram à Conmebol que a Chapecoense seja considerada a campeã da Copa Sul-Americana, como um reconhecimento à sua grande perda e numa homenagem póstuma às vítimas desse acidente. Não há o que discutir: Chapecoense, a grande Campeã da Copa Sul-Americana de 2016!

About Author

Célio Pezza é escritor e colunista de diversos jornais e revistas no Brasil. Seus romances misturam ficção com realidade e trazem fortes mensagens por trás de cada história. Seu livro As Sete Portas foi traduzido para o inglês e editado no Canadá, EUA e Inglaterra. Sua mais recente obra, A Tumba do Apóstolo, foi lançada em 2014.

3 Comentários

  1. é realmente muito triste, e o pior de tudo é que poderia ter sido evitado, pois já é quase confirmado que a queda se deu por falta de combustível no avião, um piloto de uma outra companhia aérea que também estava aguardando para pousar na região ouviu a conversa entre o piloto do avião da chapecoense e a torre de controle do aeroporto onde ele pedia urgência para pousar pois estava sem combustível, ainda na sequencia ouviu o mesmo piloto pedindo urgente vetores de pouso (que na linguagem da aviação são atalhos para pousar mais rápido) e depois aconteceu a perda do sinal, ainda um especialista em desastres aéreos comentou que a forma com a qual o avião está caído indica que a queda foi quase que vertical, ou seja só reforça a falta de combustível. E pra complicar ainda mais já havia uma denuncia nos órgãos de aviação contra o piloto desse avião (que por sinal era o próprio dono da empresa) de que ele costumava voar com o combustível no limite e alguns casos até a menos contando com a sorte. Falaram que o avião havia despejado o combustível antes da queda, porém agora já se sabe q esse modelo de aeronave não tem dispositivo de despejo de combustível, tudo indica que a queda foi por imprudência do piloto que quis economizar dinheiro de combustível… lastimável.

  2. Murillo francisco Cason on

    Acho engraçado que desencarnam coletivamente centenas de milhares de pessoas todos os dias no mundo todo e principalmente em locais de conflitos e pobreza como na África e no Oriente Médio pelos mais diversos motivos e ninguém fica chocado. Centenas de pessoas morrem em atentados e bombardeios todos os dias e ninguém se comove. Mas quando é alguém famoso, ou no caos um grupo de pessoas que cuja atividade interessa a outro grupo de pessoas, é todo esse auê. Devemos ser solidários com as vítimas e as famílias, sim, é claro, mas não valorizemos mais a vida de um grupo de pessoas que morreram em uma tragedia somente porque eram famosas e desvalorizemos a vida de pessoas anônimas que morrem todos os dias em tragédias muito maiores do que essa. Sem hipocrisia.