Oroboro é uma palavra muito especial, que pode ser lida de trás para a frente, sem perder sequer a pronúncia. Em inglês, passa a ser ouroboros e é um símbolo com mais de 3.000 anos e presente em muitas culturas. Oroboro é a figura de uma serpente ou dragão, mordendo sua própria cauda, sempre de uma forma circular. Esse símbolo aparece no Antigo Egito, onde representa o retorno de Rá (encarnado no Sol) ao ponto de partida, depois de cruzar o céu e o submundo.  É o símbolo da eternidade, do universo sem início e sem fim e nos mostra o caráter cíclico de todas as coisas. O nome vem do grego, que significa “aquele que devora a própria cauda”. A serpente é sempre representada em uma forma circular, mas em algumas culturas, aparece formando dois círculos entrelaçado, como o sinal do infinito. Esse círculo representa o ciclo de vidas, a imortalidade e o conceito de que quando uma vida acaba, outra começa, no mesmo local e instante.

Albert Pike, em seu livro Morals and Dogma, explica que a serpente, enrolada em um ovo, era um símbolo sagrado para os egípcios, os druidas e os indianos e era uma referência à criação do universo. Interessante notar que esse símbolo lembra muito a estrutura de dupla hélice de nosso DNA. A serpente mordendo sua cauda e formando um círculo, representaria o movimento, continuidade, ciclo e retorno. A serpente seria o mundo infernal e o círculo o mundo celestial. É a famosa roda da existência, que é um símbolo solar, em uma grande parte das tradições esotéricas de todas as partes do mundo. É a morte e a ressurreição e aparece em muitos livros antigos. Precisar sua origem e significado primitivo torna-se impossível, mas os primeiros registros foram encontrados entre os egípcios, chineses e povos do norte da Europa.

Podemos também encontrar esse símbolo na Alquimia, com o significado do fogo que alimenta o próprio fogo, ou que a energia do universo é cíclica. Para algumas escolas de mistérios, o oroboro tem relação com a eternidade e a sabedoria. Para os budistas tibetanos, tem o significado de que o ser humano deve olhar para si mesmo e somente através desse autoestudo, ele consegue evoluir. Também significa o início, o fim e o reinício. Devemos notar que a serpente, que na iconografia cristã está associada a aspectos maléficos, na maior parte das culturas pré-cristãs é um símbolo de sabedoria. De uma forma mais ampla e dentro  de tudo que se conhece deste antigo símbolo, ele é a representação dos ciclos reencarnatórios da alma e da continuidade da vida.