Doug Loverro, administrador associado da NASA para a diretoria de missões de exploração e operações humanas, renunciou de forma inesperada ao seu cargo — depois de apenas sete meses nessa função e pouco mais de uma semana antes do primeiro teste tripulado da cápsula Crew Dragon, da SpaceX.

Este teste da SpaceX está programado para ser a primeira vez que a NASA envia astronautas para a Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla em inglês) a partir do território dos EUA desde 2011, quando o antigo ônibus espacial foi aposentado e a agência começou a confiar em assentos alugados nos foguetes Soyuz operados pela Roscosmos, a agência espacial russa. O momento ruim, no entanto, pode ser apenas coincidência.

De acordo com a NPR, Loverro deu a entender que havia cometido um erro grave, mas não especificado: um “risco” que considerava necessário para acelerar a ordem de Donald Trump de levar astronautas à superfície da Lua até o ano de 2024, o Programa Artemis. Em uma mensagem de despedida para a equipe da NASA, relata a NPR, Loverro se referiu a isso como um “erro na escolha em que só eu devo suportar as consequências”.

“Quero deixar claro que o fato de dar esse passo não tem nada a ver com o seu desempenho como organização nem com os planos que começamos a executar para completar nossa missão”, adicionou Loverro. “Minha saída é por causa de ações pessoais, não algo que não conseguimos realizar juntos”.

Segundo a NPR, uma fonte “familiarizada com a situação” disse que o problema tinha a ver com uma violação das regras ou regulamentos da NASA. Como o TechCrunch observou, não havia indicação pública antes do anúncio de demissão de que Loverro havia cometido um erro recentemente caro o suficiente para terminar sua carreira na agência.

Uma Live debatendo a questão:

Artemis: grandes excedentes de gastos

O Programa de Sistema de Lançamento Espacial da NASA (SLS, na sigla em inglês), que é crítico para Artemis e foi supervisionado por Loverro, sofreu grandes excedentes de gastos. Seu primeiro lançamento de teste, originalmente agendado para 2017, foi adiado recentemente para alguma data entre março de 2021 e novembro de 2021. Esses problemas antecederam o mandato de Loverro, embora os atrasos no SLS tenham ameaçado adiar a data planejada de pouso na Lua de 2024 até depois do possível segundo mandato de Trump.

Críticos alertaram que Trump parece estar pressionando fortemente a NASA para acelerar Artemis de sua linha do tempo original de 2028 — o que poderia ter consequências desastrosas se resultar em trabalho de má qualidade — apenas para reivindicar um segundo programa de pouso na Lua como parte do seu legado. O vice-presidente Mike Pence ameaçou no ano passado que se a NASA falhar para que isso acontecesse até 2024, o governo Trump “mudaria a organização, não a missão”.

Washington Post, citando duas fones relacionadas a saída de Loverro, informou que ele pode ter quebrado normas de adjudicação durante os esforços da NASA de desenvolver uma espaçonave para pousar na Lua para a missão de 2024. Loverro disse ao jornal que “não tem nenhuma relação com a tripulação comercial”, o programa que descreve o lançamento da Crew Dragon, da SpaceX. Ele acrescentou que “não tem relação com acelerar a missão Artemis, e eu não quero dar mais detalhes do que isso”.

Não havia indicações prévias da saída de Loverro em uma reunião na terça entre o vice-presidente Mike Pence e o administrador da NASA, Jim Bridenstine, segundo o Washington Post. O Politico informou que Loverro negou qualquer desacordo com Bridenstine ou problemas de segurança com o lançamento da SpaceX tiveram algum papel em sua demissão; dois funcionários do setor disseram ao site que o motivo oficial era um pretexto para Bridenstine remover Loverro.

Se isso for verdade, Bridenstine está sistematicamente queimando o filme de chefes de voos humanos espaciais. Loverro foi o terceiro da NASA a servir como administrador associado do programa de exploração humana no período de um ano.

William Gerstenmaier, um veterano da NASA que ocupava o cargo desde 2005, foi transferido para um cargo de consultor especial em julho de 2019, em meio a uma tensão interna sobre se ele estava tentando adiar os esforços da Casa Branca para acabar com a Gateway, uma estação espacial planejada para orbitar a lua e ser usada como ponto de partida para operações lunares.

Na época, o Ars Technica relatou que algumas autoridades do governo Trump suspeitavam que ele estava pressionando para manter esses planos, para que eles fossem salvos em uma hipotética administração democrata no futuro. Segundo relatos, conflitos adicionais entre Gersteinmaier e Bridenstine incluíram os atrasos no SLS.

Gersteinmaier mais tarde renunciou à NASA e foi trabalhar na SpaceX. O ex-astronauta Ken Bowersox, que se tornou administrador associado interino após a transferência de Gerstenmaier e até Loverro conseguir o emprego em 2019, novamente ocupará o cargo temporariamente.

“Temos plena confiança no trabalho [gerente do programa]de Kathy Lueders e toda a equipe da tripulação comercial feito para nos trazer até o estágio em que estamos”, escreveu a NASA em um memorando para a equipe, de acordo com o The Verge. “Este voo de teste será uma ocasião histórica e importante que verá o retorno do voo espacial humano ao nosso país, e a incrível dedicação dos homens e mulher da NASA é o que tornou essa missão possível”.

Preocupação com a renúncia de Doug

“Estou profundamente preocupado com essa renúncia repentina, especialmente devido ao seu momento”, disse Kendra Horn, representante democrata do subcomitê espacial de Ciência, Espaço e Tecnologia da Câmara, ao Politico. “Sob esse governo, vimos um padrão de partidas abruptas que interromperam um padrão de partidas repentinas que interromperam os esforços de nosso pais no vôo espacial humano”.

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