Um grupo internacional de cientistas anunciou nesta segunda-feira, 16, a descoberta de fenômenos astrofísicos nunca antes observados. Foi a colisão de um par de estrelas de nêutrons produzindo ondas gravitacionais e uma explosão luminosa um bilhão de vezes mais brilhante do que o Sol.

De acordo com os cientistas, pela primeira vez um evento cósmico foi observado ao mesmo tempo a partir da luz e das ondas gravitacionais por ele produzidas. O anúncio foi feito na sede do Observatório Europeu do Sul (ESO, na sigla em inglês) em Garching, na Alemanha e no Observatório do Paranal, operado pelo ESO no deserto do Atacama, no Chile.

“O que é incrível nessa descoberta é que pela primeira vez temos um quadro completo de um dos eventos mais violentos e cataclísmicos do universo. Esse foi o mais intenso trabalho de observação já feito”, disse o diretor executivo do Observatório de Ondas Gravitacionais por Interferometria a Laser (Ligo), Dave Reitze, durante o evento na Alemanha.

1) Ondas gravitacionais são detectadas
Duas estrelas de nêutrons giram, uma em torno da outra, completando sua órbita 20 vezes por segundo, distorcendo o espaço-tempo

2) 100 segundos depois
As estrelas se aproximaram e estão girando a 2 mil vezes por segundo; na iminência da colisão, as estrelas são distorcidas pela intensa gravidade

3)Dois segundos depois
Depois de uma breve pausa, na qual o Ligo não podia detectar nada, as estrelas colidem violentamente, emitindo uma explosão de raios gama

4)Pós-explosão
Os cientistas identificam uma nova luz no céu – o brilho remanescente da colisão – que eles conseguem identificar como fonte das ondas gravitacionais e da explosão de raios gama

As estrelas de nêutrons são as menores e mais densas estrelas conhecidas. Elas podem ter cerca de 20 quilômetros de diâmetro apenas, mas seu interior é tão denso que uma colher de chá desse material tem a massa de um bilhão de toneladas.

Previstas pelo físico Albert Einstein em 1915, as ondas gravitacionais surgem quando corpos muito grandes e acelerados produzem distorções no “tecido” que compõe o espaço-tempo, de maneira semelhante às ondulações produzidas por uma pedra atirada na água.

As ondas gravitacionais só foram observadas em 2015 no Ligo, a partir da fusão entre dois buracos negros em galáxias distantes. O feito rendeu o Nobel da Física de 2017 ao alemão naturalizado americano Rainer Weiss e aos americanos Barry Barish e Kip Thorne, que coordenaram a construção do Ligo.

Depois da primeira observação no fim de 2015, as ondas gravitacionais foram captadas mais três vezes – mas como a fusão dos buracos negros não produz nenhuma luz, o fenômeno é completamente invisível para os telescópios ópticos.

Desta vez, portanto, os cientistas conseguiram não apenas “ouvir”, mas também enxergar a violenta trombada dos corpos que produziram as ondulações no espaço-tempo.

 

A sequência extraordinária de eventos observada pelos cientistas começou com os dois detectores gêmeos do Ligo – localizados na Loisiana e em Washington, nos Estados Unidos. Eles capturaram os tremores no espaço-tempo produzidos pela fusão das duas estrelas de nêutrons a 130 milhões de anos-luz da Terra.

Um alerta foi acionado para astrônomos de vários lugares do mundo. Em algumas horas, mais de 70 telescópios – na Terra e no espaço – estavam observando o brilho da explosão.

Quando as estrelas de nêutrons colidiram, elas emitiram uma intensa explosão de raios gama e expeliram uma grande quantidade de materiais que, naquelas condições, se transformaram em elementos pesados, como ouro, platina e urânio. Os cientistas já suspeitavam que as colisões de duas estrelas de nêutrons poderiam ser violentas o suficiente para criar os elementos mais pesados, mas só agora esse tipo de fenômeno foi observado e confirmado.

O físico britânico Stephen Hawking comemorou nesta segunda-feira a primeira detecção de luz e ondas gravitacionais produzidas pela fusão de duas estrelas de nêutrons, um avanço que considera “o primeiro degrau de uma escada” que promete levar a um novo método para medir distâncias no cosmos.

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Reikiana, praticante e apaixonada por Yoga, a estudante de Design de Moda pela UCS, Manoela desenvolveu um grande interesse na conexão espiritual entre o passado, presente e o futuro da humanidade, seus caminhos e mudanças ao longo dos séculos. Suas pesquisas para o Verdade Mundial vem sendo amplamente visualizadas nas áreas da sociedade, história e religião.