Nove países do mundo (Estados Unidos, Rússia, China, França, Reino Unido, Índia, Paquistão, Israel e Coreia do Norte) possuem cerca de 15.000 bombas nucleares prontas para o uso. Dentre estes países, a Coreia do Norte é o mais temido, pois depende da vontade de somente um indivíduo, o ditador Kim Jong-un. Pouco sabemos de suas intenções e até onde ele pode ir em um momento de grande pressão psicológica. Nessa hora, a decisão errada de um só homem, pode dar início ao apocalipse. Evidente que este ditador precisa mostrar ao seu povo a existência de um terrível inimigo externo para justificar sua política armamentista e aumentar o patriotismo interno. É a velha fórmula de reunir todos contra o grande inimigo, no caso os Estados Unidos. Por sua vez, Donald Trump, com suas falas ameaçadoras, aumenta a força de Kim Jong-un perante seu povo, que só conhece aquilo que o ditador quer que seja conhecido em seu país.

Todos acompanharam os episódios dos inúmeros testes atômicos da Coreia do Norte, feitos no norte do país, na área de Punggye-ri. Desde 2006, foram feitos seis testes nucleares em um sistema de túneis escavados debaixo do Monte Mantap ou Mantapsan. As bombas são enterradas profundamente no final desses túneis, sendo depois preenchidos com terra para evitar o vazamento de radiação para a superfície e só então a bomba é detonada. Pois bem, logo após o último teste efetuado em 03 de setembro de 2017, houve um terremoto de magnitude 6,3 no local. Em 10 de outubro, aconteceu nesta área, um desabamento durante os trabalhos de escavação de uma nova galeria e 200 operários norte coreanos morreram soterrados.

A informação foi confirmada em 31 de outubro pela agência sul-coreana Yonhap e pela TV Asahi do Japão, mostrando que o solo ficou extremamente fragilizado na região. Os tremores continuaram acontecendo dois meses após o teste com mais dois abalos registrados em dezembro. Perto do local dos túneis fica a aldeia de Punggye-ri, mas não existem informações sobre o que aconteceu com os norte coreanos que moram naquela região. Também não sabemos nada sobre as medições de radiação nesta área. De acordo com pesquisadores da China, toda a montanha que fica acima da área de testes mostra sérios sinais de colapso total, o que pode liberar toda a radioatividade presa em seu interior, espalhando uma névoa de morte em toda a região. Imagens de satélites mostram que o topo da montanha afundou significativamente e foram observados vários deslizamentos de terra em volta da montanha. Para termos uma ideia, essa última bomba de 03 de setembro teve uma potência de aproximadamente 250 quilotons.

A bomba que destruiu Hiroshima em 1945, tinha uma potência de 16 quilotons, sendo que 1 quiloton equivale a mil toneladas de dinamite. Em 21 de abril de 2018, Kim Jong-un determinou durante um evento do Comitê Central do Partido dos Trabalhadores da Coreia, a suspensão dos testes nucleares e o fechamento da área de testes de Punggve-ri, alegando que já comprovaram a efetividade das armas nucleares e não necessitam mais efetuar testes. Na verdade, o real motivo da parada dos testes nucleares é que, depois do último teste de 03 de setembro de 2017, a montanha está a um passo de sua ruptura, liberando toda a radioatividade armazenada debaixo do solo e causando um desastre mundial sem precedentes, pois os ventos se encarregarão de espalhar essa desgraça mortal para longe.

Célio Pezza é escritor e colunista de diversos jornais e revistas no Brasil. Seus romances misturam ficção com realidade e trazem fortes mensagens por trás de cada história. Seu livro As Sete Portas foi traduzido para o inglês e editado no Canadá, EUA e Inglaterra. Sua mais recente obra, A Tumba do Apóstolo, foi lançada em 2014.