O ser humano está atormentado por desequilíbrios. Isto causa reações de egoísmo e violência, que não ajudam em nada a sobrevivência de sua espécie. O ser humano perdeu o senso de coletivo e um provoca o sofrimento do outro, por causa de crenças, côr da pele, classe social e posição geográfica e muitos outros motivos banais. Os grandes inimigos do progresso da humanidade são os próprios homens, com suas desavenças estúpidas e alegações insanas. Nenhuma outra criatura na face da Terra faz guerra contra si mesma. Só o ser humano é capaz dessa tragédia, que no final, volta-se contra o próprio ser humano. Todas as mudanças feitas neste planeta, quer sejam grandes ou pequenas, traz um preço a ser pago no futuro. É uma simples equação de ação e reação e, enquanto não entendermos isso, vamos ficar dando passos para a frente e para trás.

O nascimento de uma criança em um país rico, desenvolvido, vai causar a morte de outra criança em um país pobre e sub-desenvolvido, pois os recursos desse país pobre foi vendido e destinado ao país rico, por seus líderes gananciosos. É uma questão de equilíbrio. O que o país rico desperdiça, fará falta para o país pobre. O ser humano ainda não entendeu a questão do equilíbrio. Ele ainda não entendeu que a preservação de sua espécie de forma sadia é fundamental; a de uma pessoa ou de um povo, pouco conta nessa escala. Se o ser humano não entender isso e não partir para a busca do equilíbrio urgente do planeta, vai comprometer a espécie humana em um futuro não muito distante. Certa vez li um artigo comparando a travessia humana como uma grande quantidade de pessoas em um barco, atravessando um mar agitado. A maioria dos seres humanos não tem clareza para conduzir o barco. Por outro lado, a massa fica se agitando de um lado para o outro do barco, causando mais desequilíbrio. Eles se movem para a frente ou para trás do barco, causando mais ondas e não percebem que se a água entrar por qualquer lado que seja, todos vão afundar.

Por mais experiente que sejam os comandantes e por mais que eles gritem mensagens, a massa não ouve ou não crê na ordens de comando, se agita e desequilibra o barco. Existem pessoas que estão fazendo todo o possível para transportar o barco da espécie humana da melhor forma possível nesse mar agitado, mas se os tripulantes não se ajudarem e ficarem brigando entre si, vão fatalmente fazer com que o barco afunde. Se, durante essa travessia, alguns tantos cairem no mar, mas o barco se equilibar para preservar a espécie humana, os comandantes tiveram sucesso. A sobrevivência da espécie humana é sua grande preocupação. Seria muito mais fácil se todos entendessem que há lugar para todos nesse grande barco; basta se ajudarem e não criarem grandes disturbios durante a travessia no mar revolto. Controlar as mentes e decisões, se fosse possível, não seria viável, pois contraria leis fundamentais como o livre arbítrio; se o ser humano escolher o caminho de sua extinção, ela virá. Se ele escolher pelo futuro onde todos poderão viver em paz e abundância, ele também virá. É uma questão de decisão coletiva, lembrando sempre que o progresso requer cooperação e muito equilíbrio.

Célio Pezza     escritor@celiopezza.com

Novembro, 2017

About Author

Célio Pezza é escritor e colunista de diversos jornais e revistas no Brasil. Seus romances misturam ficção com realidade e trazem fortes mensagens por trás de cada história. Seu livro As Sete Portas foi traduzido para o inglês e editado no Canadá, EUA e Inglaterra. Sua mais recente obra, A Tumba do Apóstolo, foi lançada em 2014.