Cientistas da Universidade de Maastricht, na Holanda, estão trabalhando em um tipo de “carne sintética” criada em laboratório a partir de células-tronco de bois. A viabilidade da carne artificial será testada em uma exibição pública dentro de cerca de um mês, segundo os pesquisadores. A meta do estudo, de acordo com os cientistas envolvidos, é reduzir o consumo de carne de boi, cordeiro, porco e frango, como parte de uma estratégia de evitar o desaparecimento de florestas, que geralmente são desmatadas para dar lugar a vastas pastagens.

Em teoria, segundo o estudo dos holandeses, as células-tronco retiradas de apenas um animal seriam suficientes para fazer um milhão de vezes mais carne do que poderia ser obtido de uma única carcaça de carne bovina. A redução da necessidade por terra para as pastagens, o consumo de água e alimentação para alimentar os animais, assim como a consequente redução dos volumes de gases do efeito estufa liberados pelos bois e outros poluentes ambientais, poderia, segundo eles, mudar o hábito humano pela alimentação de carne.

Além de reduzir os impactos nocivos ao meio ambiente inerentes ao atual processo de produção de carne bovina em larga escala, a mudança do paradigma poderia tornar a dieta carnívora “mais aceitável” para as organizações de meio ambiente e para os vegetarianos, que fazem oposição ao consumo de carne em função do bem-estar animal. Segundo os cientistas, organizações dos direitos dos animais estão entusiasmados com a ideia.

“Eventualmente, a minha visão é que você tem um rebanho limitado de animais de abate que você tenha em estoque no mundo. Você basicamente precisaria matar os animais e extrair todas as células-tronco deles, então você ainda precisa de animais para esta tecnologia. Neste momento, estamos usando 70% de toda a nossa capacidade agrícola para extrair carne através de gado. Você vai precisar de alternativas. Se não fizermos nada, a carne se tornará um alimento de luxo e vai ficar muito cara”, afirma Mark Post, médico fisiologista da Universidade de Maastricht.

Consumo vai aumentar e encarecer produto

Segundo o pesquisador, o estudo para o desenvolvimento da carne sintética foi financiado por um “rico apoiador anônimo”. O cientista não descarta que o financiador se revele no dia da demonstração gastronômica para experimentar o que os pesquisadores já chamam de “carne de proveta”.

A indústria da carne movimenta cerca de 228 milhões de toneladas de carne por ano. Nos EUA, o valor de varejo de carne bovina chega a US$ 74 bilhões. Em 2050, de acordo com estimativa da Organização para Agricultura e Alimentação, o mundo vai estar consumindo o dobro de carne consumida agora, impulsionado principalmente pelo aumento da demanda de setores da classe média em crescimento na China e outras nações em desenvolvimento.

“Tudo se resume ao fato de que os animais são muito ineficientes na conversão de proteína vegetal em proteína animal. Isso ajuda a elevar o custo da carne”, afirma o cientista.

Com informações do jornal The Independent

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Trabalha na área de Controle de Qualidade em uma empresa Suíça. A espiritualidade fez com que Marluce despertasse espiritualmente. Sem um certo nível de consciência espiritual é impossível perceber a magia da vida.