Muitos já ouviram falar sobre a Atlântida, a cidade perdida no meio do oceano Atlântico. Poucos talvez tenham ouvido falar sobre lendária Ilha Brasil ou Hy-Brasil, que aparece em mapas antigos europeus, que datam desde 1.300, muito anterior à descoberta de nossa pátria. O cartógrafo genovês Angelino Dalorto foi um dos primeiros que marcou essa ilha, em 1325. Com a marcação nos mapas, muitos navegadores passaram a procurar pela ilha, e alguns garantem ter visto essa misteriosa terra, que aparece e some de uma hora para a outra. Essa ilha faz parte da mitologia gaélica irlandesa desde uma expedição de um monge irlandês São Brandão, no ano de 565, que disse ter avistado uma ilha estranha, que desaparecia em meio à neblina e espessos nevoeiros. De acordo com as lendas, Hy-Brasil era o lar de uma civilização muito avançada e rica; também existia a presença de sacerdotes com grande conhecimento e poderes acima de nossa compreensão. Dizem que essa ilha está sempre coberta por uma névoa espessa, exceto por um dia a cada sete anos, diferente da Atlântida, que teria afundado para sempre no oceano. Por mais estranho que possa parecer, existe uma corrente que diz que o nome Brasil para a nossa pátria, foi dado em função dessa antiga crença e não devido a existência de pau-brasil. Depois que Pedro Álvares Cabral chegou no continente sul-americano, o Brasil foi primeiro chamado de Terra de Vera Cruz, depois de Novo Mundo, seguido de Terra dos Papagaios e finalmente Brasil, provavelmente devido as narrativas míticas de Hy-Brasil. Mesmo após a consagração de Brasil para a nossa pátria, a ilha estranha continuou a aparecer nos mapas cartográficos, como no mapa de Fernão Vaz Dourado, de 1568.

O nome próprio irlandês Hy Bressail ou O Brazil, significa ilha dos afortunados e tem suas origens na mitologia gaélica ou celta. Outra curiosidade é que essa ilha era descrita como sendo redonda, com um canal de água em semicírculo, de fora a fora. Coincidência ou não, a nossa bandeira tem exatamente esse desenho.

No poema Hy-Brasil, o poeta escocês William Sharp descreve um lugar de sonhos, com grandes árvores, por onde o vento sussurra como se fosse ondas do mar deslizando nas areias da praia. O poema termina assim:

Eu escuto uma voz solitária lá a cantar,

onde me encontro ao lado de troncos de pinheiros dourados,

e olho com olhos famintos, contra a luz de um sol,

que nunca nasceu ou se pôs.

About Author

Célio Pezza é escritor e colunista de diversos jornais e revistas no Brasil. Seus romances misturam ficção com realidade e trazem fortes mensagens por trás de cada história. Seu livro As Sete Portas foi traduzido para o inglês e editado no Canadá, EUA e Inglaterra. Sua mais recente obra, A Tumba do Apóstolo, foi lançada em 2014.