21 de Agosto é a data de nascimento de Jesus. Isso segundo a Fundação Urântia e sua obra mundialmente conhecida, o Livro de Urântia.

O Livro de Urântia é uma obra literária, composta por 197 documentos escritos em Inglês arcaico, traduzido recentemente para mais idiomas e que serve como base ideológica de alguns movimentos religiosos e filosóficos. Nas suas páginas, o livro refere ter sido compilado por um corpo de seres supra-humanos das mais diversas ordens, o texto fornece uma abrangente perspectiva das origens, história e destino humanos, constituindo para os seus leitores assíduos uma nova revelação para a humanidade.

A identidade dos autores materiais do livro é desconhecida e nunca foi reclamada, O Livro de Urântia diz que Micael de Nebadon, criador e soberano deste universo local (Nebadon), fez sua sétima e última encarnação neste planeta como Jesus de Nazaré e teria nascido em 21 de Agosto do ano -7.

JESUS HISTÓRICO e o PROBLEMA DO NASCIMENTO

Houve um tempo em que a Igreja não comemorava oficialmente o Natal – entre outros motivos, por não saber o dia em que Jesus nasceu. Embora o período tivesse sido mais ou menos calculado (a data seria no ano 6 a. C.), em nenhum momento, nos primeiros 200 anos do cristianismo, o dia é mencionado. A especulação só começou por volta dos séculos 3 e 4, em resposta aos festejos promovidos pelos romanos com orgias e banquetes em reverência a divindades pagãs.

Nessa época, pelo menos oito datas diferentes foram propostas para o nascimento de Jesus. Duas datas, entretanto, prevaleceram e são usadas até hoje. Primeiro, veio o 6 de janeiro, uma comemoração feita no Oriente para o suposto dia em que Jesus fora batizado – a Igreja Ortodoxa armênia comemora o “natal” nesse dia.

Em 194 d. C., Clemente de Alexandria propôs a data de 19 de novembro do ano 3 a. C., enquanto outros pretendiam que o nascimento ocorresse em 30 de maio ou 19/20 de abril. Mais tarde, em 214 d. C., Epifânio propôs do dia 20 de maio. Nessas datas existem confusões entre a época da concepção e do nascimento. No entanto, tais datas parecem concordar com a velha tradição de que Jesus teria sido concebido na primavera e nascido em meados do inverno (essas estações referem-se ao Hemisfério Norte).

A partir do ano 336, quando o imperador Constantino já havia declarado o cristianismo como a religião do Império Romano, foi adotado o 25 de dezembro, data adotada pela igreja ocidental. O 6 de janeiro ficou, então, reservado ao dia em que Jesus teria aparecido aos três Reis Magos, herança das lendas epifânicas, nas quais os deuses se manifestam aos seres humanos.

As escolhas das datas não foram aleatórias. Ambas rivalizavam com festas pagãs realizadas no mesmo período, como a da religião persa que celebrava o Natalis Invicti Solis, a do deus Mitra e outras decorrentes do solstício de inverno e dos cultos solares entre os celtas e germânicos. “O 25 de dezembro foi uma conveniência para facilitar a assimilação da fé cristã pela massa de pagãos”, admite Mario Righetti, um dos mais renomados intelectuais católicos, em sua obra História da Liturgia, de 1955.

Na Bíblia, o evangelho de Lucas afirma que Jesus nasceu na época de um grande recenseamento, que obrigava as pessoas a saírem do campo e irem às cidades se alistar. Só que, em dezembro, os invernos na região de Israel são rigorosos, impedindo um grande deslocamento de pessoas.

“Também por causa do frio, não dá para imaginar um menino nascendo numa estrebaria. Mesmo lá dentro, o frio seria insuportável em dezembro”. O mais provável é que o nascimento tenha ocorrido entre março e novembro, quando o clima no Oriente Médio é mais ameno.

Definir quando nasceu Jesus exige uma profunda investigação histórica.

O problema começa em 525 d.C., quando Dionísio, o Pequeno, ao fixar o nascimento de Jesus em 25 de dezembro do ano 754 d. C. urbe condita (depois da fundação de Roma), efetuou um erro de cálculo da ordem de pelo menos cinco anos.

Segundo o evangelho de Matheus, Jesus nasceu durante o reinado de Herodes, que faleceu no ano 4 a.C., talvez nos meses de abril ou maio.

Considerando todos esses elementos, chegamos à conclusão de que a data de nascimento de Jesus deve situar-se entre os anos 5 a 7 a.C.

Crenças astrológicas tradicionais indicam, como dia mais provável, o sábado, dia 22 de agosto de 7 a.C. Seria conveniente lembrar que no calendário judeu o dia começa ao pôr-do-Sol, de modo que se considerarmos a legenda que Jesus nasceu depois do pôr-do-Sol, podemos aceitar que o seu nascimento ocorreu em 21 de agosto do ano 7 a.C.

Portanto, segundo relatos da Bíblia e crenças astrológicas, os seres que teriam “escrito” Livro de Urântia teriam razão em comemorar o aniversário de Jesus em 21 de Agosto. Será? Bem, historicamente não sabemos e é muito provável que nunca venhamos a saber. Então, assim como quase tudo que pensamos saber a respeito de Jesus transita do âmbito das crenças, e colocando em prática a tolerância sugerida por Victor Hugo, meus parabéns a esse personagem tão intrigante.

Roni Adame | FONTE