Nós não entendemos a mente humana, suas regras e seus propósitos. Nosso racionalismo nos roubou a habilidade e os ensinamentos antigos de sabedoria. No Antigo Egito, o despertar da consciência era representado por Osíris. Sem esse despertar, qualquer conhecimento adquirido seria perigoso e desconectado da sabedoria. O Olho de Hórus tinha que ser aberto, para ter acesso ao livro de Thoth, ou do conhecimento dos deuses. Existe um paralelo entre o livro de Thoth e a árvore da vida com seu fruto do conhecimento do bem e o mal do Jardim do Éden. A Humanidade comeu o fruto proibido e abriu o livro sagrado, sem o despertar da consciência. Nós temos muito conhecimento sobre o mundo material, mas somos ignorantes sobre quem somos e como devemos viver e morrer. A solução não é lutar pela paz, mas simplesmente reconhecer a verdade que a estrutura do ego é violenta, ela cria uma barreira entre nós e os outros.

Sem o ego, não há mais guerras. As crises externas no mundo mostram uma grave crise interna em nós. Um evento que pode parecer apocalíptico para uma pessoa pode ser visto como uma benção para outra. Realizar o Samadhi, a meditação profunda, é tornar-se autônomo, livre para criar novas perspectivas, porque deixa de existir um Eu envolvido. O ego cria rótulos e está julgando sem parar. Não julgue seus pensamentos como bons ou maus, mas descubra quem você é, antes do julgamento. Quando todos os rótulos são descartados, é possível ver as coisas como são.

Temos que aceitar que vivemos adormecidos na nossa matriz. Examine sua vida honestamente. Você é capaz de mudar seu padrão de vida repetitiva se quiser? O que você está disposto a pagar para ser livre? Percebe que se mudar sua vida interior, você deve estar preparado para mudar sua vida exterior? O primeiro passo para o despertar é reconhecer que vivemos em um sonho. É perceber que estamos identificados com a matriz da mente humana, com uma máscara. Algo dentro de nós deve ouvir essa verdade e despertar desse sonho. Existe uma parte dentro de nós, alheia ao tempo, que sempre conheceu a verdade. A matriz nos distrai, nos mantém eternamente fazendo algo, consumindo, criando conflitos e soluções que nunca levam a lugar algum, sempre nos impedindo de evoluir na espiral, que é um direito desde o nosso nascimento. O Samadhi, a meditação profunda, pode nos ajudar a saber a verdade que está escondida no âmago de nosso ser.

O filósofo indiano Krishnamurti, disse certa vez que “não é sinal de saúde estar bem adaptado a uma sociedade doente”. Estamos adaptados à matriz, gerando energia para o ego e destruindo a Terra, mesmo achando que estamos salvando-a e guerreando contra aqueles que julgamos ser os inimigos da paz. Somos ignorantes e não sabemos disso. Aumentamos a cada dia a força destrutiva do ego, nos distanciamos da verdade e nos aproximamos do Apocalipse que já está à nossa porta, achando que estamos fazendo o melhor possível. O momento é de mudança interna. Sem ela, nada acontecerá, mas, como disse Morpheus no filme Matrix: “Você precisa entender que a maioria dessas pessoas não está preparada para despertar. Muitas delas estão tão inertes, tão desesperadamente dependentes do sistema, que irão lutar para protegê-lo”.

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Célio Pezza é escritor e colunista de diversos jornais e revistas no Brasil. Seus romances misturam ficção com realidade e trazem fortes mensagens por trás de cada história. Seu livro As Sete Portas foi traduzido para o inglês e editado no Canadá, EUA e Inglaterra. Sua mais recente obra, A Tumba do Apóstolo, foi lançada em 2014.