A Rússia anunciou nesta sexta-feira (01) o início dos trabalhos para desenvolvimento de uma nova versão do DNS, protocolo usado por computadores para acesso a sites na internet. Com lançamento marcado para 1º de agosto do ano que vem, o sistema será usado também pelo Brasil, Índia, China e África do Sul, todas nações que compõem os BRICS, em caso de falhas no funcionamento da rede tradicional.

O principal motivo para a criação dessa “internet paralela”, segundo o Kremlin, é a segurança nacional. A Rússia teme que ataques sejam realizados à infraestrutura de internet do país, que se encontra em meio a uma guerrilha digital com os Estados Unidos. Assim, a nação precisa de uma alternativa em caso de problemas.

Trata-se, também, de um esforço conjunto de Rússia e Índia para estabelecer mais controle sobre a própria internet. Os dois países, há anos, pedem que os companheiros dos BRICS e também nações de fora do bloco econômico exerçam governança maior sobre seu tráfego online, também sob uma alegação de proteção da segurança nacional, não apenas própria, mas também de outras nações parceiras.

Foi justamente para evitar isso que, em 2014, a administração de DNS foi entregue à ICANN, uma organização sem fins lucrativos e afiliação política. Apesar de sediada nos Estados Unidos, a ideia é que a entidade atue de forma direta para promover a liberdade na rede e deixá-la livre das mãos de governos, ditaduras ou partidos políticos.

O Kremlin, entretanto, discorda. Esse é um dos motivos para a criação de um DNS próprio, pois, segundo o porta-voz do governo, a ideia é fugir das garras do “grande administrador da internet no mundo, que todos sabem quem é”. A China tem uma opinião parecida, já tendo, no passado, criticado os Estados Unidos por serem o país dominante em políticas e tecnologias da rede online.

Por outro lado, a preocupação é que a criação de uma tecnologia independente possa aumentar o risco de ataques às infraestruturas internas. Ao gerenciar sua rede alternativa, por exemplo, a Rússia poderia proteger suas próprias comunicações ao mesmo tempo em que tenta mitigar as de nações inimigas, com pouco ou nenhum impacto sobre a internet local.

Além disso, a utilização de um DNS próprio também permite maior controle, seja para as operações de segurança nacional e vigilância citadas, como também sobre dissidentes e rebeldes políticos, com opiniões contrárias ao Kremlin. Com uma rede localizada vem também maior controle, e, logo, temor de quem está do outro lado dessa moeda.

A Rússia, claro, nega todas essas possibilidades e afirma apenas que a criação de um DNS independente é uma medida de proteção da própria infraestrutura e da segurança nacional. Seria, inclusive, a continuidade de um movimento iniciado em 2016, quando o país lançou sua própria rede integrada para comunicação de ramos militares e estratégicos do governo, justamente de olho na possibilidade de ter sua infraestrutura conectada atacada por inimigos externos.

Fonte: Canal TechDefense One

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Trabalha na área de Controle de Qualidade em uma empresa Suíça. A espiritualidade fez com que Marluce despertasse espiritualmente. Sem um certo nível de consciência espiritual é impossível perceber a magia da vida.