O ano de 1954 marcou história na Ufologia Mundial. Neste ano, ocorreu uma grande revoada de UFOs em todos os cantos do planeta e numerosos casos de avistamentos, pousos e contato com tripulantes foram registrados.

Em Curitiba, nesse mesmo ano, ocorreu um caso impressionante. No dia 14 de dezembro de 1954, três discos voadores sobrevoaram a cidade por várias horas, chegando a se aproximar de prédios no centro da capital paranaense, assustando a população curitibana. Lojas da região do centro fecharam as portas bem mais cedo do que de costume, em plena época de compras natalinas, tamanho foi o assombro gerado na ocasião.

Tudo começou por volta das 11 horas da manhã, quando três pontos brilhantes surgiram no céu, sobre Curitiba. Por volta do meio dia, estes três objetos diminuíram sua altitude, sendo observados a partir de vários pontos da cidade. Eles tinham aspecto metálico reluzente e formato discoidal.

Por volta das 13 hrs, em vários pontos da cidade, haviam grupos de pessoas observando os discos voadores. Dois destes objetos deslocaram-se em direção ao sul, não sendo mais vistos. O terceiro objeto diminuiu ainda mais sua altitude, aproximando-se de alguns prédios no centro. Assustados com tal aproximação, lojistas fecharam suas lojas, enquanto algumas pessoas assustadas procuravam deixar a região central da cidade.

Com o crescente interesse da população curitibana em relação aos misteriosos objetos, a imprensa local, notadamente as radios do centro, começaram a noticiar o fato. Radialistas noticiavam e descreviam os fatos direto das janelas dos estúdios.

Uma das testemunhas foi o Coronel Carlos Assunção, Chefe de Polícia, que declarou à imprensa: “Ontem, quando me encontrava à janela de minha residência, acompanhado de meu filho e esposa, avistamos um objeto de cor avermelhada e um pouco azulado e que fazia uma trajetória no espaço com incrível rapidez. Tinha um formato redondo. Na zona onde eu moro ficou apinhada de gente e posso afirmar que centenas de pessoas avistaram o que acabei de dizer”.

Devido à grande movimentação desses objetos e à apreensão da população, um avião ou mais aviões da Força Aérea Brasileira decolaram e tentaram se aproximar de tais objetos, mas sem sucesso. Ainda não se sabe exatamente quantas aeronaves decolaram do aeroporto do Bacacheri, no encalço de tais objetos. Jornais da época falam em aeronaves (no plural), enquanto testemunhas da época falam na presença de uma única aeronave, bimotor, modelo Beechcraft, usada pela FAB para aerofotogrametria. Mas embora essa tentativa de interceptação tenha sido realizada, não existem documentos oficiais sobre este caso disponíveis entre os arquivos liberados pela FAB.

Além da FAB, a Marinha do Brasil envolveu-se no caso. O fotógrafo Maxim Cicaida, da Foto Heisler (na época situada na rua XV de Novembro, nº 372) fotografou o objeto e a movimentação da população assustada com o fenômeno. Tais fotografias foram publicadas pelo jornal O Estado do Paraná, em 16 de dezembro de 1954. Os negativos obtidos por Maxim foram enviadas à Escola Naval, no Rio de Janeiro, para análises. Os resultados dessas análises nunca foram liberados, assim como os negativos que não foram devolvidos. A cópia das fotos, obtidas pelo jornal O Estado do Paraná também sumiram dos arquivos do jornal tempos depois.

Passadas várias décadas deste insólito evento, testemunhas ainda mantém as lembranças vívidas daquele dia. Seus depoimentos fornecem detalhes interessantes sobre esta aparição. Romana Calebotta e sua amiga Rejane Cervi foram duas testemunhas que nunca esqueceram daquele dia. Elas eram amigas e vizinhas, morando no edifício Copacabana, na região central da cidade. Rejane Cervi descreve:

Morávamos no Edifício Copacabana e lembro perfeitamente. Eu tinha 11 anos. Meu pai chamou os homens do Edifício (entre eles estava o seu Cônsul da Itália, seu pai, e o chinês Chang) para subirem no terraço. Fui junto. Vimos, perfeitamente, o disco voador. O que mais chamava a atenção era a sua cor/textura metálica marron, a sua movimentação e a velocidade. Características inéditas para mim. Depois que eles desapareceram, meu pai forneceu papel e lápis e pediu aos que presenciaram o objeto voador que o desenhassem. Todos haviam visto a mesma coisa. Eu também desenhei. Não sei para quem meu pai levou os desenhos.

Romana Calebotta acrescenta:

Eu também fui no alto do nosso prédio Edifício Copacabana. Meu pai tirou algumas fotos, mas infelizmente não tenho mais, pois foram perdidas em uma mudança.

O relato de ambas não é muito diferente do relato de Celsa Munhoz de Souza, que também observou o objeto da sacada de seu apartamento.

Eu morava no centro e da sacada do prédio vi o disco passar, eu tinha 12 anos na época!

Outra testemunha, Nilce Wendler observou todo a movimentação dos objetos ao longo daquele dia.

Eu vi morava na Inácio Lustosa perto do hoje shopping Müller antes uma metalúrgica, lembro bem daquelas coisas brilhantes cortando o ar e sumindo em segundos , depois de ficar tempo parado imóvel. Sempre lembro disso.

Naquele mesmdo dia, além de Curitiba, outras cidades observaram os três discos voadores. Em São José dos Pinhais (PR), várias centenas de pessoas observaram o mesmo fenômeno da população curitibana. Em POnta Grossa (PR), outras milhares de pessoas testemunharam a aparição de discos voadores, na tarde de 14 de dezembro. No estado vizinho de Santa Catarina, no mesmo dia, houve avistamentos de outros três discos voadores sobrevoando a cidade de Joinville.

A revoada de UFOs, ocorrida em 14 de dezembro de 1954, foi uma das maiores do gênero, na Ufologia Mundial. Poucos casos foram tão testemunhados como estes eventos aqui descritos.

Única fotografia com qualidade de um dos discos voadores sobre Curitiba, obtida em 14 de dezembro de 1954. O prédio observado na imagem é o Edifício Pugley, situado na esquina da Marechal Deodoro com Monsenhor Celso, no centro de Curitiba.

FONTE: Fenomenum