Para falar sobre uma cura espiritual, precisamos antes falar sobre as causas das doenças e da dor. Quando passamos anos de nossa vida comendo de forma errada, fazendo excessos e submetendo nosso corpo a todo tipo de abusos, pode chegar um momento em que uma doença se instale em nós, como um alerta de que algo está errado e temos que mudar. Se não mudarmos e eliminarmos o que nos causou a dor e a doença, não adianta tomarmos um monte de remédios, que só nos aliviam, mas não agem na causa.

Ninguém nasce para ficar doente, mas o nosso comportamento ao longo dos anos, esse sim é o responsável para que uma doença e a dor se instale em nossos corpos. Fora a parte alimentar e de vida saudável, todo nervosismo, stress, tensões e preocupações fatalmente desestabilizam nosso corpo e o torna susceptível de adoecer. Um remédio tradicional pode aliviar as dores e sintomas físicos, mas se os reais motivos não forem eliminados, a cura não será viável. Quanto a uma cura espiritual, ela dificilmente acontecerá, se não houver em contrapartida a mudança comportamental do indivíduo que busca essa cura. A fé, isoladamente, de nada serve, a não ser que seja utilizada para corrigir o que está errado. Em outras palavras, de nada adianta você ter fé que será curado, se nada fizer para mudar o que vem causando a sua doença.

Na cura espiritual, o maior entrave, é o paciente e não a doença. Uma cirurgia mediúnica tem finalidades que vão além de uma recomposição de órgãos ou tecidos, pois ela visa atingir consciências e promover mudanças, não só para o paciente em si, mas também naqueles que estão ao seu lado e vivenciam sua melhora ou até a cura completa. Quando uma pessoa passa por um episódio de cura espiritual, ela muda uma série de conceitos e se torna mais humana. Ela aprende e evolui. Este talvez seja o grande mérito de uma cura espiritual verdadeira. Infelizmente existem muitos embustes e falsos curadores que se aproveitam de pessoas doentes. Por outro lado, existem os verdadeiros centros de cura espiritual, onde a charlatanice não tem vez e o grande propósito é o de trazer o ser humano a outro nível de consciência e aliviar sua dor.

O paciente tem que se esforçar para mudar, fazer a sua parte e muitas vezes, não tem ideia do que realmente aconteceu na hora do atendimento espiritual. Esse atendimento vai sempre acontecer nos dois corpos do paciente: o físico e o espiritual e acontece por mecanismos complexos que muitas vezes fogem à nossa compreensão. Curar é uma reintegração, considerando que a doença e a dor são uma desintegração.

Célio Pezza é escritor e colunista de diversos jornais e revistas no Brasil. Seus romances misturam ficção com realidade e trazem fortes mensagens por trás de cada história. Seu livro As Sete Portas foi traduzido para o inglês e editado no Canadá, EUA e Inglaterra. Sua mais recente obra, A Tumba do Apóstolo, foi lançada em 2014.