Descobertas de planetas em outros sistemas solares já viraram rotina entre os astrônomos. Agora, o próximo passo é descobrir se esses mundos distantes também possuem suas próprias luas. E eles devem ter: não faria o menor sentido se elas só existissem por aqui, em nossa vizinhança cósmica.

Em julho, saíram os primeiros resultados de uma pesquisa que o astrônomo David Kipping, da Universidade de Columbia, desenvolve desde 2012: ele utiliza dados do telescópio espacial Kepler para caçar exoluas.

Na época, ele veio a público com as primeiras evidências que indicavam haver uma lua do tamanho de Netuno orbitando um gigante gasoso grande como Júpiter em uma estrela a 4 mil anos-luz daqui. Não conhecemos nenhum satélite natural com essas proporções no Sistema Solar.

Mesmo que por ora não passe de um mundo hipotético, cuja existência ainda precisa ser comprovada com mais dados científicos, a potencial exolua vem atraindo a atenção dos pesquisadores.

O astrofísico René Heller, do Instituto Max Planck para Pesquisa do Sistema Solar, localizado na Alemanha, publicou recentemente resultados sugerindo que ela pode ser mais estranha do que se pensava — e talvez seja ainda maior. Pode até mesmo ter um oceano.

Heller analisou os mesmos dados do Kepler e estimou que as reais dimensões e natureza da possível exolua estejam no meio do caminho entre um mundo gasoso do tamanho da Terra ou algo muito maior, rochoso e oceânico, comparável a Saturno.

Como nascem as luas
Sendo assim, não se encaixa nas três teorias conhecidas da formação de luas: impactos violentos com protoplanetas (como no caso da Terra); a aglutinação do gás e poeira que permeavam o Sistema Solar primitivo (a exemplo das luas de Júpiter); ou a captura de um pequeno mundo errante pela gravidade do planeta (foi o que ocorreu com Netuno).

“Não está claro para mim, a partir dos dados do Kepler e do que sabemos do Sistema Solar, através de qual dos canais ela teria se formado”, disse Heller à New Scientist. Ele considera que, caso exista de fato, o objeto será um quebra-cabeça formidável aos teóricos da área.

Apesar de terem achado os resultados de Heller interessantes, Kipping e seu colega na pesquisa, o estudante de graduação Alex Teachey, desencorajam a realização de estudos do gênero em uma etapa tão precoce. “Bem, nos sentiríamos mal pelas outras pessoas se gastarem tempo estudando um fantasma”, disse Teachey.

Para sanar de vez a dúvida, a dupla conduzirá observações com o telescópio Hubble. Caso seja comprovada, a primeira das exoluas deve reformular não apenas as teorias de formação lunar, como também a busca por vida no Universo — muitas delas e dos gigantes gasosos que orbitam ficam na zona habitável de suas estrelas.

Via New Scientist | Galileu

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