“Tratamos de algo simples, mas, ao mesmo tempo, profundamente desafiador. Estamos tratando com você sobre a arte da Felicidade. Satsang é isso, e representa o abandono da ilusão do sentido da “pessoa” presente. É importante que você se lembre de que a vida acontece sem “você” e de que os pensamentos, sentimentos, tudo isso é parte da vida, assim como as ações, que aparentemente são o resultado desses pensamentos e sentimentos.

O que estamos dizendo é que não se trata de tentar cooperar com a vida ou de procurar criar as condições para a Felicidade, esperando que tudo seja auspicioso. Nem sempre as coisas precisam ser perfeitas como você espera que elas sejam. O que você espera de perfeição, naquilo que acontece, é somente uma crença, uma projeção de desejo.

Felicidade não é a realização de desejos, nem a realização de expectativas. Felicidade é Ser! A Vida é o que é, e isso é Ser. Não há o sentido de “alguém” em Ser. Eu não disse “ser alguma coisa”, “ser feliz”… Ser é a Felicidade, mas não é ser feliz! O sentido de “pessoa” é sempre miserável, não importa o que ela realize na vida, porque essa realização ainda é parte de sua miséria. Você não pode olhar para a Verdade como um Shopping Center, onde você vai fazer compras e lá adquire tudo o que quer… Come na praça de alimentação, faz compras nas lojas de roupas, compra brinquedos e assim por diante… E agora você é “feliz”!

Não olhe a vida como um Shopping Center. Ela não tem o que você deseja, porque o seu desejo é miserável e a vida não conhece miséria. Todos procuram a Felicidade, mas confundem a Verdade, a Vida, com um grande mercado, onde podem conseguir tudo que desejam. Não é conseguindo o que deseja que você será feliz, mas exatamente o oposto: é deixando de desejar, abandonando o sentido de “alguém” presente que deseja – esse “alguém” que você acredita ser e sempre sente falta de alguma coisa: de família, de sucesso, de saúde, de roupas, de amizades… Esse sentido de falta somente é possível quando o sentido do “eu” está presente, e isso é ser miserável.

Estamos tratando, em Satsang, de algo simples e profundo. Simples porque é fácil nos aproximarmos disso pela palavra; profundo porque temos que investigar, profundamente, a natureza ilusória dessa mente egoica, desse sentido do “eu”. Em Satsang, seus pensamentos, sentimentos, emoções e todas as formas de crenças – em qualquer nível que apareçam, dentro da sua cabeça ou no que você chama de “coração” – são descartados. Nada disso tem real importância para Ser.

Para ser alguma coisa, você precisa ter coisas, e isso faz de você “alguém” miserável, porque há sempre medo, dependência, ansiedade, preocupação e sofrimento. Para Ser, no entanto, o final do desejo é importante, assim como o término da ambição, da expectativa, da busca por algo, da procura por alguma coisa. Portanto, Realização não é “realização”. Realização é estar aqui, sem futuro, sem expectativas, sem desejos. Então, a Felicidade se revela com a Verdade, e ela, definitivamente, não é um mercado, onde você consegue tudo o que deseja. Ela está presente na Meditação, que é assumir a Verdade sobre si mesmo; é viver sem o passado e o futuro; é ter o coração e a mente completamente livres. Então, as emoções, os pensamentos, os sentimentos e as sensações físicas são simples experiências, sem “alguém” dentro delas fantasiando, imaginando e calculando, preso dentro desse movimento.

Assim, em Satsang, descobrimos a beleza de viver livre da “pessoa” e, naturalmente, dos conflitos que ela produz, em razão dos desejos, das ambições e dos medos que ela tem. Então, a Vida é o que é! Ela não está aí como um mercado esperando você. Não há separação nem distância entre Ser e a Vida… Isso é Completude, Totalidade, Felicidade.

A pergunta que surge é: “Como eu continuo indo para o trabalho, ganhando dinheiro, pagando as contas, cuidando de filhos e família?” A resposta a essa pergunta é: Não tem “você”! Esse é o movimento da Vida! Isso acontece muito bem sem “você” – sem a ansiedade, a expectativa, o desejo e, naturalmente, sem o medo.

Dê a si mesmo total Paz, total Inteligência, total Verdade e total Amor! Dê a si mesmo a ausência de “si mesmo”. Isso é Realização, mas não é a realização de “alguém”… É somente Realização! Ninguém se realiza, mas a Realização é possível. Isso é Iluminação! Ninguém se ilumina, mas a Iluminação é possível quando “você” não está, quando “o que é” é O que É! Isso é tudo!”

Marcos Gualberto

FONTE

About Author

Reikiana, praticante e apaixonada por Yoga, a estudante de Design de Moda pela UCS, Manoela desenvolveu um grande interesse na conexão espiritual entre o passado, presente e o futuro da humanidade, seus caminhos e mudanças ao longo dos séculos. Suas pesquisas para o Verdade Mundial vem sendo amplamente visualizadas nas áreas da sociedade, história e religião.