Aline disse que intenção é comercializar kit, composto por motor, 15 células de bateria de lítio e painel, a R$ 45 mil. (Foto: Thiago Coutinho)

Parar o carro na garagem, ligar o veículo na tomada para “abastecer” e voltar a rodar pelas ruas no dia a dia. Essa ainda é uma realidade distante para a maioria dos brasileiros, mas uma engenheira capixaba espera mudar este cenário.

A engenheira eletricista Aline Gonçalves Santos, 31 anos, moradora de Vila Velha, elaborou um projeto e conseguiu equipar um Fusca com motor elétrico. Depois de dois anos de estudo sobre como fazer e quais componentes seriam necessários, ela espera implantar uma tecnologia para adaptar os carros no País.

Enquanto há uma corrida entre as montadoras do mundo para a nova era dos veículos elétricos, a engenheira eletricista de 31 anos, Aline Gonçalves Santos, há dois anos estuda uma forma de popularizar os carros brasileiros para essa realidade. “O futuro já se tornou presente”, conta.

Antes mesmo de lançar sua startup “MeuVeb”, em janeiro deste ano, foram vários testes. Com uma equipe que chegou a trabalhar simultaneamente com 10 pessoas, entre eletricistas, mecânicos, etc, e gastos de mais de R$ 60 mil, Aline conseguiu equipar um Fusca de 1972 (de dar inveja a colecionadores) com motor elétrico. Autonomia de 50 quilômetros e velocidade de 50 km/h.

“É um carro urbano, dentro da proposta de popularizar o veículo elétrico. Não é projetado para viagens, por exemplo. Um estudo apontou que a velocidade média em Vitória é de 30km/h, portanto, o Fusca está excelente. As pessoas ficam mais tempo com o pé na embreagem do que no acelerador”, disse a engenheira, que expôs o carro durante a Mec Show 2018, na última semana, e recebeu propostas de parcerias para o desenvolvimento do motor com empresas do Paraguai e da China.

Kit por R$ 45 mil

O que durou dois anos agora dura dois dias. Esse é o prazo para transformar um carro para elétrico por R$ 45 mil, preço do kit comercializado pela startup. Qualquer veículo pode ser adaptado, mas, inicialmente, Aline vai trabalhar com os mais antigos, com chassi Volkswagen, como Fusca, Karmanguia, Puma e Brasília.

“A nossa proposta é galgar para chegar a carros mais novos”, contou a engenheira, que participa nesta semana de mais uma etapa da InovAtiva Brasil, o principal programa de aceleração em larga escala para negócios inovadores do país, em São Paulo. Seu mentor é o Nelson Nishiwaki, referência em consultoria no mercado automobilístico brasileiro e auditor da Toyota.

Plano futuro

Quando se fala de futuro, a engenheira de Vila Velha reforça que está em fase final de consolidação do seu plano de negócios e, a partir do apoio do seu mentor no InovAtiva Brasil, conseguirá verificar a viabilidade do seu projeto e traçar metas de médio e longo prazos.

Quando pergunto como ela se enxerga num mercado de gigantes, ela brinca: “me sinto uma sardinha no meio dos tubarões”. Mas não tem medo. Encara os desafios e quer popularizar essa nova realidade. “Quando eu me deparei com o valor de um veículo elétrico, eu percebi que a população brasileira não tinha condições de comprar. Eu não tenho condições de comprar, e eu queria muito um carro elétrico”.

Assim como acontece nos Estados Unidos e até mesmo no Uruguai, Aline quer criar um novo mercado: oficinas para transformação de carros elétricos e, ainda, quer compartilhar os veículos.

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