Estes dias terminei de ler o épico Bhagavad Gita. Ele é realmente um livro transformador para os buscadores espirituais. Não tenho muitas palavras para descrevê-lo, pois a sabedoria contida nele transcende a deste mundo. Ele mostra como identificar o nosso ego e evoluir no caminho espiritual através do autodomínio. Sem dúvidas, o indico a todos que buscam sinceramente evoluir, que buscam a consciência divina e um entendimento profundo do Ser Supremo.

O Bhagavad-Gîtâ, ou Poema do Senhor, é um poema composto por setecentas estrofes divididas em dezoito capítulos, lições ou cantos que está incluído no sexto livro, Bishma Parva, da epopeia, Mahabharata (Grande Índia). O poema conta a história dos descendentes do Rei Bharata, os Pandavas e os Kauravas, primos que entram em disputa sobre o reino e que acaba na guerra cataclísmica de Kurukshetra.

O autor do Mahabharata é dado como sendo Vyasa, um grande Sábio iluminado, não se sabendo ao certo em que época viveu, pelo que se torna difícil datar a epopeia. A hipótese mais aceite é a do século III AEC embora alguns estudiosos considerem que tenha sido no período do quinto ao quarto século AEC.

Paramahansa Yogananda escreve que no Bhagavad-Gîtâ, Vyasa conseguiu – através de metáforas e alegorias – combinar “factos históricos com verdades psicológicas e espirituais” para apresentar “as batalhas internas que devem ser disputados tanto pelo homem materialista como pelo homem espiritual.”

A imagem de Krishna como cocheiro, a guiar um coche puxado por cavalos, e Arjuna como passageiro, tem sido utilizada pelos sábios antigos de Yoga como uma alegoria do homem, para o ajudar e treina-lo na sua procura para o autoconhecimento.

Simbólicamente, as estradas onde passa o coche representam os nossos desejos, correntes e passados, dos quais temos que nos libertar. Os dez cavalos são os dez sentidos (indriyas), através dos quais nos relacionamos com o mundo externo pela percepção e a ação. As rédeas são a mente, através da qual os sentidos recebem as suas instruções para agir e perceber. O chocheiro é o maior intelecto (buddhi), que é suposto ser o doador sábio de instruções para a mente. O passageiro é o Eu, o Atman, o centro puro de consciência, que é sempre a testemunha neutra. O coche em si é o corpo físico, o instrumento através do qual, o eu, o intelecto, a mente e os sentidos operam.

Ao longo dos dezoito capítulos, Krishna tece este caminho ensinando a Arjuna os Yogas de Karma, Jnâna, Râja e Bhakti, e criando no Bhagavad-Gîtâ um texto que mostra a razão da nossa existência, a imortalidade do átma (alma), e a nossa ligação eterna com Brâman.

Começamos assim a perceber que o objectivo do Bhagavad-Gîtâ é o de nos tirar da ignorância, mostrando-nos o caminho para sairmos da transmigração – o ciclo de nascimento, morte e renascimento (samsara).

A graça do Gita não pode ser descrita. Seus ensinamentos são simples bem como são ocultos e profundos. Novos e profundos significados são revelados para um estudante sério do Gita. E os ensinamentos ficam sempre inspiradores. O recipiente do conhecimento necessita ter inclinação espiritual e busca sincera. O conhecimento dado sem ser perguntado é sem propósito, e deve ser evitado. Há um tempo para tudo sob o céu. Nós não podemos mudar o mundo; nós podemos apenas mudar as vidas de umas poucas almas sinceras cujo o tempo para uma mudança chegou por Sua graça.

BHAGAVAD GITA ONLINE

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Reikiana, praticante e apaixonada por Yoga, a estudante de Design de Moda pela UCS, Manoela desenvolveu um grande interesse na conexão espiritual entre o passado, presente e o futuro da humanidade, seus caminhos e mudanças ao longo dos séculos. Suas pesquisas para o Verdade Mundial vem sendo amplamente visualizadas nas áreas da sociedade, história e religião.