Leonardo Cambruzzi arrecadou R$ 21,45 e entregou à instituição. Ação emocionou moradores e orgulhou a família.

A luta contra pandemia da Covid-19 está criando redes de solidariedade e ajuda. Em Antônio Prado, na serra gaúcha, Leonardo Cambruzzi, de 11 anos, vendeu latinhas por uma semana para entregar o dinheiro ao único hospital da cidade. Ele conseguiu arrecadar R$ 21,45.

Em uma rede social, Leonardo revelou a imensa alegria em ajudar, mas também desabafou.

“Vergonha tive muito de só conseguir juntar pra doar R$21, 45. Eu queria pode ter doado mil vezes mais que isso.”

Leonardo mora com a família em uma casa simples no interior de Antônio Prado. A mãe, Zuleide Cambruzzi, conta estar orgulhosa do filho.

“Eu jamais pensei que ele ia fazer uma coisa dessas. Fiquei muito feliz. Tenho orgulho dele.”

O Hospital de Antônio Prado conta com quatro respiradores e está com uma campanha para arrecadar dinheiro para a compra de mais equipamentos.

O diretor administrativo do hospital, Diógenes Webeer, afirma que a doação de Leonardo deu uma motivação para a instituição.

“Esse gesto não tem preço, não é pela doação material e sim pelo que ele trouxe de exemplo pra cada um de nós nesse momento, que devemos refletir sobre toda essa situação que ocorre no mundo. Leonardo, você trouxe uma motivação a mais pra toda equipe do hospital que vai se empenhar e vai dar o seu melhor pra ajudar a todos no enfrentamento do coronavírus.”

G1

E todo este amor foi retribuído mais tarde… 

Matéria no blog do Juarez

Família de menino que juntou latinhas para ajudar hospital de Antônio Prado ganha casa nova

Na semana passada, Leonardo Cambruzzi, de 11 anos, juntou latinhas para vender e doar ao Hospital da cidade. De origem humilde, família, que já era acompanhada pela assistência social, conseguiu direito a moradia junto à Defensoria Pública do município

Um dia depois da publicação da reportagem, a vida dele e da família começou a mudar: após lutar na Justiça, eles conseguiram uma nova casa para morar.

Além de Leonardo, Zuleide Cambruzzi e Adair Maziero têm outros dois filhos. Eles moravam em uma residência precária, e não tinham condições de se mudar para um local melhor. Zuleide não pode trabalhar devido a problemas de saúde, e Adair faz pequenos serviços para sustentar a família.

O casal procurou a Assistência Social do município, que por sua vez acionou a Defensoria Pública, que entrou na Justiça pedindo a garantia de moradia.

“A situação da casa, que era alugada, de fato era bem precária, muito triste. Era uma casa de madeira, eles só tinham energia elétrica na cozinha, o piso tinha muitas falhas, entrava água e muito vento, era uma situação de extrema vulnerabilidade mesmo”, descreve a defensora Danusa Ceccato.

Eles viviam há três anos na casa. A Justiça, ao reconhecer o direito de moradia digna, garantiu que a família receba o aluguel social por um ano. Depois será encaminhada a um programa habitacional do Governo.

“Inclusive nesse um ano possam melhorar de vida para daqui a pouco não precisar mais do aluguel ou poder ser inseridos num programa e poder pagar a parcela. A ideia é melhorar ainda que momentaneamente a situação deles para que eles possam caminhar com as próprias pernas”, analisa a defensora.

A notícia foi recebida com muita alegria pelos familiares na última quinta-feira, quando começaram a mudança, que terminou no sábado (11). A nova residência fica localizada perto do centro de Antônio Prado, no bairro Panorâmico.

“Entre quinta e sábado viemos levando aos poucos as roupas que a gente tinha, de móveis não tinha nada, e o pouco que tinha não conseguimos mexer, chegando aqui já ganhamos muitas coisas. Estamos muito felizes mesmo. Agora não vamos passar frio nem medo”, diz Zuleide.

A nova residência é mais espaçosa que a anterior, com dois quartos, sala e cozinha. Agora, o novo prazer de Zuleide é poder limpar e cuidar da casa com capricho, além de poder ver a chuva cair do céu sem medo.

“Tu limpar uma coisa e ver limpa, parece que a gente sente assim tão bem. Meu sonho era ter uma cozinha de azulejo branco, agora posso cuidar. A previsão de hoje era pra vir a chuva, o Léo me disse hoje de manhã ‘mãe, pode chover hoje nós não vamo s precisar se esconder da chuva’. A gente tá muito feliz, hoje nós vamos ficar apreciando a chuva, há muito tempo só se preocupava com a chuva, agora a gente vai poder apreciar.”

A vida da família mudou após a notícia da atitude solidária do pequeno Léo. De acordo com a mãe, a intenção do menino era genuinamente ajudar, mesmo com pouco, mas a partir do reconhecimento da ação, a família começou a receber doações de roupa e alimentos dos moradores da cidade.

“A intenção não era chamar a atenção de ninguém, a intenção dele era só querer ajudar. Eu fico feliz por ele, eu não tenho como dar as coisas pra ele, ele nunca pode ter, ele sempre foi um guri pobre, sempre olhava os guris ter as coisas ele não. Agora uma pessoa prometeu um videogame pra ele, ele tá bem ansioso. O choro é de alegria agora, muita gratidão a Deus sempre”, emociona-se a mãe.

E a intenção de Leonardo Cambruzzi é não parar de ajudar a saúde da cidade. Segundo dona Zuleide, ele vem recebendo doações de latinhas de alumínio para ajudar nas vendas. Agora com uma vida mais confortável, o menino quer contribuir ainda mais com suas doações.

“Ele continua amassar lata, ele disse ‘mãe, como a gente ganhou comida, eu quero continuar ajudando’. Ele vai continuar fazer a contribuição dele mas pouca, né, mas vai continuar, tá vindo muito pessoal aqui levar lata pra ele também. Ele me disse ‘mãe, agora que a gente ganhou comida, o importante é ter saúde.”