Para a filosofa Sarah Bakewell, as ideias e atitudes existencialistas se entranharam tanto na nossa cultura que nem as consideramos mais existencialistas. Apesar da empolgação causada por filósofos como Jean Paul-Sartre, Simone de Beauvoir, Albert Camus e Maurice Merleau-Ponty não serem mais novidade, seus conceitos continuam por aí.

No livro No Café Existencialista, Bakewell sugere uma lista de filmes que tratam da “angústia existencial” e nos fazem compreender na tela o que estes filósofos queriam dizer. “Todos esses filmes giram em torno de questões sobre a identidade humana, a finalidade e a liberdade. Entre esses temas, a liberdade é talvez o grande enigma para o começo do século 21”, escreveu.

Para Sartre, por exemplo, o ser humano é responsável pela sua liberdade. Agir como se fôssemos bonecos mecânicos sem controle do nosso destino é agir de “má-fé”, segundo o filósofo. “Queremos mesmo entender nossa vida e tratar nosso futuro como se não tivéssemos verdadeira liberdade nem bases realmente humanas para nossa existência?”, questiona Bakewell.

Talvez estes filmes ajudem a responder:

Blade Runner, o Caçador de Androides (1982)
Baseado na obra de Philip K. Dick, o clássico de Ridley Scott leva ao extremo a angústia tecnológica ao mostrar um caçador de androides que precisa “aposentar” máquinas que se parecem muito com humanos. De maneira memorável, a humanidade dos seres humanos é colocada em xeque a todo instante.

Matrix (1999) 
O filme das irmãs Wachowski não traz apenas referência à Alegoria da Caverna de Platão, também traz angústia. Ao fazer os personagens escolherem entre uma vida de luta sem confortos e uma vida “ignorante”, é possível refletirmos sobre nossas próprias escolhas — sem contar na teoria da física que reflete seriamente sobre a questão de vivermos em uma matrix.

Ex_Machina: Instinto Artificial (2015)
Nesta sombria e sufocante ficção científica de Alex Garland, somos confrontados com uma inteligência artificial tão sofisticada que consegue deixar não apenas os personagens em dúvida sobre suas intenções, mas também quem assiste ao longa. De forma sensível e tensa, é um bom tratado sobre a relação entre humanos e máquinas.

Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças (2004)
Sabendo que a narrativa da nossa vida é feita de memórias, bastaria apagar aquelas que são desagradáveis para ter uma experiência plena. O filme do diretor francês Michel Gondry mostra que essa constatação não é tão simples assim.

O Homem Irracional (2015)
Praticamente todos os filmes de Woody Allen trazem algum tipo de conflito existencial, mas este é o mais óbvio já que traz uma referência explícita ao filósofo norte-americano William Barrett no título. No longa, assistimos a um professor de filosofia em crise que, de repente, encontra um sentido para a vida.

O Show de Truman (1998)
Nesta outra variação da Alegoria da Caverna de Platão, o personagem de Jim Carrey entra em crise quando descobre que toda a sua vida é uma farsa, uma representação falha transmitida como um reality show. Junto do personagem, os espectadores também são convidados a duvidar da realidade que nos é apresentada (uma porta de entrada para refletirmos sobre a sociedade e nossas relações de trabalho, por exemplo).

Um Homem Sério (2009)
Sempre preocupados com questões filosóficas, os irmãos Coen colocaram dose extra de angústia neste filme. A obra mostra os conflitos de um homem em crise, que enfrenta um divórcio, problemas com os filhos e no trabalho e busca conforto nos conselhos de rabinos diferentes.

Huckabees – A Vida é uma Comédia (2004)
Um ativista ecológico procura a ajuda de uma dupla de “detetives existenciais” para resolver os mistérios que cercam sua vida. De forma leve e muito bem humorada, o filme de David O. Russell intorduz temas complexos sem parecer complicado.

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