Quando perguntaram a Einstein se ele acreditava em Deus, respondeu: “Acredito no Deus de Spinoza, que se revela por tudo o que existe, e não no Deus que se interessa pela sorte e pelas ações dos Homens”.  Baruch de Spinoza nasceu em Amsterdam, em 1632 e faleceu em Haia, em 1677, portanto com 45 anos. Na época, ele questionou o modelo de Deus, defendido pelas religiões católica e judaica e afirmava que os dogmas rígidos e os rituais vazios eram as únicas coisas que mantinham o cristianismo e o judaísmo vivos. Ele fez uma interpretação crítica da bíblia, o qual lhe custou o “cherém”, que é a excomunhão para os judaicos e foi considerado maldito. Foi abandonado pela família e ganhava seu sustento polindo lentes. Foi tachado de ateu, coisa que nunca foi. Na verdade, a crença de Spinoza era num Deus baseado no seguinte princípio: Deus e a Natureza são a mesma coisa e, de acordo com suas palavras, Deus não é um manipulador de fantoches. O deus de Spinoza dizia: Pare de ficar rezando e batendo no peito. Eu quero que saia pelo mundo e desfrute da tua vida! Pare de ir a esses templos lúgubres, obscuros e frios, que tu mesmo construíste e que acredita ser a minha casa! Minha casa está nas montanhas, nos bosques, nos rios, nos lagos, nas praias. Aí é onde vivo e expresso meu amor por ti! Pare de ter tanto medo de mim. Eu não te julgo, nem te critico, nem me irrito, nem te castigo. Eu sou puro amor! Pare de ficar lendo supostas escrituras sagradas, que nada tem a ver comigo. Se não pode me ler num amanhecer, numa paisagem, nos olhos de teu filho, não me encontrará em nenhum livro. Esquece qualquer tipo de mandamento, qualquer tipo de lei; essas são artimanhas para te manipular, para te controlar, que só geram culpa em ti! Respeita teu próximo e não faça o que não queira para ti! Esta vida é a única que há aqui e agora. E tu és livre para fazer de tua vida um céu ou um inferno. Não te poderia dizer se há algo depois dessa vida, mas posso te dar um conselho: vive como se não o houvesse! Vive como se essa fosse tua única oportunidade de aproveitar, de amar, de existir! Pare de louvar-me. Eu quero que me sinta em ti quando beija tua amada, quando agasalha tua filhinha, quando acaricia teu cachorro, quando toma banho de mar! Tu és grato? Demonstra-o cuidando de ti, de tua saúde, de tuas relações, do mundo! Pare de complicar as coisas e de repetir como papagaio o que te ensinaram sobre mim. A única certeza é que tu está aqui, que está vivo, e que este mundo está cheio de maravilhas. Para que precisa de mais milagres? Para que tantas explicações? Não me procure fora! Não me achará! Procura-me dentro de ti. É aí que estou! Como se vê, esse não é um Deus autocrático, que controla a tudo e a todos, e que se refugia em algum ponto remoto dos céus. Não existe uma entidade criadora do mundo que agora o observa à distância, julgando-o e definindo seu destino final. Temos dificuldades em definir a natureza de Deus, porque o confundimos com um ser à nossa imagem e semelhança. Deus é o mundo, a Natureza!

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Célio Pezza é escritor e colunista de diversos jornais e revistas no Brasil. Seus romances misturam ficção com realidade e trazem fortes mensagens por trás de cada história. Seu livro As Sete Portas foi traduzido para o inglês e editado no Canadá, EUA e Inglaterra. Sua mais recente obra, A Tumba do Apóstolo, foi lançada em 2014.