Quando pergunto aos meus pacientes se eles sabem para onde querem ir, ou qual a ideia de destino que os move na vida, geralmente recebo como resposta um longo silêncio. Apesar desse ser um momento de profunda angústia para o paciente, é também um momento decisivo no processo terapêutico.

É a partir da busca por um sentido de vida que a verdadeira transformação psíquica acontece. Viktor Frankl, psiquisatra austríaco e sobrevivente dos campos de concentração letais durante a Segunda Guerra Mundial, percebeu durante os três anos que permaneceu prisioneiro, que as pessoas que antes de serem levadas para o caótico cenário de guerra já possuíam uma motivação para a própria vida, conseguiam resistir e suportar as torturas pelas quais eram submetidas nestes locais. Já aquelas pessoas que não possuíam uma certeza ou um sentido para a própria vida, se entregavam mais facilmente às torturas ou condições precárias nas quais viviam.

Mas, então, o que significa encontrar um sentido para a vida? Sabe quando você experimenta um momento feliz onde tudo ou quase tudo está como você gostaria que realmente estivesse? Sabe quando você se sente a pessoa mais feliz e realizada no mundo e percebe que vale a pena viver porque aquele momento faz a sua existência ter um sentido? Então, a busca por estes momentos, por essas sensações podem se transformar em sentidos para se viver. Ter um sentido para a vida é quando mesmo diante de momentos extremamente dolorosos você permanece convicto de que quer permanecer existindo para encontrar novamente aquele momento onde toda a sua vida faz sentido, onde ela faz você sentir que vale a pena. É ter um propósito para o qual lutar algumas ou todas as batalhas.

Segundo Frankl, é possível encontrar um sentido criando um trabalho ou realizando algum feito notável, pois, ao se comprometer com uma meta que envolve criatividade, reconhecimento, utilidade e altruísmo, diversos sentimentos são despertados colaborando assim para o resgate daquilo que toca individualmente cada pessoa. O ser humano pode também encontrar o seu sentido de vida ao experimentar um valor ou um amor. Ao entrar em contato com algo que é valioso para si: família, amigos, profissão, voluntariado…, o indivíduo elege um propósito para o qual viver e encontra nisto o significado da sua própria vida. Do mesmo modo que encontrar um valor pode ser importante, descobrir um amor também. Independente para onde este amor seja direcionado: parceiro (a), trabalho, animais…, o despertar deste sentimento poderá justificar toda a existência do indivíduo e se tornar um sentido para ele, uma busca constante para aquele (a) que lhe faz entrar em contato com o amor. O sentido da vida pode ser encontrado também através do próprio sofrimento. Sim, ao buscar formas de lidar com a dor inevitável, o indivíduo poderá adotar uma postura resiliente e a partir dela compreender o porque da sua dor e o que aprendeu com ela. A resiliência quando despertada, possibilita o desenvolvimento do autoconhecimento bem como a adoção de novas perspectivas para o enfrentamento dos problemas, tornando a vivência prazerosa por si só um sentido de vida.

Perceba para onde as suas escolhas estão o (a) levando e porque de ter escolhido este caminho. Será que ele realmente faz sentido para você? Pense nisso e se for necessário, invista na busca do seu próprio sentido de vida.

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Psicóloga e psicoterapeuta corporal, Jéssica Horácio atua na psicologia nas áreas clínica e social. É problematizadora de questões sociais, e estudiosa de conteúdos referentes a feminismo, gênero e relacionamentos. Entende que todo indivíduo possui a liberdade de se escolher no mundo, a psicologia é a sua aliada na tarefa de mostrar a estes indivíduos esta possibilidade de liberdade.