Um bloco de gelo de 5,8 mil quilômetros quadrados e 1 trilhão de toneladas faz com que os cientistas alertem para alterações climáticas e geográficas profundas no futuro próximo

Um iceberg se desprendeu entre os dias 10 e 12 de julho da plataforma de gelo Larsen C, na Península Antártica a noroeste do Polo Sul. O fato poderia ser corriqueiro, pois, segundo os cientistas, há milênios ele acontece nas bordas das plataformas de gelo, formações flutuantes com espessura de centenas de metros, localizadas nas extremidades das geleiras. Mas o bloco de gelo agora identificado é um dos maiores já detectados na Antártida, a velocidade com que está se descolando do continente é alta e pode causar efeitos catastróficos sobre a vida do planeta.

O bloco batizado como A68 possui 1 trilhão de toneladas e uma área de 5.8 mil quilômetros quadrados, equivalente a 537 campos de futebol. Ele perde apenas para aquele que é considerado o maior iceberg já avistado, que media 11 mil quilômetros quadrados e se desprendeu da plataforma do Mar de Ross, na Antártica, no ano 2000.

Desde 1995, o fenômeno de derretimento e formação de icebergs gigantescos vem sendo monitorado nas plataformas Larsen por pesquisadores do Projeto Midas, das universidades de Swansea e Aberystwyth, no País de Gales. Segundo eles, a Larsen A foi a primeira a ter entrado em colapso. Ela deu início a uma fenda de centenas de quilômetros ao longo do eixo norte-sul da península. Em 2002, foi a vez da plataforma Larsen B, que se rompeu de maneira súbita, alongando a fenda. Em julho, a rachadura atingiu 200 quilômetros de comprimento. Isso fez com que o iceberg tenha ficado preso à plataforma por uma faixa de gelo de 4,5 quilômetros. Na semana passada finalmente, o bloco de gelo se descolou.

Mudança climática

As consequências de icebergs à deriva são imprevisíveis. Mas os cientistas já verificam mudanças ambientais notáveis na Antártida, como o aumento de 3 graus centígrados desde 1950, um grau maior do que a média de aquecimento do planeta. Assim, os cientistas temem que o surgimento de novos e maiores blocos se deva ao aquecimento global que está se acelerando, principalmente no hemisfério Sul, alterando violentamente a configuração do continente.

Segundo o professor Adrian Luckman, um dos pesquisadores que estão à frente do Projeto Midas, esse tipo de acontecimento está se tornando mais frequente e acelerado. Já é possível verificar que a área de gelo que resta na península possui o menor tamanho já verificado. “Mapas terão de ser redesenhados”, disse ao “The New York Times”. “O A68 é um dos maiores icebergs já registrados. Ele poderá continuar como um único bloco, mas é bem possível que se desfaça em pedaços. O fato é que algumas parte da geleira pode se manter no local ao longo de décadas, enquanto outras partes podem flutuar rumo ao Norte e entrar em águas mais quentes.”

Ainda não há evidências que associem o desprendimento de geleiras ao aquecimento. Mas os cientistas estimam que locais quentes como as ilhas Maldivas ou mesmo o litoral sul da América do Sul poderão ser atingidos por geleiras. Como resultado, além das alterações de temperatura na água e na atmosfera, poderá haver um aumento do nível do oceano. Segundo os pesquisadores, o descolamento está acontecendo no inverno, quando a cobertura de gelo é mais estável na Antártida. Quando chegar o verão, é possível que o derretimento acelere de forma dramática.

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