Este Post é um alerta ao caso ocorrido com o cantor e compositor Chris Cornell, vocalista das bandas Audioslave e Soundgarden que cometeu suicídio após um show em Detroit…

Medicamentos também são amplamente consumidos no Brasil

Buscar a felicidade e a paz em uma pílula frente às agruras do dia a dia também pode levar uma pessoa bem mais perto da morte. Estudo publicado ontem no “American Journal of Public Health” identificou uma explosão no número de vítimas de overdose associada ao uso de medicamentos benzodiazepínicos, popularmente conhecidos como calmantes, nos EUA, entre 1996 e 2013. O número de mortes ultrapassou em muito o crescimento, também significativo, no consumo dessas substâncias no mesmo período.

Sintetizados pela primeira vez no início da década de 1960, os compostos benzodiazepínicos trouxeram uma revolução na forma de lidar com distúrbios psíquicos. Chamados ansiolíticos, e também apelidados de “drogas da paz”, eles são receitados para tratar de ansiedade à insônia, passando por estresse, tristeza, fobias e outros transtornos de humor muito comuns na sociedade moderna. Com isso, eles logo se tornaram os medicamentos psicotrópicos (que agem no sistema nervoso central) mais usados no mundo. Embora sejam muito mais seguros que as opções anteriores, como os chamados barbitúricos (que tiveram entre suas vítimas mais famosas a atriz Marilyn Monroe, morta em 1962), seu consumo indiscriminado, principalmente quando aliado ao uso de outras drogas lícitas e ilícitas, em especial álcool e analgésicos opioides, pode ser extremamente perigoso.

Assim, segundo os pesquisadores liderados por Marcus Bachhuber, professor da Faculdade de Medicina Albert Einstein, em Nova York, esses medicamentos estão por trás de nada menos que 31% das quase 23 mil fatalidades relacionadas a remédios controlados no país em 2013, levando a uma taxa de 3,14 mortes a cada 100 mil adultos naquele ano, um aumento de mais de quatro vezes frente à 0,58 morte por 100 mil adultos registrada em 1996. Enquanto isso, nesses mesmos 18 anos, o número de prescrições subiu “apenas” 67%, de 8,1 milhões para 13,5 milhões.

— Este é um problema de saúde pública que tem ficado fora do radar — alerta Bachhuber. — As overdoses de benzodiazepínicos têm aumentado numa taxa muito mais rápida do que a alta na prescrição dessas drogas, indicando que as pessoas as estão tomando de forma mais arriscada.

REMÉDIO GERA DEPENDÊNCIA E TOLERÂNCIA

Ainda de acordo com os pesquisadores americanos, outra explicação para a maior mortalidade associada aos benzodiazepínicos pode estar ligada à quantidade ingerida. Assim como muitas outras drogas psicoativas, legais ou não, esses compostos causam dependência e tolerância, ou seja, é preciso tomar mais para obter o mesmo efeito. Dessa forma, a quantidade total de benzodiazepínicos consumida nos EUA mais que triplicou no período da pesquisa, saltando de 1,1 quilo por 100 mil adultos em 1996 para 3,6 quilos em 2013, em cálculo que traduziu as dezenas de princípios ativos dessa classe de medicamentos na equivalência a apenas um deles, o lorazepam (vendido no Brasil com a marca Lorax).

— A maior quantidade de benzodiazepínicos receitada aos pacientes sugere doses diárias maiores ou mais dias de tratamento, ambos fatores que também podem aumentar o risco de uma overdose fatal — destaca Joanna Starrels, coautora do estudo e também professora da faculdade de medicina nova-iorquina.

No Brasil, não há estatísticas sobre as mortes relacionadas ao uso de medicamentos controlados, mas os números do consumo de benzodiazepínicos indicam que o problema aqui pode ser igual ou mesmo maior que nos EUA. E não é por menos. Distribuído no país sob a marca Rivotril, um desses compostos, o clonazepam, foi o sétimo remédio mais vendido em 2012 de acordo com a IMS Health, consultoria especializada em dados da área de saúde. Psiquiatra especialista em dependência química, Analice Gigliotti critica o que classificou como “exagero” na prescrição dessas substâncias, principalmente por médicos clínicos gerais.

— Os benzodiazepínicos fazem parte do grupo dos famosos “remédios tarja preta”, que têm venda controlada e precisam ser prescritos com um receituário especial — lembra Analice. — Mas às vezes eles são receitados de maneira indiscriminada, e os médicos que mais os prescrevem são os clínicos gerais. Os pacientes muitas vezes pedem aos médicos para continuar a tomar os medicamentos e alguns deles dão a receita sem se dar conta de que essas substâncias geram tolerância e dependência. E essas prescrições são muito comuns no Brasil, muito mais do que deveriam ser.

PERIGO PARA DEPRESSIVOS

Ainda segundo a especialista, outro perigo pouco abordado quando na prescrição deste tipo de composto é seu efeito em pacientes predispostos à depressão, particularmente os que têm histórico familiar do distúrbio. Apesar de reconhecer que, no geral, os benzodiazepínicos são tão seguros que dificilmente o consumo mesmo de uma caixa inteira de um medicamento dessa classe de uma vez leva à morte se tomado sozinho, sua combinação com outras substâncias depressoras do sistema nervoso central, como o álcool, é, sim, potencialmente fatal.

— Aí é mel na sopa, mão na luva, pois é algo com que uma pessoa pode se matar — alerta. — Apesar de não se saber qual a dose necessária para uma overdose em um paciente em particular, quem usa benzodiazepínicos com álcool certamente tem algum problema ou transtorno psiquiátrico importante e tendência ao uso de outras medicações, em misturas que elevam em muito o risco de morte.

O Globo

ATUALIDADE

Suicídio de Chris Cornell: medicamento pode ter gerado “Amnésia Anterógrada”

Chris Cornell, vocalista das bandas Audioslave e Soundgarden, cometeu suicídio aos 52 anos em Detroit.

A revista Rolling Stone lançou um novo artigo sobre a prescrição do medicamento que Chris Cornell estava usando antes da sua morte, Ativan. Leia um trecho da matéria logo abaixo:

A pesquisa mostrou que benzodiazepinas, como o álcool, pode causar amnésia anterógrada se uma pessoa fizer exame sob uma quantidade excessiva da droga. A amnésia anterógrada – ou o que é também conhecido como “apagões” – é a incapacidade de criar novas memórias, o que significa que o cérebro não registra os eventos de como eles acontecem no tempo. Em outras palavras, você perde “pedaços” do tempo.

Semelhante aos apagões alcoólicos, as pessoas que experimentam amnésia anterógrada por consumirem muitos benzodiazepínicos, podem se envolver em comportamentos desinibidos e perigosos. Isso pode incluir a condução enquanto intoxicado, a cometer crimes e até mesmo tentar o suicídio. O médico Lee falou à revista Rolling Stone: “Vimos muitas pessoas que não tinham comportamentos destrutivos antes de sofrerem consequências realmente sérias devido ao uso de benzodiazepinas. Portanto, pode virar um problema sério”. (A Valeant Pharmaceuticals International Inc., que fabrica o medicamento Ativan, não retornou ao pedido dos comentários da revista).

Do site Drugs.com:

Para se certificar de que o Ativan é seguro para si, informe o seu médico se tiver:

-Convulsões ou epilepsia;
-Doença renal ou hepática (especialmente doença hepática alcoólica);
-Asma ou outra desordem respiratória;
-Glaucoma de ângulo aberto;
-Histórico de depressão ou pensamentos suicidas ou comportamento;
Histórico de dependência de drogas ou álcool; ou
Se você usar um narcótico (opióide) medicação.

Os especialistas que falaram com a revista observaram que o uso prolongado ou o mal uso do Ativan podem exacerbar sentimentos negativos em pessoas com depressão, ou uma história de idealização suicida (Cornell, um viciado em recuperação, tinha sido público sobre os seus problemas com depressão). Embora raros, os pesquisadores encontraram uma correlação entre o uso indevido de benzodiazepinas e o aumento do risco de suicídio (uma ligação semelhante tem sido com a dependência de álcool). Mas é altamente improvável que o Ativan seja a única causa de um suicídio concluído, já que o suicídio não tem uma única causa, diz o Dr. Jeffrey Lieberman, presidente do Centro Médico de Psiquiatria da Universidade de New York e ex-presidente da Associação Americana de Psiquiatria:

“Se alguém morresse por suicídio durante um apagão do Ativan, essa pessoa pode ter lidado com problemas subjacentes de saúde mental, onde o Ativan seria o fator menos contributivo”.

“Embora nem sempre, as pessoas que tentaram ou morreram por suicídio, muitas vezes exibem sinais de antemão”, diz o Dr. Joel Dvoskin, um psicólogo clínico e professor assistente no Departamento de Psiquiatria da Universidade do Arizona: “suicidas podem dizer-lhe que não possuem nenhuma razão para viver ou que eles se sentem como um fardo para os outros. Eles podem parecer deprimidos ou zangados. Eles podem agir imprudentemente, abusar de drogas, ou dizer adeus sem razão”.

“No entanto, rotineiramente, as pessoas tomam esses sinais como alguém ‘dramático’ ou como um ‘grito de socorro’, mas uma ameaça suicida também é um grito de socorro e isso não significa que eles não vão se matar. Se alguém lhe diz algo que implica o suicídio, leve isso a sério”. –Whiplash

O perigo da combinação de opiáceos e benzodiazepinas

A maioria das mortes por opiáceos (analgésicos) de prescrição envolvem álcool, sedativos ou drogas ilícitas como a heroína. No entanto, a combinação mais letal é a dos opiáceos com as benzodiazepinas comuns, que são medicamentos prescritos para tratar quadros de ansiedade e depressão.

De acordo com estimativas, até 80% das mortes por overdose não intencionais relacionadas com opiáceos podem envolver benzodiazepinas. Os opiáceos de prescrição, as benzodiazepinas e os relaxantes musculares são depressores do sistema nervoso central e sua combinação pode tornar lenta a respiração ao ponto de ocasionar a morte. Segundo o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), agência governamental dos Estados Unidos, mais de 16 mil pessoas faleceram por overdose de analgésicos opiáceos e também mais de 6 mil morreram por overdose de benzodiazepinas, em 2013.

Em pesquisa recente, o grau em que opiáceos e sedativos são prescritos simultaneamente foi detalhado: os autores determinaram que a prescrição de benzodiazepinas é de três a quatro vezes mais provável quando são prescritos os opiáceos. Ao analisarem 30 mil consultas de pacientes entre 2001 e 2010, eles observaram que quando os pacientes recebiam prescrição de opiáceos por dor musculoesquelética aguda, 33% deles também recebiam a prescrição de um sedativo. Entre os pacientes que receberam prescrição de opiáceos por dor musculoesquelética crônica, 36% também receberam uma prescrição de um sedativo. Inclusive, pessoas com transtornos psiquiátricos e histórico de abuso de substância tiveram mais probabilidades de receber uma prescrição simultânea de opiáceos em doses altas e sedativos.

Para os autores da pesquisa, é necessário uma melhor educação do prescritor para ajudar os médicos clínicos a compreender melhor os riscos e as vantagens inerentes aos opiáceos de prescrição.  Além disso, é preciso que sejam adotados enfoques mais eficazes e integrados para tratar os pacientes com dor crônica, e melhorar o acesso e a cobertura do seguro para o tratamento do abuso de substâncias com base em evidências, incluído o tratamento assistido com medicação para os transtornos por uso de opiáceos com buprenorfina e outros medicamentos.

A pesquisa ressalta que, embora a prescrição de medicamentos para a dor tenha diminuído nos Estados Unidos, a prescrição concomitante de opiáceos e sedativos não foi reduzida. “A utilização de múltiplos fármacos é a margem limite da epidemia de opiáceos. Estamos atingindo avanços para diminuir a prescrição de opiáceos, mas a prescrição concomitante de opiáceos e sedativos não diminuiu”, afirma o Dr. Mark Sullivan, PhD, professor de psiquiatria e ciências da comportamento da Universidade de Washington e diretor executivo de COPE Chronic Pain na Escola de Medicina da Universidade de Washington.

Fonte: Medical News Today | ABMFR

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