A usina recebeu críticas de grupos ambientalistas, que a consideram perigosa: o Greenpeace chegou a falar em “Chernobyl flutuante”

Usina flutuante tem dois reatores de urânio-235, que irão alimentar uma cidade minúscula (e altamente estratégica) no extremo Norte do planeta   

Pevek tem apenas 4.700 habitantes e fica no mar da Sibéria, no extremo Norte da Rússia, com invernos de 30 graus negativos (no verão, míseros 10 C). Mas fica num ponto estratégico: estima-se que o solo da região contenha 2.000 toneladas de ouro e 27 milhões de toneladas de cobre. A área  é suprida pela usina nuclear de Bilibino, cujos quatro reatores começaram a operar comercialmente entre 1974 e 1977 e estão no final da vida útil. Os russos optaram por uma solução ousada: construir uma usina flutuante e levá-la, pelo mar, até lá.

O projeto, que começou em 2014, está perto da conclusão: a usina, que se chama Acadêmico Lomonosov (homenagem ao cientista russo Mikhail Lomonosov, que em 1755 fundou a Universidade de Moscou), finalmente deixou o porto de Murmansk para uma viagem de 4.900 km até Pevek, seu destino final, Pevek. A embarcação tem 140 metros de comprimento, 69 tripulantes, e não possui propulsão – está sendo puxada por uma flotilha de navios rebocadores russos. “Eu me sinto como um dos primeiros cosmonautas indo ao espaço”, disse o engenheiro Vladimir Irminku, que trabalha na usina, ao jornal inglês Guardian. A viagem deverá levar três semanas.

A usina emprega dois reatores do modelo KLT-40, que foi projetado especificamente para uso naval e atualmente é usado para alimentar navios quebra-gelo russos. São reatores pequenos, que somados geram 70 megawatts de eletricidade (a usina de Angra 1, por exemplo, gera 640 MW, e Angra 2 produz 1.350 MW – que é a média dos reatores comerciais espalhados pelo mundo).

A usina recebeu críticas de grupos ambientalistas, que a consideram perigosa: o Greenpeace chegou a falar em “Chernobyl flutuante”. Mas há uma diferença tecnológica. O KLT-40 é um reator do tipo PWR (Pressurized Water Reactor), como os de Angra 1 e Angra 2 e a maior parte dos reatores americanos. Sua arquitetura interna e mecanismos de segurança são diferentes dos reatores BWR (Boiling Water Reactor), como os de Fukushima, e RBMK (Reaktor Bolshoy Mohchnosti Kanalnyy, ou “reator canalizado de alta potência”), como os de Chernobyl. A Rosatom, estatal nuclear russa, destacou que a usina atende a todas as normas da IAEA (Agência Internacional de Energia Atômica).

Além disso, a Lomonosov não é a primeira usina flutuante do mundo. Esse título cabe à MH-1A, que os Estados Unidos operaram entre 1968 e 1975, gerava 10 megawatts e ficava ancorada no Canal do Panamá.

FONTE Dica da Patty