Documentário provoca reflexão sobre a privacidade

O que acontece quando o usuário clica em “aceitar” um contrato de termo de uso na internet? O documentário busca revelar o que vem sendo feito pelas corporações e os governos que possuem acesso ilimitado as informações dos usuários através de bancos de dados em computadores e celulares, permitidos de serem acessados ao se clicar “aceitar” em um termo de uso.  [Adoro Cinema]

— A importância do filme é que, no momento em que você ganha consciência e passa a conhecer o modo e com quais objetivos eles armazenam as suas informações, você imediatamente muda a relação estabelecida até então com empresas como o Google e o Facebook.

— Muitas pessoas ainda não têm consciência da gravidade do que acontece. Ainda dizem: “Tudo bem, eu não tenho nada a esconder”. Mas a questão não é a de não ter o que esconder, mas sim a impossibilidade de poder guardar para si o que quiser. Não há essa alternativa.

Em suma, o filme retrata o modo como empresas e governos — dos Estados Unidos, sobretudo — se apropriam de informações pessoais através de mecanismos digitais. O diretor conta que, a princípio, a sua motivação era investigar “como a tecnologia muda os nossos comportamentos, hábitos e pensamento”, disse. No entanto, à medida que a pesquisa e o filme avançaram, o cineasta foi além:

— Comecei a descobrir o que está por trás do uso dessas tecnologias de vigilância — diz. — Mais do que identificar e mostrar que tudo o que fazemos está sendo digitalizado e usado e mantido fora do nosso controle, mais do que identificar o impacto dessas tecnologias de espionagem nas nossas vidas, descobri que o filme investigava o que esse sistema e essas tecnologias estão roubando e tirando de nós: o nosso direito de ter privacidade.

Derivação do latim “privatus”, pode-se dizer que o termo está vinculado ao direito de resguardar para si o controle de informações de si; ou seja, a possibilidade de nos mantermos protegidos e à parte — quando bem entendermos — de quaisquer monitoramento, registro e conhecimento público de nossos atos. O filme de Hoback questiona e problematiza justamente essa possibilidade de assegurar a privacidade em plena era digital. Em linhas gerais, o filme pergunta: No mundo das redes sociais — Facebook, entre outros — e da irrestrita circulação de informações — Google, Wikileaks, entre outros —, a privacidade existe? Se não, é possível de ser retomada? A quem interessa que ela exista? Aos homens, a todos nós? A quem interessa que ela não exista? Aos governos e as empresas, às instituições neoliberais? Em seus segundos iniciais, o documentário diz que a privacidade “não existe” se você alguma vez na vida já clicou num ícone digital contendo os seguintes dizeres: “sim, eu concordo”; após (não) ler os termos e condições de uso de algum programa ou plataforma virtual.

— Quando apertamos “concordo” estamos voluntariamente abdicando da nossa liberdade e concedendo o controle de nossas informações às empresas e aos governos — diz Galeno.

O cineasta desenvolve:

— Eu sempre me pergunto: “A transparência deve ser irrestrita e universal, ou o segredo deve ser visto como algo importante de ser mantido?” A questão é que nós devemos ter o direito de poder resguardar como segredo aquilo que achamos que deve permanecer como tal. E é esse direito que ninguém tem nos dias de hoje.

FONTE

Criador do Site Verdade Mundial, fotógrafo por amor e profissão. Um inquieto da sociedade! Acredito que podemos mudar o pensamento das massas com a informação. Temos as ferramentas e a vontade de ver um Mundo melhor e livre. Estamos nessa luta há dez anos e em frente!