“Os calcanhares batendo apressados embaixo da mesa e os dedos das mãos cutucando na superfície de madeira, acusando o modo com que o coração tem bombeado o sangue de modo acelerado. Não dá para disfarçar ou fingir que não. O melhor é esperar a hora de agir e ver no que dá.

Um dos grandes problemas que eu enxergo na nossa geração é o medo constante de ver nossa saúde mental abalada por alguma coisa do contexto de nossas vidas. As obrigações no trabalho, as provas difíceis nos estudos ou o medo de as coisas não saírem como devem sair em cada um dos âmbitos de nossas vidas. Mas será que a gente tem prestado atenção nisso mesmo?

Eu falo isso depois de fazer uma autoanálise, daquelas dolorosas de se fazer. Me dei conta disso depois de um amigo me lembrar que a água é molhada. É óbvio, o respondi. Eu sei – me disse -, e a gente odeia ouvir o que já sabe, mas às vezes é preciso para nos colocar na vida outra vez.

O que estamos cansados de ouvir ou saber. Geralmente é exatamente disso que nós precisamos para tomar uma dose de consciência sobre o que tem acontecido. Debochamos mentalmente, mas até o pleonasmo é importante. Nos coloca em nossos lugares outra vez. Lembram a gente de que mérito nenhum vale a nossa saúde mental.

A nossa geração sente uma necessidade absurda de autoafirmação. Eu não quero generalizar, mas observo isso por mim e por algumas situações que me cercam. E isso gera um amontoado de consequências que, olha, boa sorte para o psicólogo que se arriscar em tratar.

Quem sabe seja hora de colocarmos o pé no freio. Tá tudo bem não sair tudo 100% bem no trabalho ou não tirar 10 o tempo inteiro. Tá tudo bem ter que encarar a dor, a ditadura da felicidade não precisa tirar a nossa sanidade hoje. Amanhã as coisas voltam a ficar bem e precisaremos estar inteiros para aproveitar isso.” Júlio Hermann

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil tem os níveis mais altos de pessoas com depressão e transtorno de ansiedade de toda a América Latina: hoje, 9.3% dos brasileiros lidam diariamente com a ansiedade, enquanto 12% sofrem com a depressão.

É real: o trabalho está bagunçando a nossa saúde mental como nunca antes. E o motivo é aquele do qual você se queixa nos corredores do escritório – atualmente, o esperado de um profissional é executar o trabalho que três pessoas faziam há 15 anos.

Tem chefe que ainda vai achar mimimi, mas outro fator que contribui para o aumento dos desequilíbrios mentais é a falta de reconhecimento no trabalho. “Este é o maior questionamento dos meus pacientes”, conta o psiquiatra e pesquisador do Hospital das Clínicas da USP-SP, Diego Tavares. “Muitos se sentem desvalorizados pelos superiores, se questionam e sofrem com a diferenciação que os gestores fazem de um funcionário para outro”. Uma chance para você adivinhar quem são os mais afetados pelo estresse do trabalho. Sim, as mulheres! “Além de se esforçarem mais para garantirem destaque no escritório, elas, normalmente, são mais exigentes consigo mesmas e querem provar que são capazes de aguentar tudo”, explica o psiquiatra.

O que importa é sua saúde mental, a sua paz, a sua consciência tranquila. Seu diploma não vale uma depressão, uma vida de angústia, de sofrimento, de sensação de arma engatilhada na nuca. Sua conta bancária nunca vai te trazer mais benefícios do que o amor. Seu emprego não vale mais que sua integridade emocional e afetiva. 

Você tem que saber o custo emocional que é corresponder aos anseios do mundo. Entrar numa faculdade de ponta, arranjar um emprego excelente, comprar um carro de cem mil, ir pra Disney em junho, nada disso vai valer a pena se você estiver um caco emocionalmente. 

É preciso deixar de se pressionar, por mais que a vida pressione e sufoque. É preciso saber que você não precisa escolher tudo aos 18 ou aos 20, que você não precisa se formar em 5 anos, que você não precisa ter o mesmo ritmo dos outros. Você tem seu próprio ritmo, não fique se medindo pelo caminhar dos outros. Caso contrário, você vai pirar, vai adoecer, vai perder o brilho. Você vai conquistar tudo que sonhou, mas não se pressione tanto! 

SUA SAÚDE MENTAL É MAIS IMPORTANTE DO QUE SEU DIPLOMA, SEU EMPREGO E SUA CONTA BANCÁRIA ;)

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