Os cervos do Pampas Safari, localizado em Gravataí (RS), que foram condenados à morte sob determinação do Ibama e das Secretarias Estaduais da Agricultura e do Meio Ambiente do Rio Grande do Sul, não foram submetidos à exames que determinassem quais deles estavam, de fato, doentes. É o que afirma o veterinário e chefe do setor de Fauna Silvestre do Ibama/RS, Paulo Wagner.

“Eles não conseguiram apresentar um plano de testes de tuberculose que nós disséssemos que estava bem feito”, disse o veterinário. Wagner conta que em fevereiro foi realizada uma reunião no Ministério Público, na qual foi apresentado pelo parque um plano de testes que foi tecnicamente negado pela Secretaria de Agricultura. Foi então que o safári desistiu de examinar os cervos, optando apenas pelo procedimento de morte induzida.

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A importância de se preservar a vida dos cervos e vê-los como sujeitos de direito não foi considerada pelo safári, que já os explorava há anos, tampouco pelo Ibama, que acatou a decisão do Pampas Safári de extermínio sem que ao menos testes que comprovassem a doença fossem feitos.

O veterinário do Ibama demonstra ainda o desinteresse do órgão em tratar os cervos. “Eu não posso e nem faz sentido manter um animal tuberculoso sem tratamento. O tratamento de cada um deles é inviável”, disse.

O desejo da população em manter os cervos vivos – gerando, inclusive, protesto a ser realizado nesta sexta-feira (25), em frente ao Ibama, em Porto Alegre (RS) – foi chamado pelo veterinário de demagogia. Ele acredita que não basta se comover com o caso sem apresentar uma solução ao órgão.

“Se alguém quiser fazer um santuário de cervos tuberculosos, apresente o projeto. O Ibama vai olhar e se disser que o controle sanitário é rigoroso e consegue manter, ótimo. Fazer demagogia de “coitados dos bichinhos, estão matando os bichinhos” e, quando a gente diz “tudo bem, então me dá uma solução” dizer “não, isso não é comigo” — desculpa, aí não”, afirmou.

Para justificar a morte dos cervos, Wagner diz ainda que a obrigação legal do órgão ambiental e sanitário é preservar a saúde pública e ambiental, evitando a proliferação da doença, retirando assim do Ibama a responsabilidade que cabe a ele de preservar a fauna silvestre. Responsabilidade essa pertencente ainda ao poder público, que também foi omisso, já que permitiu, por meio das Secretárias Estaduais de Agricultura e de Meio Ambiente, que fosse realizado o procedimento de morte induzida sem que tivessem sido feitos exames que comprovassem a tuberculose.

O veterinário transfere a responsabilidade pela não realização dos exames apenas para o Pampas Safari. “A proliferação da doença se faz através do meio ativo que é o animal. Mas o empreendedor não me apresenta uma maneira de controlar isso aí, sabendo que os animais que dessem positivos seriam mortos e os animais que dessem negativos seriam mortos também, para consumo. De uma maneira ou de outra os animais iriam morrer. A única diferença é que eles disseram assim: ‘nós não queremos fazer mais exames’. E a gente na hora entendeu o porquê, né”, disse em entrevista ao jornal Zero Hora.

Diante do fato de ainda haver animais silvestres circulando no interior do parque, Wagner afirma que há risco de novos procedimentos de morte induzida serem feitos. “Não é uma solução fácil, não é uma solução que nos dê agrado, mas é a solução que minimamente bloqueia o procedimento e que também evita que outros animais se contaminem”, explicou. De acordo com o veterinário, no decorrer de 10 anos, não houve qualquer controle de doenças no local. “Nós vamos submeter 300 animais à morte induzida, mas quantos para trás não morreram também de doença? Quantos ainda estão contaminados?”, questionou.

Wagner lembra que a interdição do parque, em novembro de 2016, se deu pelo que ele chama de “um descalabro no local”. Fossas com carcaças dentro a céu aberto e cocô de rato no depósito de alimentos foram encontradas no parque, segundo o veterinário. “Foi um horror o que eu encontrei ali. Interditamos”, concluiu.

Em denúncia nas redes sociais, Regina Becker, deputada estadual, considerou o fato uma “triste decisão” tomada pelos órgãos.

Regina declarou ainda que irá buscar o conhecimento da íntegra do processo para analisá-lo criteriosamente. “Diante desta triste decisão, respaldadas por legislações que visam tão somente as questões sanitárias, desconsideram a vida animal e a possibilidade destes serem tratados, buscarei junto aos órgãos judiciais o conhecimento da íntegra do processo, para analisar criteriosamente os laudos, exames, autuações e todos os demais dados que resultaram na decisão de morte de centenas de animais”, disse.

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Reikiana, praticante e apaixonada por Yoga, a estudante de Design de Moda pela UCS, Manoela desenvolveu um grande interesse na conexão espiritual entre o passado, presente e o futuro da humanidade, seus caminhos e mudanças ao longo dos séculos. Suas pesquisas para o Verdade Mundial vem sendo amplamente visualizadas nas áreas da sociedade, história e religião.