Ozymandias era o nome dado pelos gregos ao faraó Ramsés II – um dos maiores faraós do Antigo Egito. É a partir da imagem de uma imponente estátua destruída deste faraó e enterrada nas areias do deserto, que Shelley nos dá um aviso claro que todos os grandes impérios um dia caem e suas ruínas se perdem nas areias do tempo. Achei o tema bem oportuno para ler e meditar nas suas verdades, nesta hora atual de introspecção mundial. A frase principal do poema: “Meu nome é Ozymandias, rei dos reis: Contemplem minhas obras, ó poderosos, e desesperai-vos!”, foi utilizada em vários filmes como Alien – Covenant, onde o planeta outrora habitado por seres de altíssima tecnologia, foi totalmente devastado por um patógeno mortal, jogado propositalmente de uma nave. É uma crítica à religião e à ciência e coloca em dúvidas se uma nova civilização humana pode recomeçar numa terra desabitada e livre do mal. Como diz o diálogo entre dois seres sintéticos não humanos: “Onde quer que for o Homem e aquilo que ele cria, levará consigo a semente da perversidade”. O outro ser, que é incapaz de ser gentil, responde ironicamente: “O novo mundo será bom se nós formos gentis”.

Ozymandias – Percy Bysshe Shelley, jan.1818

Eu encontrei um viajante de uma terra antiga
Que disse:—Duas gigantescas pernas de pedra sem corpo
Erguem-se no deserto. Perto delas na areia,
Meio afundada, jaz um rosto partido, cuja expressão
E lábios franzidos de escárnio de frieza no comando
Mostram que seu escultor bem percebeu aquelas paixões
Que ainda sobrevivem, estampadas nessas peças sem vida,
A mão que zombava deles e o coração que os alimentava.
E no pedestal estas palavras aparecem:
“Meu nome é Ozymandias, rei dos reis:
Contemplem minhas obras, ó poderosos, e desesperai-vos!”
Nada resta: junto à decadência
Das ruínas colossais, ilimitadas e nuas
As areias solitárias e inacabáveis estendem-se à distância.